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terça-feira, 4 de junho de 2013

Um ano após decisão do STF, aborto de anencéfalos esbarra em entraves


27/05/2013 05h18 - Atualizado em 27/05/2013 10h44

Um ano após decisão do STF, aborto de anencéfalos esbarra em entraves

Médicos citam avanços, mas ainda há desinformação sobre o tema; religiosos criticam duramente a medida.

Da BBC
Passado um ano desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o aborto em casos de gravidez de fetos anencéfalos (sem cérebro), pacientes brasileiras estão tendo acesso mais fácil ao procedimento, mas ainda há importantes deficiências a serem resolvidas, dizem médicos consultados pela BBC Brasil.

A decisão do STF – tomada em abril de 2012 e detalhada no mês seguinte em resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) – tem forte oposição de grupos religiosos, que a veem como um retrocesso das garantias do direito à vida.

Gravidez  (Foto: PA)
ecisão do STF permite desde 2012 que fetos sem cérebro 
sejam abortados pela mãe (Foto: PA)
Antes, mulheres grávidas de fetos sem cérebro tinham de pedir autorização à Justiça para interromper a gestação, algo que podia ou não ser concedido pelo juiz. 

 "Em São Paulo, isso poderia levar de uma semana a dois ou três meses", afirma o ginecologista Cristião Rosas, da Federação Brasileira de Ginecologiae Obstetrícia (Febrasgo). Atualmente, esse período foi reduzido para dias, caso a mulher decida pelo procedimento.
 
"Mas a rapidez não vem em primeiro lugar", complementa o ginecologista Thomaz Gollop, coordenador de um grupo de estudos sobre o aborto. "A paciente deve receber orientação psicológica e ter tempo de amadurecer (sua decisão)."

Informações

A gravidez de anencéfalos é considerada de alto risco porque o feto fica em posição anormal e há o perigo de acúmulo de líquido no útero, descolamento da placenta e hemorragia. E não há perspectivas de longa sobrevivência para o feto, que em muitos casos morre durante a gestação.

Ultrassom aponta feto sem cérebro (Foto: AFP)
Ultrassom aponta se feto tem cérebro (Foto: AFP)
Os médicos aguardam a publicação de uma norma técnica do Ministério da Saúde, com diretrizes claras sobre como os profissionais devem lidar com o tema. A norma está em fase final, mas não há data para sua publicação.

Enquanto isso, especialistas dizem que há desinformação, tanto entre pacientes quanto entre as próprias equipes de saúde; que os serviços que fazem aborto (entre 50 e 60) são insuficientes; e que muitos profissionais alegam razões de foro íntimo para não informar as gestantes de seu direito ou mesmo para negar o procedimento.

"Ainda há (entre alguns médicos) a falsa ideia de que a interrupção é mais arriscada do que deixar a gravidez evoluir. E é ao contrário", explica Cristião Rosas. "Daí o médico posterga tanto que, quando a mulher chega ao hospital (para interromper a gestação), já está em situação de risco."

'Chorei tanto'

A dona de casa pernambucana Elisa (nome fictício), de 23 anos, descobriu estar grávida de um bebê anencéfalo no mês passado, no quinto mês de gestação.

"Era uma menina, uma filha que eu desejei muito", diz Elisa. "Chorei tanto. Fiz de novo o ultrassom, e o médico falou que eu poderia interromper a gravidez. Decidi interromper."

Mas o hospital procurado por Elisa, a 680 km de Recife, é dirigido por religiosos católicos, que negaram o procedimento. Ela então recorreu a uma prima, enfermeira em um hospital em Recife, onde a jovem fez a antecipação terapêutica do parto.

O Ministério da Saúde afirma que, diante da decisão do STF e sendo o Brasil um Estado laico, hospitais que se negarem a realizar procedimentos legais podem ser acionados na Justiça.

Já a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) defende o direito de médicos e entidades exercerem objeções de consciência.

Disparidades

Polêmicas à parte, para Thomaz Gollop, o direito ao aborto no caso de anencefalia está consolidado "por 21 anos de (emissão de) alvarás judiciários (autorizando a prática), algo sacramentado pela decisão do Supremo". Mas a ausência de uma norma técnica abre espaço para disparidades.

"O procedimento é rápido nos Estados onde existe o serviço legal (de aborto)", diz. "Não acredito que as mulheres estejam desassistidas. Mas não temos nenhuma mensuração."

Não há dados oficiais sobre os abortos legais de anencéfalos no Brasil nem sobre o impacto da decisão do STF.

Mas o médico Jefferson Drezzet, do hospital Pérola Byington – referência em saúde da mulher em São Paulo –, diz que a decisão do STF não fez aumentar o número de procedimentos.

"A anencefalia é uma doença cuja incidência obedece a uma constante. É diferente do aborto de gestações indesejadas. Portanto, não houve aumento de casos", diz.

"O que mudou é que as mulheres diagnosticadas não precisam passar pela torturante tarefa de ir a uma vara criminal por um pedido que podia ou não ser concedido."

Luto

A isso – e independentemente se a mulher decida fazer ou não o aborto – se soma um dolorido processo de luto, explica Drezzet.

"A mulher sente culpa, derrota. É uma situação emocionalmente difícil."

Elisa diz à BBC Brasil que ainda tem crises de choro quando pensa na filha que não teve.

"Todas as vezes que mexo nas coisinhas que comprei para ela, eu lembro e choro."

Dados globais indicam que a incidência de anencefalia é de em média 1 em cada 10 mil gestações, mas – por razões não totalmente compreendidas – o Brasil é um dos países com o maior número de casos. A prevenção é feita com a ingestão de ácido fólico antes da gestação, o que reduz consideravelmente os riscos, diz Drezzet.

Os médicos consultados afirmam que, em meio à perda, é importante que a mulher não se sinta culpada ou criminosa.

"Ela tem que saber que tem liberdade para decidir", diz Gollop.

Para Débora Diniz, pesquisadora da Anis (grupo de bioética que propôs a ação no STF), a decisão acabou com a instabilidade jurídica antes enfrentada pelas mulheres. Mas o tema está longe de consensos.

"Nos preocupa o modo como o Supremo decidiu pela não-vida do anencéfalo", diz à BBC Brasil Lenise Garcia, da comissão de bioética da CNBB. "Sua perspectiva de vida é pequena, mas ele só pode morrer porque está vivo. E a vida humana precisa ser resguardada até a morte."

Garcia relata histórias de mulheres que optaram por dar continuidade à gravidez de anencéfalos, os fetos sobreviveram mais que o esperado e, até sua morte, "existiu uma interação de muito amor" entre mãe e filho.

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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Lei que obriga tratamento em 60 dias para câncer começa a valer dia 23

6/05/2013 12h40 - Atualizado em 16/05/2013 13h53

Lei que obriga tratamento em 60 dias para câncer começa a valer dia 23

Prazo começa a contar após identificação no prontuário, informou ministro.
Governo dará incentivo fiscal para doações que beneficiem serviço na área.

Mariana OliveiraDo G1, em Brasília
---------------------------------------------------Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em coletiva nesta quinta (16) (Foto: Mariana Oliveira/G1)Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em coletiva
nesta quinta (16) (Foto: Mariana Oliveira/G1)
A lei que estabelece prazo de até 60 dias para que pacientes com câncer comecem o tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) começa a valer em todo o país na próxima quinta-feira (23).
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou nesta quinta (16) detalhes sobre a nova regra e informou que o prazo começa a ser contado a partir da inclusão do laudo que confirmou o diagnóstico no prontuário do paciente.
O intervalo de dois meses é válido para que o paciente passe por cirurgia ou inicie sessões de quimioterapia ou radioterapia.
A nova regra tem apenas três exceções de casos que não precisam ser tratados dentro desse prazo: câncer de pele não melanoma, câncer de tireoide que não seja de alto risco e casos sem indicação de cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Segundo explicou a coordenadora de Oncologia do MInistério da Saúde, Patrícia Sampaio, em algumas dessas situações o tratamento com remédios começa imediatamente após o diagnóstico.
A nova legislação que obriga o tratamento foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 23 de novembro de ano passado (o texto previa que a regra passaria a vigorar em 180 dias).
De acordo com Padilha, os pacientes deverão buscar os equipamentos de saúde do município e poderão cobrar a Secretaria Municial de Saúde caso o prazo máximo esteja próximo do fim e o tratamento não tenha começado. "Sabemos que será um grande desafio para os municípios cumprir o prazo, mas é preciso que o cidadão busque informações nos equipamentos de saúde. [...] O ministério também terá uma comissão de acompanhamento de cumprimento dos prazos em todo o país", disse.
Segundo ele, a partir desta quinta (16),  municípios e estados terão acesso ao Sistema de Informação do Câncer (Siscan), que reunirá o histórico de todos os pacientes e do tratamento de cada um. Prefeituras e governos estaduais serão obrigados a cadastrar as informações no sistema a partir de agosto. Quem não fizer, terá repasses suspensos por parte do governo federal.
Dados do ministério - que têm desasafem de dois anos e foram coletados após entrevistas com pacientes - mostram que, antes mesmo da nova lei, 78% dos casos de câncer em estágio inicial já são tratados em até 60 dias; nos casos de câncer em estágio avançado, o percentual sobe para 79%. As informações mostram ainda que 95% das crianças e adolescentes começam a ser tratados dentro desse prazo.
Conforme Padilha, apesar dessas informações positivas, há grande desigualdade em relação ao tratamento em cidades mais distantes dos grandes centros urbanos. "Queremos reduzir as desigualdades em relação ao tratamento de câncer no país. Queremos que todos sejam tratados em 60 dias."
Segundo o ministro, um dos principais entraves para cumprimento dos prazos é a falta de médicos oncologistas no Brasil. Para tentar solucionar a questão, disse ele, há convênios com hospitais para abertura de vagas em residência médica. O Ministério da Saúde também está investindo na compra de equipamentos, informou Padilha.
Incentivo fiscal
O governo também informou que dará incentivo fiscal a pessoas físicas e jurídicas que fizerem doações para iniciativas de prevenção e combate ao câncer. Pelas regras, o contribuinte poderá deduzir até 1% do Imposto de Renda devido.
Primeiramente, as entidades interessadas precisarão apresentar projetos na área assistencial, formação de profissionais e pesquisas. As iniciativas serão avaliadas pelo Ministério da Saúde.
 Se os projetos forem aprovados, as pessoas ou empresas que fizerem doações terão o benefício fiscal.As doações podem ser feitas por transferência de valores ou cessão de bens móveis, material de consumo, hospitalar, medicamentos ou itens de alimentação. "Além de contribuir fortemente para humanizar o atendimento às pessoas com câncer, [o incentivo] certamente será um estímulo para pesquisas", avaliou o ministro Alexandre Padilha.
Dados sobre o câncer
O governo apresentou estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) de que 518 mil casos de câncer sejam diagnosticados somente neste ano. Somente no ano passado, foram mais de 500 mil casos constatados e o gasto público por internações com câncer foi de R$ 806 milhões. 
Trata-se da segunda doença que mais mata no Brasil, depois apenas das complicações cardiovasculares.Entre as mulheres, o câncer que mais mata é o de mama - foram 12.705 casos entre 2010 e 2011 que representaram 15,3% das mortes femininas no país. Já entre os homens o câncer de traqueia, brônquios e pulmões somou 13.677 casos no mesmo período, alcançando 14,2% dos óbitos.
De acordo com o ministro Alexandre Padilha, a população também precisa melhorar hábitos como forma de prevenção da doença. "É um problema de saúde pública que será cada vez mais presente por conta do modelo de vida, urbanização e do envelhecimento da população. [...] A prevenção do câncer, antes de mais nada, é não fumar, ter hábitos saudáveis, fazer exercícios."
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Jovem que perdeu membros devido a bactéria ganha mãos biônicas

17/05/2013 17h13 - Atualizado em 17/05/2013 21h33

Jovem que perdeu membros devido a bactéria ganha mãos biônicas

Americana Aimee Copeland contraiu bactéria em 2012 que devora a pele.
Vídeo mostra a jovem exercendo atividades normais com as próteses.

Do G1, em São Paulo

A jovem americana Aimee Copeland, que contraiu uma bactéria que devora a pele e a fez perder as mãos, pés e uma de suas pernas, apareceu nesta sexta-feira (17) em um programa da emissora NBC onde exibiu suas novas mãos biônicas, doadas pela empresa Touch Bionics.
No vídeo, que pode ser visto no site da emissora, Aimee aparece cortando morangos, dobrando roupas, escrevendo e até utilizando um alisador de cabelos.
 A jovem recebeu treinamento de técnicos da empresa, que a ensinaram a usar as próteses, que respondem aos sinais musculares e são capazes de realizar 24 tipos de movimentos diferentes.
Um porta-voz da companhia informou que a empresa decidiu doar os membros após tomar conhecimento de que a família de Aimee teria que pagar pelas próteses.
Acidente
Em 2012, Aimee Copeland sofreu um acidente com uma tirolesa improvisada sobre um rio no estado da Geórgia. Ela cortou a perna e caiu no rio, onde foi infectada por uma bactéria e desenvolveu uma doença rara chamada fasceíte necrotizante.
A bactéria Aeromonas hydrophila vive em clima quente e em água fresca, como a de rios onde a estudante se acidentou. O germe raramente causa a doença, mas quando ela se manifesta, a infecção é extremamente grave e pode levar a morte.A infecção destrói as camadas internas e externas da pele, porque a bactéria libera toxinas que destroem os tecidos. Os médicos tiveram que amputar a perna esquerda, o pé direito e as duas mãos de Aimee.
Em meados de maio do ano passado, a estudante de psicologia já tinha dado sinais de recuperação. Primeiro, ela voltou a respirar sem aparelhos. Dias depois, conseguiu se sentar sozinha e passou a se alimentar.
Em 27 de maio, Aimee Copeland conversou pela primeira vez com médicos e familiares. “Oi. Nossa. Uau, como minha cabeça está confusa”, foram as primeiras palavras da garota de 24 anos, segundo seu pai, Andy Copeland. 
A primeira coisa que pediu à mãe, aliás, foi um café da manhã reforçado: salsicha vegetariana, pão, molho branco, ovo frito e frutas frescas. “Ela provavelmente vai comer só um pedacinho, mas é claro que eu vou fazer. Que mãe não faria?”, emocionou-se a mãe, Donna.
Os pais e a irmã de Aimee Copeland, em entrevista coletiva concedida quando a jovem estava em estado grave (Foto: AP Photo/The Augusta Chronicle, Emily Rose Bennett)Os pais e a irmã de Aimee Copeland, em entrevista coletiva concedida quando a jovem estava em estado grave (Foto: AP Photo/The Augusta Chronicle, Emily Rose Bennett)

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Médicos encontram quatro rins em jovem inglesa durante cirurgia

17/05/2013 16h17 - Atualizado em 17/05/2013 17h08

Médicos encontram quatro rins em jovem inglesa durante cirurgia

Três rins estavam do lado direito do corpo; um deles foi removido.
Jessica Curphey vive hoje com três órgãos que funcionam perfeitamente.

Do G1, em São Paulo

Imagem mostra a jovem inglesa Jessica Curphey, de 20 anos, ainda no hospital, onde passou por cirurgia para remover rim danificado. Médicos afirmam que ela possuía 4 rins (Foto: Caters)Imagem mostra a jovem inglesa Jessica Curphey, de
20 anos, ainda no hospital, onde passou por cirurgia
para remover rim danificado. Médicos afirmam que ela
possuía 4 rins (Foto: Caters)
Uma jovem de 20 anos deu entrada em um hospital da Inglaterra para tratar de uma suspeita de infecção urinária, mas teve de passar por uma cirurgia em que os médicos encontraram nela quatro rins, em vez de apenas dois. Ainda segundo os especialistas, três órgãos funcionavam perfeitamente.


Jessica Curphey foi levada às pressas ao hospital após sentir uma dor intensa do lado direito do corpo.

Equipamentos de ressonância do Centro Médico St. Helier, no condado de Surrey, detectaram uma anomalia no rim direito e os médicos interpretaram que ali havia um cisto de 17 centímetros de diâmetro.


Mais tarde, outros exames mostraram que se tratava, na verdade, de um rim extra. Durante a cirurgia, outra surpresa: Jessica abrigava, na verdade, três rins do lado direito e um deles estava danificado ao ponto de não cumprir a função de filtrar o sangue para remover resíduos e excesso de água.



Este órgão foi retirado durante a cirurgia e Jessica permaneceu com três rins que, segundo os médicos, funcionam normalmente. De acordo com o médico urologista Robyn Webber, ter três rins em apenas um lado do corpo é extremamente raro. “Há, talvez, menos de cem casos descritos na literatura”, explica.



A mãe de Jessica, Alison, de 45 anos, disse que os especialistas drenaram cerca de dois litros de líquido contaminado que estavam no interior do rim danificado. Atualmente, mãe e filha organizam uma campanha para arrecadar fundos destinados às pesquisas sobre os rins no Reino Unido.
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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Descoberta do vírus da Aids pelos franceses completa 30 anos



Descoberta do vírus da Aids pelos franceses completa 30 anos

Do UOL
Em São Paulo


  • 03.abr.2001
    Luc Montagnier, primeiro cientista a isolar o vírus da Aids em laboratório, ganhou o Nobel em 2008
    Luc Montagnier, primeiro cientista a isolar o vírus da Aids em laboratório, ganhou o Nobel em 2008

Em 2011, o mundo registrou os 30 anos da epidemia da Aids, já que em 1981 foram notificados os primeiros casos da doença que causava imunodeficiência severa e afetava especialmente homens gays. Mas foi em 20 de maio de 1983 que o cientista Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França,  isolou pela primeira vez o vírus causador da doença - uma história que ficou marcada pela rivalidade com o americano Robert Gallo, então ligado ao Instituto Nacional do Câncer dos EUA.
Desde o início da década de 1980, Montagnier e Gallo estavam debruçados em estudos para descobrir o causador da doença, transmitida sexualmente e por sangue contaminado. Ambos sabiam que se tratava de um retrovírus e chegaram a trocar amostras. Alguns meses após o relato do cientista francês, em abril de 1984, os EUA divulgaram que Gallo havia descoberto o vírus da Aids, e que ele seria diferente do identificado pelos pesquisadores franceses, que reagiram. 
Descobriu-se, mais tarde, que o americano estava trabalhando com uma amostra que tinha sido contaminada no laboratório de Montagnier. No final das contas, o mérito da descoberta acabou dividido entre o Instituto Nacional de Saúde dos EUA e o Instituto Pasteur.
  • Reprodução/AFP
    A África Subsaariana é a região do mundo mais afetada pela Aids atualmente
Só em 2008, contudo, que a disputa teve um ponto final, com a entrega do Nobel de Medicina a Montagnier e sua colega, Françoise Barre-Sinoussi. Os cientistas franceses foram gentis e disseram que Gallo era igualmente merecedor do prêmio. O americano também foi educado e parabenizou a dupla pela "honraria". 
Três décadas depois, a Aids continua a ser uma doença sem cura, que causou a morte de mais de 30 milhões de indivíduos. Apesar dos avanços inegáveis no que se refere ao tratamento e na qualidade de vida dos pacientes, a Unaids (departamento das Nações Unidas voltado para a doença) alerta que há 34 milhões de pessoasconvivendo com a enfermidade no mundo. E que, em países em desenvolvimento, ainda há muita gente sem acesso aos antirretrovirais. 




Veja alguns fatos que marcaram a história da Aids 19 fotos

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Em 2011, o mundo registrou os 30 anos da epidemia da Aids, já que em 1981 foram notificados os primeiros casos da doença que causava imunodeficiência severa e afetava especialmente homens gays. Mas foi em 20 de maio de 1983 que o cientista Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França, isolou pela primeira vez o vírus causador da doença - uma história que ficou marcada pela rivalidade com o americano Robert Gallo, então ligado ao Instituto Nacional do Câncer dos EUA. Na imagem de microscópio mostra o vírus HIV se conectando à superfície de uma céula do sistema imune. Veja, a seguir, a cronologia de alguns eventos ligados à história da Aids:AFP/Instituto Pasteur


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Cientistas criam células-tronco humanas por meio de clonagem


15/05/2013 14h22 - Atualizado em 15/05/2013 21h19

Cientistas criam células-tronco humanas por meio de clonagem

Pesquisadores usaram técnica semelhante à da utilizada na ovelha Dolly.
Linha de pesquisa buscava resultado há mais de 15 anos.

Do G1, em São Paulo
Óvulo de doadora com núcleo de célula de pele (Foto: Divulgação/OHSU)Óvulo de doadora com núcleo de célula de pele (Foto: Divulgação/OHSU)
Depois de mais de 15 anos de fracassos de cientistas de todo o mundo, além de um caso de fraude, cientistas finalmente criaram células-tronco humanas com a mesma técnica que produziu a ovelha clonada Dolly, em 1996. A equipe liderada por Shoukhrat Mitalipov, da Universidade de Ciência e Saúde do Oregon, nos EUA, publicou artigo a respeito na revista "Cell", nesta quarta-feira (15)
Como informa a agência Reuters, para chegar ao resultado, os pesquisadores transplantaram material genético de células adultas em óvulos cujo DNA havia sido removido. Eles cultivaram células de seis embriões criados, em dois casos, a partir de DNA de amostras das peles de uma criança com uma doença genética, e, nos outros quatro casos, de fetos saudáveis.
Em cada um dos casos, o DNA foi inserido em óvulos não fertilizados doados e, após a aplicação de uma sequência de técnicas, foi verificada a replicação das células.
O procedimento, segundo a "Cell", abre uma nova frente para a medicina com células-tronco, que tem sido prejudicada por desafios técnicos, bem como questões éticas.
Até agora, as fontes mais naturais de células-tronco humanas eram embriões humanos, cuja utilização em pesquisa cria dilemas éticos. Para determinados setores, um óvulo fecundado deve ser tratado como um ser humano e, por isso, não pode ser descartado. A técnica divulgada nesta quarta-feira usa óvulos humanos não fertilizados, e, assim, não se enquadraria nessa discussão.
Eliminar a necessidade de embriões humanos pode aumentar as tentativas de utilização de células-tronco e suas descendentes para substituir células danificadas ou destruídas por problemas cardíacos, mal de Parkinson, esclerose múltipla, lesões na medula e outras doenças devastadoras.
Clonagem
A técnica, no entanto, também poderia ressuscitar os temores da clonagem reprodutiva, ou produzir cópias genéticas de indivíduos vivos (ou mortos). Mesmo antes de o estudo ser publicado, um grupo britânico chamado Human Genetics Alert protestou contra a pesquisa.

"Os cientistas, finalmente, entregaram o bebê que pretensos clonadores humanos têm estado à espera: um método confiável para criar embriões humanos clonados", disse o dr. David King, diretor do grupo. "Isso torna imperativo que nós criemos uma proibição legal internacional sobre a clonagem humana, antes que mais pesquisas como essa apareçam. É irresponsável ao extremo a publicação desta pesquisa."
Entre os cientistas, no entanto, o fato de a técnica ter funcionado está sendo saudado como um avanço, como afirmou o biólogo especializado em células-tronco George Daley, do Harvard Stem Cell Institute. "Isso representa uma conquista inigualável. Eles tiveram sucesso onde muitas outras equipes fracassaram, inclusive a minha."
  •  
Cientistas criam células-tronco humanas por meio de clonagem (Foto: Divulgação/OHSU)
Montagem mostra diferentes estágios do processo
descrito pelos cientistas na 'Cell'
(Foto: Divulgação/OHSU)
Fraude
Entre os que fracassaram na utilização da técnica está o biólogo Hwang Woo-suk, da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul.

Em 2005, Hwang e sua equipe foram manchete em todo o mundo quando anunciaram, na revista "Science", que haviam criado células-tronco embrionárias humanas por meio de transferência nuclear, a mesma técnica que os cientistas de Oregon usaram. A alegação de Hwang acabou sendo desmentida, tornando-se um dos casos mais famosos de fraude científica na última década.
Se o feito da equipe de Oregon se mantiver e puder ser replicado por cientistas em outros laboratórios, o método oferecerá uma terceira, e potencialmente superior, forma de se produzir células-tronco embrionárias.
A pesquisa com células-tronco decolou em 1998, quando cientistas liderados por Jamie Thomson, da norte-americana University of Wisconsin, anunciaram que conseguiram cultivar células a partir de embriões humanos de alguns dias obtidos em clínicas de fertilização, chamadas de blastocistos.
Como os blastocistos eram destruídos quando as células-tronco eram removidas, grupos que acreditam que a vida começa na concepção promoveram intensos protestos. Em 2001, o presidente norte-americano George W. Bush proibiu financiamento público federal nos EUA para pesquisa que criaria mais blastocistos.


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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Doentes terminais protestam contra alto custo de medicamentos no Chile

04/05/2013 17h16 - Atualizado em 04/05/2013 17h16

Doentes terminais protestam contra alto custo de medicamentos no Chile

Manifestação em Santiago, neste sábado, contou com 5 mil pessoas.
Cerca de 15 milhões de chilenos dependem do serviço público de saúde
.
Da France Presse
Ativista protesta contra o alto custo dos medicamentos em Santiago, no Chile, neste sábado (4) (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BERNETTI )Ativista protesta contra o alto custo dos
medicamentos em Santiago, no Chile, neste
sábado (4) (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BERNETTI )
Dezenas de doentes terminais e crônicos chilenos protestaram junto a seus familiares contra o alto custo dos medicamentos, em uma mobilização sem precedentes realizada neste sábado (4) em Santiago, segundo a agência AFP.
Os doentes, alguns deles em cadeiras de rodas e outros andando apoiados por familiares, percorreram cinco quadras do centro de Santiago, em meio a batida de tambores e bandeiras onde se lia: "eu sobrevivi a um acidente vascular cerebral, e agora vivo para pagar a dívida do hospital", ou "o Estado é imoral para com os doentes terminais". A manifestação, que contou com cerca de 5 mil pessoas, procura chamar a atenção do governo para que se crie um fundo nacional de medicamentos que permita o acesso à medicamentos das pessoas com doenças terminais e crônicas.
"Há uma proposta para um problema. A ideia é criar um fundo nacional de medicamentos, mas precisa ser apoiado pelo Estado e pelo setor privado", declarou após a marcha, Ricarte Soto, jornalista que organizou a mobilização e que sofre de câncer de pulmão.
"Atualmente nós pagamos muito caro por nossos medicamentos, algumas pessoas não têm recursos para adquiri-los e acabam se endividando, é uma enorme desigualdade", disse à AFP, Monica Castillo, que sofre de câncer de mama.
O tratamento de doenças crônicas e terminais no Chile tem custos elevados e, em muitos casos, não podem ser pagos pelo doente, que acaba adquirindo empréstimos ou hipotecas. No Chile, 16% da população tem seguro privado de saúde que dá acesso a um tratamento adequado, mas de alto custo e cujos valores sobem a cada ano de acordo com a idade, sexo e risco, enquanto cerca de 15 milhões de pessoas precisam recorrer a um serviço público com recursos insuficientes para atender ao excesso de demanda.
Dezenas de doentes terminais e crônicos chilenos protestam junto a seus familiares contra o alto custo dos medicamentos, em uma mobilização sem precedentes realizada em Santiago, no Chile. (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BERNETTI )Dezenas de doentes terminais e crônicos chilenos protestam junto a seus familiares contra o alto custo dos medicamentos, em uma mobilização sem precedentes realizada em Santiago, no Chile. (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BERNETTI )
Dezenas de doentes terminais e crônicos chilenos protestam junto a seus familiares contra o alto custo dos medicamentos, em uma mobilização sem precedentes realizada em Santiago, no Chile. (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BERNETTI)Dezenas de doentes terminais e crônicos chilenos protestam junto a seus familiares contra o alto custo dos medicamentos, em uma mobilização sem precedentes realizada em Santiago, no Chile. (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BERNETTI)
Dezenas de doentes terminais e crônicos chilenos protestam junto a seus familiares contra o alto custo dos medicamentos, em uma mobilização sem precedentes realizada em Santiago, no Chile. (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BERNETTI)Dezenas de doentes terminais e crônicos chilenos protestam junto a seus familiares contra o alto custo dos medicamentos, em uma mobilização sem precedentes realizada em Santiago, no Chile. (Foto: AFP PHOTO/MARTIN BERNETTI)
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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Conselho de Medicina restringe reprodução assistida para mulheres acima dos 50 anos


08/05/2013 - 19h40

Conselho de Medicina restringe reprodução assistida para mulheres acima dos 50 anos

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA
Atualizado às 22h06.
O CFM (Conselho Federal de Medicina) determinou que mulheres com mais de 50 anos não podem ser submetidas a técnicas de reprodução assistida.
Segundo o conselho, a medida foi tomada por causa dos possíveis riscos à saúde da gestante mais velha, como hipertensão e diabetes, além da ocorrência de nascimentos prematuros e bebês nascidos com baixo peso.
Casos de pacientes acima dessa idade, mas com boa condição de saúde, deverão ser avaliados individualmente pelos Conselhos Regionais de Medicina.
Editoria de Arte/Folhapress
arte de saúde reprodução assistida
arte de saúde reprodução assistida
A determinação é de uma resolução que altera vários pontos da atual normal do CFM sobre reprodução assistida. Publicada no "Diário Oficial da União" de hoje, a norma já está em vigência.
Quem descumprir a regra incorrerá em desvio ético profissional e ficará sujeito à cassação do registro.
"A idade reprodutiva da mulher alcança os 45 anos. Após discussão exaustiva, chegamos ao limite de 50 anos", afirma José Hiran Gallo, coordenador da câmara técnica sobre o tema no CFM.
Esse limite vale para quem gera seus próprios filhos ou se oferece como "barriga de aluguel" --prática que não pode ser comercializada.
Para Selmo Geber, ex-diretor da Rede Latinoamericana de Reprodução Assistida, fixar a idade máxima para o tratamento em 50 anos é interessante, mas o melhor seria abordar o limite como recomendação, e não regra.
Estados Unidos e Espanha não têm um limite definido. Já a Dinamarca mantém o teto aos 43 anos, segundo Adelino Amaral, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, que integrou as discussões.

SELEÇÃO DE EMBRIÕES

Outra novidade com relação à atual regra --publicada em 2011-- regula uma situação cada vez mais frequente: a seleção de embriões compatíveis com um filho mais velho e doente para que as células-tronco ou os órgãos do bebê ajudem no tratamento.
A posição foi elogiada por Ciro Martinhago, médico responsável pela seleção do embrião que se transformou na pequena Maria Clara, de um ano. Em março, a menina doou células-tronco para a irmã, que nasceu com uma doença hereditária.
"Tenho uns cinco casos de [seleção de embriões para transplante] para aplasia medular. A criança corre contra o tempo."
José Roberto Goldim, chefe do serviço de bioética do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, afirma que é preciso tratar esses casos como excepcionalidades.
A resolução ainda permite que, se os pais desejarem, embriões congelados por mais de cinco anos podem ser descartados. Há outras soluções --a doação para outros casais , para pesquisa ou a guarda até que seja de interesse dos pais.
Arnaldo Cambiaghi, diretor do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, criticou a possibilidade de descarte, mesmo diante dos custos de manter um embrião congelado. "A vida já existe com o embrião." Para Martinhago, o casal deve ter o direito de decidir sobre isso.

DOAÇÃO DE ÓVULOS

Ao atualizar as regras da reprodução assistida, o CFM chancelou um mecanismo que é prática nos consultórios: uma paciente mais nova doar óvulos excedentes a uma mulher mais velha em troca do custeio de parte do seu tratamento --cerca de 50% do valor total, gasto com a estimulação ovariana.
O processo deve ser anônimo: a doadora dos óvulos não pode ter informações sobre a receptora e vice-versa.
A entidade rejeita a visão de que se trate de mercantilização do ato. "É solidariedade", afirma Carlos Vital, presidente em exercício do CFM.
Adelino Amaral, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida, diz que a troca e consequente redução do valor do tratamento não pode ser usada como atrativo de pacientes para uma determinada clínica. Um tratamento para engravidar, majoritariamente feito na rede privada de saúde, chega a custar até R$ 20 mil.
As novas regras ainda ampliam a possibilidade de parentes mais distantes (tias e primas) servirem de "barriga de aluguel", desde que sem fins lucrativos. Hoje, a regra fala em mãe, avós e irmãs.
Para o ginecologista Arnaldo Cambiaghi, a medida é boa. "Muita gente com problema de útero não tem irmã nem mãe. É excelente."
Outra alteração incorpora de forma mais clara as demandas das "novas famílias". A regra agora afirma que duas mulheres podem gerar um filho, de fato, em conjunto: o óvulo de uma pode ser fecundado e implantado no útero da outra --fato que já ocorreu no Brasil.


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CEBID - Centro de Estudos em Biodireito