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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

"Criança com Down não é um fardo na vida", diz mãe


23/01/2013 - 04h45

"Criança com Down não é um fardo na vida", diz mãe


DÉBORA MISMETTI
EDITORA INTERINA DE "CIÊNCIA+SAÚDE"


A advogada Maria Antônia Goulart, 37, é coordenadora-geral do portal Movimento Down, que reúne informações sobre a síndrome. Sua filha Beatriz, de dois anos e meio, nasceu com down.

Ela comenta o novo exame de detecção precoce de síndrome de Down.
*
"Descobrimos que a Beatriz tinha down quando ela nasceu. Quando a vi, ela estava ali e era minha filha, não um ser imaginário. Não tinha como não amar.
Nos exames de pré-natal, o ultrassom não deu alterações. Se na época tivesse o exame de sangue, seria melhor. Ficamos muito preocupados. A gente descobriu que tinha uma filha com isso e não sabíamos nada sobre a síndrome.
Luciana Whitaker/Folhapress
A advogada Maria Antônia Goulart, 37, e sua filha Beatriz, 2, em sua casa no Rio
A advogada Maria Antônia Goulart, 37, e sua filha Beatriz, 2, em sua casa no Rio

Quando descobrimos as doenças com maior incidência em quem tem down, demos graças da Deus por ela não ter nada. Se ela tivesse uma cardiopatia grave, não tínhamos um cardiologista lá, teria sido importante.

O exame pode dar um tempo a mais para os pais terem acesso a essas informações e vai permitir que as pessoas tomem sua decisão. Para qualquer mulher, cogitar e levar adiante a decisão de um aborto é algo muito duro. Ninguém toma essa decisão facilmente.

Quem quiser abortar vai abortar. Não cabe a mim julgar as decisões. Não acho que o jeito de resolver esse problema seja restringir o acesso à informação, à ciência.

O que acho importante como ativista e familiar de uma pessoa com down é esclarecer a sociedade de que ter um filho com a síndrome não é o fim do mundo. Tem cuidados a mais, mas é um filho que vai ter uma vida feliz, produtiva. Pessoas com síndrome de Down trabalham, namoram, têm vida social.

Julgar que as pessoas com a síndrome vão ter mais dificuldade é impedir que elas possam nos surpreender e elas sempre nos surpreendem. Hoje há mais campanhas nos meios de comunicação, temos o filme 'Colegas', com protagonistas com a síndrome, que decoram falas, compreendem a complexidade dos personagens, cumprem horários.

Isso dá a percepção de que eles podem ser felizes e acalma o coração de uma mãe que está num dilema como esse. Uma criança com down é mais um filho e não um fardo na sua vida."




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Defensoria Pública tenta impedir esterilização forçada de mulher com doença mental


Defensoria Pública tenta impedir esterilização forçada de mulher com doença mental
A Defensoria Pública de São Paulo entrou com uma ação para impedir que uma mulher seja esterilizada à força. A mulher reside na cidade de Amparo, no interior de São Paulo. Em 2004, a Justiça determinou a laqueadura da mulher, que possui retardo mental moderado, a pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Na época, a mulher tinha 19 anos. A decisão não foi cumprida até então porque a moça manteve-se “responsavelmente” longe da gravidez, com uso de métodos anticoncepcionais não irreversíveis, como o dispositivo intra-uterino (DIU).


A coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Defensoria, Daniela Skromov, afirma que a ideia de que a mulher poderia gerar um filho indesejado não se concretizou. Um relatório elaborado por profissionais da área de saúde e assistência social, de dezembro de 2012, atestou que a mulher cuida da própria saúde e faz exames com frequência. A família afirmou que a moça expressa o desejo de ser mãe e um dia e que a apoia contra a realização da laqueadura.



Para a Defensoria, a ordem da esterilização forçada fere os princípios da igualdade de da pessoa humana. “Em qualquer caso, para a esterilização ser realizada é condição a expressa manifestação de concordância em documento escrito e firmado”, afirma Skromov. A Defensoria destacou que o Brasil, em 2009, assinou a Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência da Organização das Nações Unidas (ONU), que proíbe tratamento inferior às pessoas com deficiência mental.


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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Cirurgia não trouxe felicidade, diz Lea T. após troca de sexo

28/01/2013 00h28 - Atualizado em 28/01/2013 00h28

Cirurgia não trouxe felicidade, diz Lea T. após troca de sexo

Modelo falou com exclusividade para o Fantástico como se sente após a operação de mudança de sexo.

Dois anos atrás, a modelo internacional Lea T., filha do jogador de futebol Toninho Cerezo, falou ao Fantástico sobre a dor de ser uma transexual, ou seja, de ter nascido em um corpo de homem, mas se sentir uma mulher.
Fantástico: existe um lado bom em ser transexual?
Lea: “Não. Eu não vejo um lado bom em ser transexual. Sou penalizada em tudo”, disse ela na época.
Depois dessa entrevista, Lea T. fez a cirurgia de troca de sexo. Será que ela está feliz? A modelo falou com exclusividade para o Fantástico
Ceribelli: A Lea T. fez a cirurgia de troca de sexo em março de 2012, mas só agora, quase um ano depois, ela se sente à vontade para falar sobre o assunto. Por quê?
Lea: Porque a cirurgia é uma cirurgia complicada, não é uma cirurgia simples. É uma coisa muito íntima. Estou meio sensível, estou meio voada em algumas coisas, tentando entender algumas coisas. Mas eu acho que agora eu to começando a conseguir falar a respeito dessa cirurgia, a respeito dessa pequena e grande mudança que eu fiz.
Ceribelli: A cirurgia ocorreu tudo bem?
Lea: Hoje já ta tudo certinho. Mas é uma cirurgia demorada. Não é cirurgia que você acorda. Não é um peito. È muito diferente de tudo isso. Você não consegue andar, você tem que ficar deitada numa cama. É muito complicado. 
Ceribelli: Quanto tempo você ficou no hospital?
Lea: Eu fiquei no hospital um mês e meio.
Ceribelli: Em algum momento você falou: ah, eu não devia ter feito isso?
Lea: Eu fiquei um mês, sentindo dor, pensando nisso. Eu não aconselho essa cirurgia pra ninguém.    
Não é só por causa  da dor física de sua recuperação que ela parece um pouco "arrependida" do que fez. Depois de conseguir com a cirurgia, o corpo feminino que tanto desejava, Lea percebe que emocionalmente, nem tudo mudou.
Lea: Eu achava que a minha felicidade era embasada na cirurgia. Mas, não foi. Não é isso.
Ceribelli: Você não ficou mais feliz depois da cirurgia?
Lea: Eu fiquei mais à vontade. É diferente. A felicidade não é não é um pênis, uma vagina que traz felicidade a ninguém.
Ceribelli: Me lembro da nossa entrevista, bem antes de você fazer a cirurgia, você dizia que não se sentia uma mulher completa sendo uma mulher no corpo de homem. Depois da cirurgia, hoje você já diz: eu sou uma mulher completa?
Lea : Não, não!
Ceribelli: Você hoje é 100% mulher?
Lea: Não. Eu nunca vou ser cem por 100% mulher.
Ceribelli: Você continua com o seu lado masculino?
Lea: Eu continuo.eu tenho minha parte masculina. Eu calço 42. Eu tenho uma mão enorme, eu tenho o ombro largo. Eu tenho umas coisas masculinas no corpo.        
Ceribelli: Mas você não via antes da cirurgia. Por que você falava: não, eu sou uma mulher num corpo de homem?
Lea: Eu queria reprimir, eu reprimia muito. Quando, do momento que eu fiz a minha cirurgia e que eu fiquei um mês deitada na cama, eu entendi que isso tudo é uma bobeira.
Ceribelli: e quando você se olhou no espelho e não era o mesmo corpo?
Lea: Era o mesmo corpo. Mudou só um detalhe.
Ceribelli: Lea, você é mais mulher ou mais homem?
Lea: Eu sou eu. Eu diria que eu sou eu.
Lea sabe que, mesmo depois de operada, o preconceito ainda não vai parar. Mas se sente preparada pra isso.
Lea: Vai ter sempre a pessoa que vai te jogar na cara que você é homem. Ou que vê você andando na rua e fala que você é um homem. E depois que você sofre de uma cirurgia dessas, se você não tiver pronta, se você não tiver...é como uma facada no coração.
Ceribelli- E os homens hoje? Eles já te vêem como uma mulher?
Lea: Depende. Depende do momento.  Pra o que eles querem. Em relação a uma relação sexual, ai você é uma mulher.  Mas em relação a ter uma historia com você, ai você é uma transexual. Você é um homem.
Ceribelli:Mas dá pra mentir?
Lea: No meu caso absolutamente não. Todo mundo sabe, mas para uma transexual. Eu conheço algumas que são casadas há anos e o marido nunca soube.
Ceribelli- O medo que muitas transexuais têm é de perder o prazer na relação sexual depois da cirurgia. Este era um medo seu?
Lea: Eu estava tão focada em fazer esta cirurgia que eu nem pensava nisso.
Ceribelli: Afetou o prazer sexual?
Lea: Não. É a coisa que eu fiquei mais impressionada. É a coisa que mais me chocou. Realmente eu não acreditava.
Com senso de humor, Lea conta que ainda está aprendendo alguns "detalhes" da rotina de vida de uma mulher. Ir a um banheiro público por exemplo.
Lea: Eu tinha medo de não conseguir segurar com a perna pra não encostar no vaso.Todas conseguem e eu vou conseguir. Eu vou agachar. Não deu outra. Eu cai. Sujou o vestido todo. Eu ficava impressionada que vocês conseguem fazer xixi agachada com salto.
Novos desejos também estão surgindo na vida de Lea.
Ceribelli: Você quer ser mãe?
Lea: Eu gostaria. Eu acho que é uma das coisas que eu posso te dizer que eu notei em mim, que é feminino. Muito feminino. Que é esta coisa da maternidade. Dessa coisa de querer ser mãe. Talvez muito mais que ter um príncipe encantado. Acho muito mais importante.
Ceribelli- Se você fosse adotar hoje você adotaria um homem ou uma mulher?
Lea: Indiferente.
Toninho Cerezo apóia escolha de Lea T e dá conselhos à filha
“A Lea é minha terceira filha, né. Estou contente. Vejo as coisas com naturalidade. No momento, quando explodiu tudo foi um alvoroço. Porque, queiram ou não, a Lea levantou uma bandeira. Levantou uma bandeira e, você sabe, o Cerezo é um jogador, vive num ambiente de machões”, comenta Cerezo.
Ele conta como reagiu quando soube que a filha faria a operação de mudança de sexo: “Quando eu fiquei sabendo e me falaram, eu acho até que a própria família ficou surpresa com a minha reação, porque, além de tudo, é minha filha e eu quero mais é que todos possam ser felizes, porque eu sou um cara muito feliz”.      
No final da entrevista, Toninho Cerezo deu um conselho para Lea.
“É mocinha, só tenha cuidado você é uma mulher inteligente. Você é uma modelo, imagina, você é uma modelo que desfila em Paris. Olha a sua importância e a sua importância para várias, várias e várias mulheres e pessoas que se sentem acuadas, que se sentem com vontade de explodir ou procurar essa felicidade que você está procurando e não têm coragem. Você que vive as dificuldades de fazer uma cirurgia como você fez, de lutar nesse mundo cheio de preconceitos. E saber que, realmente, você vai encontrar muita gente que vai pisar no seu pé, vai pisar no seu calo, mas você pode passar por cima. Com uma, duas, três palavras de doçura você vai superar tudo”.


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Travestis e transexuais poderão usar nome social no Cartão Nacional de Saúde


DIREITOS LGBT
29/01/2013 19h36


Siga em: twitter.com/OTEMPOonlineDA REDAÇÃO

Em reconhecimento a legítima identidade de travestis e transexuais, eles terão o nome social impresso no Cartão Nacional de Saúde, ao invés do nome de batismo. Com isso, o Ministério da Saúde contribui para a redução do estigma, preconceito, violência e discriminação social, promovendo o acesso à saúde de todos de forma humanizada. O anúncio foi feito na manhã desta segunda-feira (28), durante coletiva em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado no dia 29 de janeiro.
Durante o evento, o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, ressaltou as conquistas já alcançadas pelos movimentos sociais LGBT’s. “Embora você tenha o registro no sistema dos dois nomes, agora deverá aparecer impresso apenas o nome social. Isso, sem dúvida nenhuma, é uma conquista importante. É o Estado brasileiro e a república brasileira reconhecendo o direito de que o nome social é o verdadeiro nome da pessoa e que não existe a duplicidade”, destacou.
Outra iniciativa criada pelo Ministério da Saúde, em conjunto com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, é o combate à violência transfóbica e o reconhecimento da saúde como espaço de cidadania. Para isso foi criado um cartaz que será distribuído nos serviços de saúde estimulando um atendimento acolhedor às travestis e transexuais. A representante social das travestis e transexuais do CNS (Conselho Nacional de Saúde), Fernanda Benvenutty, é quem ilustra a campanha. “A saúde tem sido precursora para a campanha dos direitos da minoria”, ressalta. Quem se sentir ofendida pelo atendimento prestado deve ligar para o Disque Direitos Humanos, disque 100.
Para o secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, o respeito à diversidade deve permear todas as ações, em todas as esferas de políticas públicas, para que as futuras gerações cresçam em uma sociedade mais inclusiva, com menos discriminação e mais justa. “As travestis e transexuais são as que mais sofrem preconceito e este é dos principais fatores que as tornam vulneráveis à infecção das DST, HIV/aids e hepatites virais. A violência cotidiana a que estão sujeitas é o retrato de uma sociedade que não respeita a diversidade”, afirmou.
“Gostaríamos que todos os gestores municipais que agora iniciam seus mandados se conscientizem da importância do bom acolhimento que essa população precisa ter nos postos de saúde. A visibilidade é um dos caminhos para que a saúde possa contribuir para a redução da vulnerabilidade social a que essa população está submetida”, ressaltou o secretario Jarbas Barbosa.





































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Homem é diagnosticado com doença rara ao amarrar os sapatos


24/01/2013 13h04 - Atualizado em 24/01/2013 13h04

Homem é diagnosticado com doença rara ao amarrar os sapatos

Ian Redfern vivia há mais de 40 anos sem saber que tinha problema.
Britânico foi diagnosticado com síndrome que afeta síntese de colágeno.

Do G1, em São Paulo

Um homem que vivia há mais de 40 anos com uma doença rara, sem saber disso, foi finalmente diagnosticado depois que uma médica o viu amarrar os cadarços, segundo reportagem publicada pelo site do jornal britânico "Daily Mail".
Ian Butcher Redfern estava com a filha, Evie, de 6 anos, no Hospital Infantil Sheffield, para tratar a Síndrome de Ehlers-Danlos (EDS, na sigla em inglês) da menina, que tem a pele mais frágil e difícil de cicatrizar. O diagnóstico dela veio aos 3 anos, e facilmente a garota sofre contusões e se machuca.
Síndrome de Ehlers Danlos (Foto: Reprodução/Daily Mail)Ian foi diagnosticados porque dobrou os pulsos em um ângulo incomum  (Foto: Reprodução/Daily Mail)
Durante a consulta, a médica de Evie, Glenda Sobey, percebeu algo incomum na maneira como o pai se abaixou para amarrar os sapatos e percebeu que ele sofria da mesma síndrome da filha, ao vê-lo dobrar os pulsos em um ângulo muito estranho. Isso porque, além dos sintomas clássicos apresentados por Evie, a doença pode causar hipermobilidade, deixando as articulações e os ligamentos mais frouxos.
"Na minha vida, o EDS não tem sido um problema, tanto que eu nem sabia que tinha, mas essa é uma condição que afeta as pessoas de maneiras diferentes. Pode haver muita gente que não sabem que tem a doença", afirmou o pai.

"Eu nunca esperava que a médica dissesse que eu tinha mesma condição de Evie. Foi tão estranho, principalmente porque os sintomas dela são graves", disse.

Ian ficou surpreso com o diagnóstico, porque não teve os sintomas graves que afetam sua filha.
De acordo com o pai, a pele da menina simplesmente se "quebra" quando ela sofre alguma colisão.
Segundo a médica, esse tipo de doença geralmente é diagnosticado na infância. "Como a condição é hereditária, sempre testamos para ver se os pais são portadores do gene, mas nunca vi um caso como esse antes, de que um pai tem a EDS clássica, mas não sabia", revela Glenda.
Síndrome de Ehlers-Danlos

Existem vários tipos de Síndrome de Ehlers-Danlos, também conhecida como cútis elástica. Essa rara doença genética atinge uma em cada 5 mil pessoas e é provocada por um defeito na síntese do colágeno, proteína que une e dá sustenta aos tecidos, ajudando-os a resistir a deformações.

A EDS não tem cura, mas o tratamento ajuda a controlar os sintomas e evitar complicações no futuro. "Há muitas maneiras de prevenir danos. Evie usa meias especiais na escola para proteger as pernas, e Ian agora faz verificações anuais do coração, porque essa condição pode causar vários problemas", disse a médica
.


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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Antes de morrer, mulher com câncer ofereceu-se para estudo nos EUA


25/01/2013 11h42 - Atualizado em 25/01/2013 11h42

Antes de morrer, mulher com câncer ofereceu-se para estudo nos EUA

Enfermeira com câncer pancreático foi 'modelo' em curso no qual estudou.Martha Keochareon, de 59 anos, conviveu com a doença por seis anos.

Do New York Times

Enfermeira com câncer pancreático em sua casa, nos EUA (Foto: Ilana Panich-Linsman/The New York Times)Enfermeira com câncer pancreático em sua casa, nos EUA (Foto: Ilana Panich-Linsman/The New York Times)
Uma enfermeira com câncer ofereceu-se para servir de modelo de estudo para o curso de enfermagem da universidade em que se formou nos EUA, a Holyoke Community College, informa o jornal "New York Times". Martha Keochareon, de 59 anos, entrou em contato com a instituição em novembro do ano passado.
"Gostaria de saber se vocês precisam de um paciente terminal para usar como caso de estudo", disse a enfermeira, em um recado na secretária eletrônica da universidade. "Talvez alguns alunos se interessem por saber como é um tumor."
"Poderiam aprender alguma coisa a respeito do tratamento de pacientes tão doentes que têm que ser acomodados da melhor forma possível para morrer em casa", disse ela ao aparelho..
Ela estava nos dando acesso a algo que jamais teríamos"
Kelly Keane,
orientadora da universidade
Kelly Keane, a orientadora que recebeu o recado, ficou curiosa. Os alunos da Holyoke, como a grande maioria, estudam o câncer em livros. Só têm contato com pacientes terminais durante um estágio na ala médico-cirúrgica de um hospital.
Eles praticam o que aprendem no laboratório de simulação da faculdade, em manequins sofisticados que podem "morrer" de câncer, ataque cardíaco e outras doenças. Mas Martha, formanda da turma de 1993 da universidade, estava oferecendo aos alunos algo único: uma oportunidade não só de examiná-la como de perguntar qualquer coisa que quisessem sobre a experiência com o câncer e a morte.
"Ela estava nos dando acesso a algo que jamais teríamos", disse Kelly
Assim, algumas semanas depois, duas alunas do primeiro ano de enfermagem ‒ Cindy Santiago, 26 anos, e Michelle Elliot, de 52, chegaram à casinha de Martha, a alguns quilômetros da faculdade. Ela estava de cama, sendo cuidada por um grupo de familiares, enfermeiras e ajudantes. As duas estavam ansiosas.
"Sentem na cama para a gente conversar", começou Martha. As duas chegaram com uma lista de perguntas. O caso era de câncer pancreático e elas tinham pesquisado sobre a doença antes da visita. A curiosidade maior era em relação à sobrevida de Martha, que há mais de seis anos convivia com a doença – período extraordinariamente longo, já que o paciente geralmente sucumbe meses depois do diagnóstico.

"Elas fazem perguntas boas", Martha comentou um dia, com os lábios manchados de oxicodona líquida. "Esqueci metade das coisas que aprendi na escola de enfermagem, mas lembro tudo sobre o câncer pancreático. Afinal, estou convivendo com ele.
"
Por que, as alunas perguntaram, ela tinha conseguido continuar comendo e mantendo o peso? O que tomava para aliviar a dor? Quanto tempo os médicos levaram para dar o diagnóstico?
Para Martha essa era a chance de ensinar algo sobre a profissão que descobriu um pouco mais tarde que o normal – o diploma veio só aos 40, depois de ter criado a filha e trabalhado anos em uma fábrica.
"Quando eu era enfermeira, a impressão que tinha era a de que as colegas nunca gostavam de ter que ensinar as coisas para as mais novas", ela contou, deitada num quarto e rodeada de fotos de familiares, amigos e de si mesma em tempos mais saudáveis. "Eu adorava."
Um último projeto
Agora, por causa da doença, Martha passava os dias assistindo a programas sobre animais em canais de TV a cabo, lendo um livro que fala do céu e ligando para os amigos – tanto que o telefone nunca saía de sua cabeceira.
A nossa sociedade vive em negação da morte e isso inclui o tratamento"
Pam Malloy,
diretora de projeto sobre enfermagem
Ela também andava planejando meticulosamente sua morte, escolhendo até a blusa bordada e o cardigã de lã verde com que queria ser enterrada. Entretanto, conforme se preparava para morrer, ela queria mais: o projeto que ambicionava realizar não seria apenas para os alunos, mas também para si mesma – como se, através dele, pudesse escrever mais um capítulo em sua vida.
Passar algum tempo com os moribundos não é essencial para o curso de enfermagem, em parte porque não há condições clínicas suficientes para levar a experiência a cabo. A "End-of-Life Nursing Education Consortium", projeto da Associação Norte-Americana de Escolas de Enfermagem, oferece treinamento em cuidados paliativos para quinze mil enfermeiras e professores ao redor dos EUA desde 2000, concentrando-se não só no tratamento da dor, mas também em ajudar os pacientes terminais e seus familiares a se preparar para a morte.
Além disso, parte dos alunos faz estágio com profissionais de clínicas de tratamento paliativo, explica Pam Malloy, diretora do projeto. Ela diz que as escolas de enfermagem não se dedicam a esse tipo de cuidado como deveriam. "A nossa sociedade vive em negação da morte e isso inclui o tratamento", explica. "Algumas pessoas começaram a entender que essa é uma coisa muito importante, mas ainda falta muito para alcançarmos um nível ideal."
Em suas conversas com Martha, as alunas descobriram que os sintomas incluíam uma sensação de queimação depois das refeições, para a qual os médicos receitaram um antiácido; depois veio a dor abdominal, que eles alegaram ser psicossomática; ela também desenvolveu diabetes, outro sintoma de câncer pancreático, além da coceira, possivelmente causada pelo bloqueio dos canais biliares.
Em 2006, quando já estava doente há vários anos, um médico finalmente pediu uma tomografia computadorizada, que diagnosticou o câncer. Martha tinha 53 anos e trabalhava num hospital em Charleston, Carolina do Sul. Recebeu um prognóstico de vida de um a dois anos.
Cindy e Michelle ficaram revoltadas ‒ e surpresas ao saberem que, em vez de sentir raiva ou choque, a primeira reação de Martha foi de alívio por finalmente ter descoberto o que tinha.
O melhor conselho que tinha para as novas enfermeiras, afirmou ela com a voz fraca, era para "irem mais a fundo".
Talvez mais que tudo, as estudantes estavam descobrindo o desafio de lidar com a dor do câncer em estágio terminal num paciente que superou o prognóstico de vida. No início de dezembro, a dor de Martha se tornou insuportável e ela teve que ficar hospitalizada quase uma semana para os médicos saberem como controlá-la.
Com um câncer terminal, a enfermeira Martha Keochareon ofereceu-se para estudos de universitários (Foto: Ilana Panich-Linsman/The New York Times)Com câncer, a enfermeira Martha ofereceu-se para
servir de 'modelo de estudo' de universitários (Foto:
Ilana Panich-Linsman/The New York Times)
'Deixem o paciente falar'
A pedido de Martha, as alunas continuaram com as visitas. As sessões também significavam um descanso merecido para os cuidadores da enfermeira, incluindo Roy Christensen, um primo que veio do Texas em 2012 para ajudar, e Peggy Casey, sua tia favorita. Vendo a exaustão em que se encontravam, as estudantes aprenderam outra lição: "Martha não é a única paciente; a família toda é", afirma Kelly.
A pedido de Kelly, Cindy e Michelle acabaram parando de fazer perguntas, praticando apenas o que ela chama de "comunicação terapêutica".
"Nós aprendemos na escola, só não usamos tanto quanto deveríamos; basta dizer que está feliz de estar ali e reconhecer que a pessoa está frustrada, desconfortável e deixá-la falar, falar e falar para ver o que acontece."
Num dia claro e frio, pouco antes do Natal, Martha parecia mais quieta que o habitual quando Cindy sentou sobre a cama. "Você está com uma cara boa", disse ela, depois de alguns minutos de bate-papo. Era óbvio que a enfermeira sentia dor, mas conseguiu sorrir e fechou os olhos.
Martha não é a única paciente; a família toda é"
Kelly Keane
"Estou pronta para ir embora", disse Martha, abrindo os olhos de novo. Cindy fez uma pausa. "Ah", ela disse segurando a mão de Marta. "Não precisa se sentir culpada", afirmou a enfermeira. "Eu sei", Cindy respondeu, espantando a preocupação com um sorriso. "Eu sei."
Ela chorou ao sair do quarto. Lembrou-se do pai com câncer de próstata, que já tinha se espalhado; o comentário de Martha a fez pensar nele. "Fiquei com vontade de desistir", confessa ela, "porque sei que vou passar pelo mesmo com o meu pai quando a hora chegar".
O remédio que os médicos prescreveram durante a estadia da enfermeira no hospital não conseguiu controlar a dor. Ela estava experimentando outra combinação quando Cindy voltou a visitá-la, alguns dias depois, mas com poucos resultados.
"Nas aulas sempre ensinam que o controle da dor é a coisa mais importante – é ela que tem que ser tratada", Cindy explica, "mas como fazer isso num caso assim? Já tentaram de tudo, o que mais deve ser feito?".
Falta de tempo
Horas depois, naquela mesma tarde, Roy, primo de Martha, ligou para dizer que ela tinha pedido um sedativo na veia para fazê-la dormir, ajudando-a a suportar a dor. A visita daquela manhã acabou sendo a última.
Michelle, que tinha planejado visitar Martha depois do plantão naquele dia, se arrependeu de não ter perguntado mais sobre sua posição em relação à morte. "Ela já parecia ter alcançado aquele estágio de paz interior, sabe?", disse Michelle. "Pena que não pude lhe perguntar como se sentia em relação à proximidade da morte… se ela sabia alguma coisa de que a gente não tinha ideia."
A universitária Cindy (à esquerda) e a coordenadora Kelly Keane (à direita), em visita à Martha Keochareon, vítima de um câncer terminal (Foto: Ilana Panich-Linsman/The New York Times)A estudante de enfermagem Cindy (à esquerda) e a coordenadora Kelly Keane (à direita), em visita à Martha Keochareon, vítima de um câncer terminal (Foto: Ilana Panich-Linsman/The New York Times)
Martha morreu nove dias depois, na noite de 29 de dezembro de 2012. Roy tinha pedido que esperasse pela neve; quinze centímetros de neve caíram naquela noite, a primeira nevasca da temporada. Só o marido estava com a enfermeira quando a hora chegou.
No funeral, a irmã de Martha, Ruth Woodard, falou sobre a motivação que a levou a usar a doença como ferramenta de ensino: queria que as enfermeiras entendessem sua doença a partir do ponto de vista do paciente. Entretanto, não era só isso.
"Percebi que toda vez que Martha se dava, recebia muito em troca", afirmou Ruth. "De fato, ela ganhava alguns minutos de alívio para a dor e desconfio que um pouco de vida também – algumas horas, até dias, graças ao seu objetivo."
Quando o novo semestre começar, Cindy e Michelle vão voltar às aulas convencionais, mas garantem que vão se lembrar de Martha para sempre, principalmente de sua determinação. "Quem, numa situação dessas, ligaria para uma escola para dizer que quer ensinar os alunos como o câncer funciona?", questiona a estudante
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Soldado amputado dos EUA recebe duplo transplante de braços


BBC
29/01/2013 11h00 - Atualizado em 29/01/2013 11h11

Soldado amputado dos EUA recebe duplo transplante de braços

Brendan Marrocco perdeu braços e pernas na Guerra do Iraque.
Ele é primeiro soldado a ser submetido a esse tipo de cirurgia.

Da BBC

Brendan Marrocco em foto de julho de 2012, antes da cirurgia  (Foto: AP Photo)
Brendan Marrocco em foto de julho de 2012, antes
da cirurgia (Foto: AP Photo)
Brendan Marrocco, um soldado dos Estados Unidos que perdeu os quatro membros na Guerra do Iraque, recebeu um raro duplo transplante de braços.
Marrocco, de 26 anos, foi ferido por uma bomba em uma estrada no Iraque, em 2009.
A cirurgia durou 13 horas e foi realizada no Johns Hopkins Hospital, da cidade americana de Baltimore, nos Estados Unidos, em 18 de dezembro do ano passado.
Mas os detalhes só vieram à tona nesta terça-feira, durante uma entrevista coletiva realizada pela equipe cirúrgica.
Marocco foi o primeiro soldado americano a receber um duplo transplante de membros e a sétima pessoa nos Estados Unidos a ser submetido a este tipo de cirurgia no país.
Ao ser operado, Marrocco recebeu também um transplante de medula óssea do mesmo doador dos novos braços.
Rejeição
O procedimento se deu para auxiliar seu corpo a aceitar os novos membros e diminuir as chances de rejeição, reduzindo também, assim, a necessidade de tomar medicamentos - com fortes efeitos colaterais - para auxiliar na aceitação de órgãos.
A complexa operação envolveu mesclar músculos, ossos, vasos sanguíneos, pele e nervos do soldado e do seu doador, por vezes com o auxílio de um microscópio.
Segundo Andrew Lee, o médico que chefiou a equipe cirúrgica, pesquisas sugerem que, a despeito da enorme complexidade desse tipo de cirurgia, transplantes de órgãos tendem a ser mais bem-sucedidas entre pacientes mais jovens, na faixa dos 20 aos 30 anos, do que o implante de sofisticadas próteses - que, em muitos casos, acabam sendo descartadas mais tarde.
O militar foi o primeiro soldado entre os que combateram no Iraque e no Afeganistão a ter sobrevivido após perder quatro membros.
As Forças Armadas americanas estão financiando cirurgias como a realizada em Marrocco para auxiliar militares feridos em combate. Cerca de 300 militares americanos perderam braços ou mãos em conflitos recentes.
Em sua página de Facebook, ele se define como um ''guerreiro ferido...muito ferido'', mas o militar comenta que não se arrepende nem um pouco de ter combatido no Iraque.
Em sua conta de Twitter, Marrocco comentou que seus novos braços ''já estão se mexendo um pouquinho''.


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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Mulher assume culpa por suicídio assistido de veterano de guerra


19/01/2013 11h51 - Atualizado em 19/01/2013 12h34

Mulher assume culpa por suicídio assistido de veterano de guerra


Elizabeth Barrett, de 66 anos, misturou dose letal em iogurte para veterano.
Idoso de 86 anos não estava com doença terminal, mas tinha depressão.

Da Reuters

Elizabeth Barrett ajudou um veterano de 86 anos da Segunda Guerra Mundial a cometer suicídio (Foto: Reprodução)Elizabeth Barrett ajudou veterano de guerra
a cometer suicídio (Foto: Reprodução)
Uma mulher da Califórnia foi condenada a liberdade condicional na sexta-feira (18) por ajudar um veterano de 86 anos da Segunda Guerra Mundial a cometer suicídio ao misturar uma dose letal de Oxycontin em seu iogurte mesmo sem ele estar com doença terminal ou acamado.

Elizabeth Barrett, de 66 anos, confessou ser culpada e recebeu três anos de condicional, em vez de prisão, por não ter ficha criminal, estar doente e pelo desejo da própria família do veterano, de acordo com a Promotoria do condado de Orange.


"Eu acho que a Sra. Barrett aceitou assumir a culpa em vez de batalhar nos tribunais por causa de seus próprios problemas médicos, e as pessoas (promotores) foram razoáveis e fizeram uma oferta de condicional", afirmou o advogado da ré, Daryl Anthony, após a audiência na Corte Superior. Anthony disse que sua cliente está sofrendo de câncer e passando por quimioterapia.

Barrett conheceu Jack Koency, de 86 anos, por meio de um grupo de idosos que se reuniam regularmente em um Starbucks perto de sua casa, em Laguna Woods, e foi acusada de planejar e auxiliar no suicídio após se encontrar com ele cerca de uma semana antes de sua morte, em 2011. Koency sofria com depressão desde a Segunda Guerra Mundial, mas não estava com doença terminal ou acamado.

Promotores disseram que Barrett levou Koency até uma filial da Neptune Society, uma cremadora, para preparar o próprio funeral. Ela então comprou iogurte, uma garrafa de conhaque e remédio para azia para conter o refluxo do ácido por tomar as altas doses de Oxycontin, um analgésico.

Após dirigir de volta ao apartamento, Barrett preparou uma quantidade letal de Oxycontin e misturou ao iogurte, dando a ele em seguida, de acordo com os promotores. Koency ingeriu o produto, deitou em sua cama e morreu.

Após a morte, Barrett removeu suas medalhas da Segunda Guerra Mundial da parede de seu apartamento e as colocou em seu carro antes de ligar para a emergência, afirmando que o encontrou morto, disseram os promotores.

Investigadores disseram ter achado uma gravação que mostrava a idosa preparando o medicamento, misturando-o ao iogurte e tirando as medalhas da parede. A fita foi gravada por uma câmera ativada por movimento dentro do apartamento. Autoridades disseram que Koency sofreu de depressão proveniente de "algum tipo de incidente de fogo amigo" durante a guerra, e não tinha contato com suas duas filhas.


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CEBID - Centro de Estudos em Biodireito