Fonte: www.g1.globo.com
08/11/2013 06h45 - Atualizado em 08/11/2013 07h42
Autismo pode ser identificado nos primeiros meses de vida, diz estudo
Cientistas identificaram contato visual reduzido em recém-nascidos posteriormente diagnosticados com o transtorno.
Criança saudável passa por teste para detectar
autismo (Foto: Kay Hinton Emory University/BBC)
saiba
mais
Uma pesquisa conduzida por cientistas americanos sugere que o autismo,
disfunção que afeta a capacidade de socialização do indivíduo, pode ser
identificado em bebês com até dois meses de vida.
Os estudiosos analisaram o olhar das crianças, do nascimento até os três
anos, em direção aos rostos de outras pessoas .
Eles descobriram que as crianças posteriormente diagnosticadas com autismo
mantinham, um contato visual reduzido - uma das marcas do transtorno - nos
primeiros meses de vida.
A pesquisa, publicada na "Nature", aumentou as esperanças de que o autismo
seja tratado mais precocemente, afirmou um cientista britânico.
No estudo, pesquisadores liderados pela Escola de Medicina da Emory
University em Atlanta, nos Estados Unidos, usaram uma tecnologia de rastreamento
visual para medir a forma como os bebês olhavam e respondiam a estímulos
sociais.
Eles concluíram que as crianças posteriormente diagnosticadas com autismo
mostraram um declínio gradativo na capacidade de manter um contato visual
constante com os olhos de outras pessoas a partir da idade de dois meses, quando
começaram a assistir vídeos de interações humanas.
O coordenador da pesquisa, Warren Jones, disse à BBC News que foi a primeira
vez que "foi possível detectar alguns sinais de autismo nos primeiros meses de
vida". "Estes são os primeiros sinais de autismo já observados".
Metodologia
O estudo acompanhou 59 crianças que tinham um
alto risco de autismo por terem irmãos com a doença, e 51 crianças de baixo
risco. Jones e seu colega Ami Klin examinaram as crianças até completarem três
anos, quando as crianças voltaram a ser formalmente avaliadas quanto à
doença.
Treze das crianças (11 meninos e duas meninas) foram diagnosticadas com
transtornos do espectro do autismo - uma série de distúrbios que inclui o
autismo e síndrome de Asperger.
Os pesquisadores, então, voltaram a observar os dados de rastreamento ocular
dos pacientes e fizeram uma descoberta surpreendente. "Em crianças com autismo,
o contato visual já está em declínio nos primeiros seis meses de vida", disse
Jones.
Jones acrescentou, entretanto, que tal quadro só pode ser observado com
tecnologia sofisticada e não seria visível para os pais.
Para Deborah Riby, do departamento de psicologia da Universidade de Durham, o
estudo proporcionou uma análise sobre o tempo de atenção social, atípica em
crianças que tendem a desenvolver autismo. "Esses marcadores precoces são
extremamente importantes para identificar brevemente os primeiros traços de
autismo. Dessa forma, temos a capacidade de aprimorar o tratamento", disse
Riby.
Mais pesquisas
Caroline Hattersley, diretora de
informação, aconselhamento e apoio da National Autistic Society, baseada no
Reino Unido, disse que a pesquisa foi "baseada em uma amostra muito pequena e
precisa ser replicada em uma escala muito maior antes de podermos tirar
quaisquer conclusões concretas". "O autismo é um transtorno muito complexo",
disse.
"Não há duas pessoas com autismo que são iguais, e por isso é necessária uma
abordagem holística para o diagnóstico, que leve em conta todos os aspectos do
comportamento de um indivíduo. Uma abordagem mais abrangente permite que todas
as necessidades do pacientes sejam identificadas". "É vital que todas as pessoas
com autismo possam ter acesso a um diagnóstico, pois isso pode ser a chave para
uma recuperação mais rápida", concluiu.
A pesquisa foi feita em parceria com o Marcus Autism Center e o Children's
Healthcare of Atlanta
---------------------------------------------------------------------------------------------
CEBID - Centro de Estudos em Biodireito
Atualmente no Brasil, a possibilidade de detectar o autismo se dá somente a partir do momento em que este se manifesta diante da sociedade e das relações sociais que o cercam apresentando comportamentos diversos do padronizado, como são os exemplos de déficits expressos de comunicação social e ausência de reciprocidade nas relações que os envolve. Conforme nos aduz as especificações descritas no Dicionário de Saúde Mental 5.ª edição, elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria, com o intuito de definir este tipo de diagnóstico, bem como em nossa legislação pátria na LEI Nº 12.764, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012, em seu art. 1°, §1°, os autistas são possuidores de transtorno do espectro autista, tratados por nosso ordenamento jurídico como deficientes, fato que leva a legislação a se preocupar com sua inserção social de maneira específica, coibindo qualquer tipo de discriminação, sejam elas de caráter escolar, profissional e social, e buscando reafirmar sua dignidade como seres portadores de direitos de personalidade.
ResponderExcluirCom os avanços tecnológicos como os citados na reportagem podemos sutilmente observar o enquadramento do princípio da dignidade da pessoa humana concomitante com o da precaução, que dará aos autistas a possibilidade de quanto mais rápido forem diagnosticados mais eficazes se tornaram os tratamentos aplicados a ele, haja vista que o desenvolvimento de suas faculdades e aspectos cognitivos se dão a partir de símbolos utilizados repetidamente, fazendo com que sua aceitação diante do mundo amenize seus conflitos com a dinâmica da vida ao decorrer de seu desenvolvimento.