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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Especialistas belgas identificam origem celular de câncer de mama

Especialistas belgas identificam origem celular de câncer de mama

  • Kate Murray
    A fotógrafa Kate Murray se tornou assunto na internet após fotografar e publicar a imagem de uma mãe, que lutou contra o câncer de mama durante a gravidez e teve um dos seios removidos, amamentando o filho pela primeira vez
    A fotógrafa Kate Murray se tornou assunto na internet após fotografar e publicar a imagem de uma mãe, que lutou contra o câncer de mama durante a gravidez e teve um dos seios removidos, amamentando o filho pela primeira vez

Pesquisadores da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) conseguiram identificar a origem celular dos tumores induzidos pela mutação do gene PIK3CA, que costuma causar câncer de mama, informou nesta quinta-feira esta instituição.

"Identificar a origem celular do câncer de mama é compreender como evolui a doença para poder desenvolver tratamentos personalizados ao tumor de cada paciente", explicou o professor que comanda a pesquisa, Cédric Blanpain.

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres e pode ser classificado de acordo com suas características historiológicas e moleculares em diferentes subtipos, incluindo o luminal, o ErbB2 e os tumores de tipo basal.

PIK3CA e p53 são os dois genes mutados mais frequentemente no câncer de mama em humanos e se associam com diferentes subtipos moleculares.

O estudo realizado na ULB conseguiu revelar a origem celular dos tumores de mama provocados por mutações do gene PIK3CA.

Além disso, demonstrou que a célula cancerígena de origem controla a heterogeneidade do tumor e produz diferentes tipos de tumores.

Ou seja, se provou que, dependendo da célula de origem, as mutações em PIK3CA e p53 produzem diferentes tipos de tumores.

"Ficamos muito surpresos quando descobrimos que a mutação do gene PIK3CA nas células basais conduz ao desenvolvimento de tumores luminais, enquanto esta mesma mutação nas células luminais leva a tumores mais agressivos, incluindo os de tipo basal", explicou Alexandra Van Keymeulen, uma das pesquisadoras.

Mediante a análise dos passos que precedem a formação do tumor, os pesquisadores belgas descobriram, através da caracterização molecular, que as células se submetem a profundas reprogramações.

"Estas novas descobertas não só demonstram a importância da célula originária da doença no controle da heterogeneidade do câncer de mama, mas também mostram que o padrão de expressão genética descoberta nos primeiros estágios do tumor indica o tipo que o paciente poderá desenvolver", ressaltou Blanpain.

Os pesquisadores esperam agora poder provar que é possível, utilizando remédios já identificados, bloquear a mutação do PIK3CA.

Também esperam poder desenvolver ferramentas que permitam detectar facilmente, possivelmente através de uma análise de sangue, estas mutações.
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Mulheres que lutam contra câncer estampam calendário em MG12 fotos

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Um grupo formado por mulheres que venceram ou ainda lutam contra o câncer decidiu posar para um calendário lançado em Minas Gerais. A iniciativa vai reverter recursos para o hospital Doutor Hélio Angotti, que fica em Uberaba (472 km de Belo Horizonte), considerado referência no tratamento ao câncer no Estado. Mais do que reforçar a discussão sobre a doença, o calendário é uma forma de levantar a autoestima das pacientes, segundo as organizadoras do projeto. Entre as modelos do calendário está Ana Gabriela Brandão de Zandonaide Leia mais Francis Prado/Divulgação










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Doação de fetos abortados causa polêmica nos EUA

BBC
10/08/2015 13h33 - Atualizado em 10/08/2015 15h38

Doação de fetos abortados causa polêmica nos EUA

Organização Planned Parenthood, que é parcialmente financiada pelo governo, é acusada de estar vendendo tecidos fetais retirados após aborto e lucrando com isso; grupo nega.

Jaime GonzálezDa BBC
Políticos conservadores querem acabar com o financiamento público da Planned Parenthood  (Foto: Mike Blake/ Reuters)Políticos conservadores querem acabar com o financiamento público da Planned Parenthood (Foto: Mike Blake/ Reuters)
Começou a batalha nos Estados Unidos para definir quem disputará as eleições presidenciais de 2016 pelo Partido Republicano e, como em campanhas anteriores, o aborto voltou a aparecer no discurso da maioria dos candidatos.
Desta vez, os aspirantes conservadores da Casa Branca têm os olhos voltados para o Planned Parenthood (PP), o maior provedor de serviços reprodutivos do país, que atende mais de 2 milhões de pessoas por ano.
A imagem desta organização foi prejudicada nas últimas semanas depois que um grupo antiaborto publicou um vídeo que mostra alguns dos altos executivos do grupo supostamente discutindo com uma linguagem bastante explícita a venda de órgãos e tecidos de fetos abortados.
Além disso, nas gravações com uma câmera oculta feitas pelo The Center for Medical Progress e divulgadas já editadas, os representantes da Planned Parenthood aparentemente falam sobre modificar a forma como os abortos são realizados para obter determinados órgãos.
Em um dos vídeos divulgados, feito com uma câmera escondida, Deborah Nucatola, diretora sênior de Pesquisas Médicas da Planned Parenthood, discute o fornecimento de tecido fetal.
Ela diz ao cinegrafista - que se passou por um funcionário de uma empresa de biotecnologia - que os médicos que farão o aborto podem ajustar seus métodos para deixar os órgãos intactos.
"Nós somos bons em tirar o coração, pulmão, fígado, porque sabemos o que fazer, então não vamos esmagar aquela parte, vamos esmagar mais em baixo, em cima, pra conseguir tudo intacto", diz Nucatola no vídeo.
Nos Estados Unidos, tanto a venda de órgãos fetais, como a modificação das técnicas de aborto para obtenção desses órgãos estão proibidas por lei.
A Planned Parenthood se defendeu dizendo que os vídeos foram editados para prejudicar a imagem da organização e garantiu que não faz negócio com os abortos que pratica, cobrando somente pelos gastos de conservação e transporte dos tecidos fetais aos centros de pesquisa que os utilizam.
Financiamento
A polêmica fortaleceu o argumento de grupos antiaborto, que receberam apoio da maioria dos pré-candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos. Eles se comprometeram a retirar o financiamento público à Planned Parenthood, que chega a US$ 500 milhões.
Foi exatamente isso que os Estados de Alabama e Louisiana fizeram nos últimos dias, enquanto alguns membros conservadores do Congresso estão ameaçando bloquear futuros orçamentos do governo federal se ele não acabar com o financiamento para a PP - eles não conseguiram aprovar uma lei com esse objetivo na semana passada.
Do lado democrata, os congressistas defendem o papel da Planned Parenthood como provedora de serviços de saúde para muitas mulheres de baixa renda e insistiram que os abortos representam somente 3% das suas atividades, que incluem a prescrição de anticoncepcionais e a realização de exames para detectar câncer e HIV.
Além disso, eles pontuam também que os cerca de 300 mil abortos feitos por ano pela PP não são financiados com dinheiro público, já que isso é proibido por lei, a não ser em casos de risco de morte da mãe.
Ao mesmo tempo, o governo também menciona que as pesquisas feitas nas últimas décadas usando tecidos fetais têm ajudado a medicina a conseguir inúmeros avanços na luta contra doenças como a poliomielite e o mal de Parkinson.
Por enquanto, o The Center for Medical Progress publicou cinco vídeos da Planned Parenthood e já anunciou que publicará novas gravações nos próximos dias, garantindo que assim a questão do aborto permaneça no centro do debate político às vésperas das eleições presidenciais de 2016.
Dúvidas
"É verdade que algumas das coisas que se dizem nos vídeos são preocupantes", afirmou Arthur Caplan, diretor da Divisão de Ética da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York (NYU) à BBC.
"Os vídeos despertaram dúvidas sobre como eles estão obtendo os tecidos fetais, ainda que também seja preciso levar em consideração que quem fez essas gravações tem um objetivo político, que é atacar a Planned Parenthood", completa.
"Não acredito que seja possível tirar qualquer conclusão desses vídeos, porque o que se fala neles são coisas gerais. Mas sim, me parece que a linguagem utilizada pelos representantes da Planned Parenthood neles é pouco respeitosa."
Questionado sobre quão comum é o uso de órgãos fetais no campo da pesquisa médica nos Estados Unidos, Caplan conta que, nas últimas décadas, eles têm sido substituídos por células-tronco.
"No início dos anos 1990, as pesquisas com tecido fetal era muito promissoras, ainda que muitos experimentos não tenham atingido os resultados esperados".
"Então, no fim da década de 1990, a maioria dos pesquisadores interessados em Medicina Regenerativa passaram a usar células-tronco em vez de tecidos fetais, que na realidade são usados principalmente para estudar patologias de fetos", acrescentou.
Intermediários
Caplan afirma que os que estão se aproveitando dessas doações de fetos – que só podem ser feitas com consentimento das mães – são os intermediários, "que são tanto companhias, como indivíduos que colocam à disposição dos pesquisadores os tecidos em troca de grandes quantidades de dinheiro."
"Não sabemos realmente se o que estão cobrando corresponde somente aos custos que têm e se isso deveria ser investigado pelas autoridades", complementou.
Segundo o especialista da Universidade de Nova York, "os cientistas que trabalham com tecidos fetais sabem que se trata de uma atividade polêmica e preferem não falar sobre isso em público, temendo até pela sua segurança pessoal" por causa de ameaças que recebem de grupos antiaborto.
Caplan considera que as doações de tecidos fetais não estão sendo fiscalizadas como deveriam. Isso acontece porque "entre outras coisas, os próprios políticos não querem falar sobre esse assunto polêmico."
"O aborto é uma polêmica nos Estados Unidos por diversas razões. Esse país é mais religioso que outros países desenvolvidos e isso é um assunto que foi solucionado no plano judicial, mas não no político, e essa não é a melhor forma.
"Além disso, nos últimos anos ficou mais fácil poder ver imagens dos fetos porque entendemos melhor sobre seu desenvolvimento, o que os faz ainda mais reais e influencia a opinião das pessoas", opina Caplan.
Segundo o especialista, "esta polêmica é um novo capítulo na ‘guerra do aborto’" que vem sendo travada nos Estados Unidos há décadas, sem que se vislumbre uma trégua no horizonte.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Cientistas descobrem proteína capaz de conter o desenvolvimento do câncer

Cientistas descobrem proteína capaz de conter o desenvolvimento do câncer


© Fornecido por Minha Vida
Pequenos tumores benignos são encontrados na pele da maioria dos adultos, e os cientistas já sabem que uma mutação num gene conhecido como BRAF é o que faz eles surgirem. Mas eles ainda não tinham entendido a razão deles pararem de crescer depois de um tempo. Foi justamente neste sentido que os pesquisadores da Escola de Medicina Perelman da Universidade da Pensilvânia anunciaram a identificação de um importante fator genético que mantém esses pequenos tumores no seu estado habitual, ou seja, não cancerígenos e com um tamanho constante.

Segundo os pesquisadores, a mutação do gene BRAF é o que estimula o crescimento dos tumores, mas, ao mesmo tempo, ela estimula a produção de uma proteína supressora de tumor - denominada p15 - que funciona como um freio na divisão celular. Essa divisão celular é o que transforma esse pequeno tumor benigno em um melanoma - que é um dos tumores mais perigosos por poder invadir qualquer órgão do corpo, criando metástases, inclusive no cérebro e coração - um câncer com grande letalidade.
Os cientistas entenderam que o câncer se desenvolve quando as células perdem esta proteína de ?freio?, a p15, porque as células começam a se dividir novamente, o que pode progredir para o câncer.
Como foi feito este estudo?
Para chegar a esta conclusão os pesquisadores desenvolveram um modelo de melanoma humano, usando a engenharia de tecidos para fazer enxertos de pele, contendo células com estes pequenos tumores em que a p15 foi retirada. Quando combinada com outras mutações conhecidas por serem importantes no desenvolvimento do melanoma e transplantadas em ratos, essas células desenvolveram o câncer.
Sobre a proteína
A p15, apesar de já ser conhecida, até então não tinha a sua importância analisada e documentada, uma vez que os estudos anteriores se focaram em outra proteína, a p16, que faz um papel bastante similar a p15 nos melanomas e outros cânceres. Ambas trabalham juntas na supressão dos pequenos tumores benignos, mas os cientistas agora acreditam que a p15 tem funções únicas. Um exemplo disso foi que quando eles inseriram a p15 em células normais conseguiram parar a sua proliferação completamente, enquanto com a p16 o processo apenas se tornou mais lento.
Próximos passos
Agora a equipe planeja fazer experimentos com o modelo para entender melhor como o melanoma se desenvolve e como ele pode ser tratado com novas terapias. Da mesma forma, eles ainda precisam analisar quais os possíveis ações da p15 em outros tipos de câncer.



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Com câncer terminal, jovem realiza sonho de casar com namorada

Com câncer terminal, jovem realiza sonho de casar com namorada


© Fornecido por Minha Vida

Após receber a terrível notícia de que seu tratamento contra o câncer havia falhado e que só tinha alguns dias de vida, o adolescente britânico Omar Al Shaikh, 16 anos, tinha apenas um último desejo: casar com a namorada! 
Deitado na cama do hospital, ele fez um anel com uma margarida e pediu Amie Cresswell em casamento! A jovem disse sim! "Nós falávamos em nos casar, mas nunca imaginei que seria com 16 anos. Achávamos que íamos envelhecer juntos", disse Amie em entrevista ao jornal britânico DailyMail. 
O casal já se conhecia da escola, mas se apaixonou no aniversário de 16 anos de Omar quando ele celebrou também a recuperação da primeira vez que foi diagnosticado comleucemia mielóide aguda.  
nfelizmente, seis meses após o aniversário o câncer de Omar voltou. "Quando eu soube que tinha voltado foi um choque terrível. Mas eu sabia que queria ficar ao lado dele durante tudo isso", contou Amie. 
Em março deste ano, os médicos disseram a Omar que ele tinha três meses para encontrar um doador de medula óssea. Infelizmente, o jovem e seus familiares não conseguiram achar esse doador a tempo. E após a última rodada de quimioterapia, Omar recebeu o pior diagnóstico possível: o câncer havia se espalhado e ele só tinha alguns dias de vida. "No minuto em que soube disso, Amie ficou ao lado da cama de Omar e fez isso durante todas as noites seguintes", disse Mirabela, mãe de Omar.  
Com a autorização dos pais de ambos, a cerimônia de casamento foi preparada em um dia. O casamento ocorreu no hospital e contou apenas com a presença de familiares e amigos próximos, uma cerimônia simples, mas muito emocionante. "Omar me disse que queria que o mundo todo visse ele se casando comigo. Enquanto colocava o anel no meu dedo, contou que gostaria de ter mais tempo ao meu lado. Eu também adoraria isso, mas eu fiquei feliz de ao menos termos tido a chance de fazer esta linda memória", conclui Amie. Três dias após o casamento, Omar faleceu. 
Infelizmente, muitas outras pessoas vem a falecer por não conseguirem encontrar um doador de medula óssea. Mortes como a de Omar poderiam ser evitadas se mais pessoas se inscrevessem nos bancos de doadores de medula óssea. Afinal, as chances de encontrar uma medula compatível é em média de uma em cem mil. Então, é preciso que uma quantidade muito alta de doadores esteja inscrita para aumentar as chances do paciente encontrar alguém compatível. 
Você pode ajudar a mudar esta triste realidade! Basta se cadastrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea. Para o cadastro, é preciso recolher apenas uma pequena quantidade de sangue do doador. Saiba mais sobre o assunto aqui













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Um dia numa hospedaria de cuidados paliativos

Um dia numa hospedaria de cuidados paliativos

POR CAMILA
13/08/15  10:16
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Numa casa de 1954 alugada pela prefeitura, ergue-se uma escadaria cinematográfica de um film Noir, introduzindo um vitral poético. Até os vidros das janelas menores são esculpidos, um deles mostra veados saltitando na floresta, e no outro, panteras. Há uma escada lateral estreita, destinada ao uso de funcionários na concepção inicial. Hoje não há tal distinção. Essa casa que um dia abrigou famílias de alta renda no bairro da Aclimação de São Paulo, desde 2004 recebe pacientes de cuidados paliativos do Hospital do Servidor Público Municipal.
É para essa hospedaria – como são chamadas as casas com esse conceito, baseado no termo inglês Hospice, que são direcionados pacientes portadores de doenças ameaçadoras da vida (saiba mais no post “Cuidados Paliativos” e “Um dia na enfermaria…”).
Chegam em etapas muito distintas de seu diagnóstico. Alguns vivem dias, outros, anos. Como é o caso de Gilberta Fátima dos Santos, 56 anos, moradora da casa há um ano e oito meses. Acamada devido a um tumor na coluna, Gilberta não tem mais os movimentos da cintura para baixo. Sente falta de morar com a família, mas entende não haver infraestrutura na casa dos filhos para abrigá-la.
“Você sabe como é apartamento, lá é tudo menor. O banheiro é pequeno, impossível de entrar uma cadeira de rodas. Nem tem condições para instalar uma cama dessas (hospitalar). Só se for uma apartamento enorme, com um andar grandão que seja só seu. Então não tem condições. Aí eles (filhos e netas) vêm até aqui. Fui ao teatro com eles, fui para a igreja, fui ver minha netinha no hospital quando ela nasceu…”
Dos quatro filhos, uma menina morreu aos 14 anos, vítima de leucemia. A tragédia veio em dupla, pois na semana seguinte o marido de Gilberta foi assassinado ao reagir a um assalto.
Hoje ela tem cinco netas para alegrá-la em visitas constantes. Na parede ao seu lado, desenhos de Melissa, que adora reproduzir rostos de Mangá. Outra neta trouxe um travesseiro com o cheiro de casa para Gilberta se aconchegar.
Ali na hospedaria, permite-se visitas das 9h às 21h e os animais de estimação são bem-vindos.
De unhas sempre feitas, dentre outras marcas de uma vaidade viva, ela gosta dos cuidados recebidos e admira o trabalho dos profissionais.
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O conceito de cuidados paliativos envolve uma equipe multidisciplinar. Nessa casa percorrem enfermeiros, assistentes sociais, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, orientadores espirituais, fisioterapeutas, dentistas e nutricionistas. Alguns fazem parte da equipe fixa que se reúne semanalmente para discutir caso a caso. Ainda há voluntários, como uma enfermeira especializada em medicina chinesa, músicos e contadores de histórias.
A frente dessa galera bem intencionada está a médica oncologista Dalva Matsumoto, coordenadora da hospedaria e cofundadora do Instituto Paliar – voltado para educação em cuidados paliativos.
Dalva comenta a dificuldade em se quebrar paradigmas nessa área. “Cuidados paliativos não é abreviar a vida, não é tirar tratamentos e possibilidades. Trata-se de oferecer um tratamento que seja proporcional ao paciente. Adequado ao seu momento de vida e à sua doença. É difícil, porque a sociedade acabou sendo levada a acreditar que mais é melhor. Mas às vezes, menos é mais. Tem que ter delicadeza na hora de oferecer instrumentos. Senão, pode-se levar à distanasia, que é o prolongamento da vida a qualquer custo, o sofrimento por excesso de tratamentos”.
Dalva também considera importante tirar o foco de que ali só se hospedam pacientes que estão morrendo. “Apesar de recebermos pacientes com diagnóstico de dias ou de semanas de vida, acabamos oferecendo uma sobrevida muito maior, de anos. Os cuidados paliativos podem ser iniciados no diagnóstico da doença e não na sua terminalidade. Oferecemos a possibilidade de reinserção da pessoa na vida social e familiar. Existe uma morte social que a doença traz que pode ser pior do que a morte física, e a gente recupera isso”.
Fala-se muito em “dor não física” – seria a dor psicológica. Nos corredores ouvi falar em dor existencial, sobre uma paciente que não aceitava a morte, por ser muito jovem. “No hospital só tratam doenças, aqui tratamos pessoas”, é um lema comum da área de cuidados paliativos.
Discute-se muito a situação da família na reunião de equipe. Como é a relação entre cada um e como estão reagindo. Há recomendações de conversar com uma ex-mulher que está em conflito, por exemplo. Considera-se que na doença, os conflitos familiares que eram jogados para debaixo do tapete vem à tona. Os médicos se envolvem com essas situações. E até casamento já fizeram dentro da casa. Foram três até hoje.
É uma casa com horários, mas sem uma rotina rígida. Há um intervalo de horário para banho (pela manhã), outro para almoço, lanche e jantar. No meio tempo, é comum ver um paciente lendo, tomando sol, assistindo TV ou recebendo visitas.
O horário de dormir é às 22h. Mas nem sempre é seguido. Alguns pacientes trocam a noite pelo dia, pelo receio de fechar os olhos no escuro e nunca mais abri-los.
Gilberta não. Dorme bem à noite e sonha, sempre com o corpo andando. “O nosso cérebro trabalha o desejo, a vontade que temos de andar, entendeu?”. Se as pernas voltassem a perambular, iria trabalhar como voluntária, contando histórias para pacientes, além de brincar muito com os netos. Quando tem insônia, liga a televisão baixinho, mas é raro.
Numa pausa na conversa, observamos passarinhos comendo amoras na árvore que ocupa a vista da janela. Gilberta suspira e diz sem eu precisar perguntar: “O tratamento aqui tem uma coisa de bom que eu analisei e observei: as pessoas aqui quando morrem vão bem. Não precisa entubar, ninguém vai gritando, passando mal. Eles cuidam de você com todo carinho do mundo. É tanto carinho que as pessoas vão bem. Eles viram o rostinho assim e vão com Deus. Eu rezo um Pai Nosso, uma Ave Maria e peço para que estejam com muita luz. A única certeza que a gente tem é da morte. O dia e a hora só Deus que sabe. Mas é um mistério né, a morte. Todo mundo fica preocupado sobre como é o lado de lá. Acho que as pessoas têm medo”.
Sentada em sua cama hospitalar, de batom na boca e penteado no rosto, Gilberta tem o melhor lugar do amplo quarto com capacidade para abrigar mais quatro pacientes. De frente para a TV e para a o vitral, com vista para as amoras e os pássaros. Lembranças das netas ao redor. Quem passa pega na sua mão e pergunta com carinho como a dona Gilberta está, e se precisa de alguma coisa. Ela pede água e um remédio para dor de estômago, confirmando a impressão de que muito além de paciente, Gilberta é uma hóspede. De passagem, como todos nós.
“Porque viver para além das conquistas da ciência, é mais do que respirar” – Eliane Brum
OBS: A hospedagem nessa casa é gratuita mas só disponível aos conveniados (e seus familiares) do Hospital do Servidor Público Municipal – funcionários públicos do município de São Paulo. Cabe ao paciente apenas garantir um acompanhante 24h, seja ele pago (nesse caso, pelo próprio paciente) ou não.
Falta de regulamentação
O Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira reconhecem a medicina paliativa como área de atuação. Mas ela não é uma especialização e por isso deve ser ligada a uma das oito especialidades permitidas: clínica médica, pediatria, geriatria, cancerologia, anestesiologia, medicina de família, medicina intensiva e cirurgia de cabeça e pescoço.
Há avanços para os atuantes nessa área. O Código de Ética Médica de 2010 menciona que o médico tem a obrigação de oferecer cuidados paliativos ao paciente, sendo um direito do mesmo recebê-los. E a resolução 1.805 do Conselho Federal de Medicina fala sobre o direito do paciente portador de uma doença avançada em decidir se deseja ou não a aplicação de medidas invasivas desnecessárias, tratando dos critérios para a ortotanasia (permitir que a morte ocorra de forma natural, suspendendo tratamentos e tecnologias que prolonguem a vida).
Para Dalva Matsumoto, ainda há muito a ser feito. Como uma indicação formal de critérios para os locais de atendimentos e tipos de profissionais, além da especificação de políticas de remuneração no SUS e nos planos de saúde. “Não há tabelas de remuneração dos profissionais de cuidados paliativos, nem tempo de duração da consulta. Por exemplo, uma consulta oncológica do SUS é de meia hora. A gente precisa batalhar para que uma consulta de cuidados paliativos seja de pelo menos uma hora”, diz Dalva.
A falta de regulamentação também facilitaria a abertura de clínicas particulares que agem sob o título de cuidados paliativos mas não oferecem a infraestrutura e o amparo adequados.
A médica considera fundamental a oferta de mão de obra especializada no setor. “É preciso formar as pessoas. Isso é uma coisa que temos lutado bastante”.
O Instituto Paliar, fundado por ela junto com a médica de família Maria Goretti Salles Maciel e Dr. Ricardo Tavares de Carvalho, está na terceira turma de um curso de especialização aprovado pelo MEC (por ser ligado a uma universidade – São Camilo). E o de pós-graduação está na sétima. Dalva comenta que a procura aumenta a cada ano. “E não apenas por médicos, mas também psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, dentistas, nutricionistas, todos os profissionais ligados à assistência que estão interessados em cuidados paliativos”.

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Vista da frente da casa – foto: Camila Appel
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Sala de televisão. Foto: Camila Appel
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Vidro de uma das janelas da sala de televisão. Foto: Camila Appel









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quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Brasília-DF: Decisão judicial não garante a famílias do DF canabidiol para uso medicinal

Canabidiol tem alto custo e não é fabricado nem vendido no Brasil

Brasília-DF: Decisão judicial não garante a famílias do DF canabidiol para uso medicinal

Medicamento deveria ser comprado em 15 dias, de acordo com a Justiça






Parecer da Anvisa e burocracia prolongam trâmite para 120 dias, diz GDF.

Duas famílias do Distrito Federal tentam conseguir que a Secretaria de Saúde providencie canabidiol, um medicamento feito com derivado da maconha, para tratamento médico. Nos dois casos, a Justiça já deu ganho de causa, mas os produtos ainda não chegaram por questões burocráticas.

O remédio a partir de canabidiol tem alto custo e não é fabricado nem vendido no Brasil. A professora Leila Weschenfelder chegou a comprar o produto para a filha Gabriela, de 7 anos. A menina nasceu com uma síndrome que provoca convulsões.
“Em 15 dias, quando a gente começou a administrar, o efeito já foi assim: de 20 crises diárias, ela passou a 15", diz Leila. Cada bisnaga custava R$ 1 mil. Devido ao preço, a família entrou com pedido na Justiça, para que o GDF faça a aquisição.
Pela decisão da Justiça, de 9 de julho último, a Secretaria de Saúde deveria importar o produto em 15 dias. A pasta disse que não consegue cumprir o prazo estabelecido porque precisa de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fazer contato com laboratórios e abrir licitação fora do país. A Anvisa autoriza a importação de canabidiol apenas em casos indicados por médicos.
“Por mais ansiosa que a família esteja, a gente entende esse sofrimento, mas nós não conseguimos fazer em um tempo recorde, furando todos os trâmite burocráticos, e isso leva aproximadamente uns 120, 150 dias para ser concluído", afirma a chefe de Judicialização da Secretaria de Saúde, Patricia Paim.
O outro caso no DF é da família de Sabrina. O pai dela é o analista de licitação Fabio Virgulino Filgueira, que conseguiu comprar três bisnagas do produto a partir de uma campanha em redes sociais. “A gente conseguiu fazer a compra dele no último mês através de uma doação, de uma rifa. Fizemos uma rifa na internet para conseguir comprar.”
A menina já usou duas unidades do medicamento desde fevereiro. A terceira e última está no fim. A decisão favorável da Justiça é de 19 de maio, mas até o momento o medicamento não chegou.
A reportagem da TV Globo entrou em contato com o médico Flávio Cadegiani, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que disse que o medicamento é uma opção que deve ser levada em conta quando os remédios convencionais nao fazem mais efeito.
Fonte: Portal G1 DF - 30/07/2015 - - 21:55:07










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Homem recebe fígado reconstruído com partes dos órgãos de suas filhas

Agencia EFE
03/08/2015 07h46 - Atualizado em 03/08/2015 07h59

Homem recebe fígado reconstruído com partes dos órgãos de suas filhas

Receptor estava em coma em hospital de Hong Kong, na China.
Extração dos fígados das filhas, conexão e transplante durou 55 minutos.

Da EFE









O Hospital Queen Mary de Hong Kong, na China, conseguiu transplantar para um homem de 59 anos um fígado formado com pedaços deste órgão procedentes de duas de suas filhas, um tipo de transplante que o centro médico conduziu pela primeira vez no mundo de forma simultânea, informou o jornal "South China Morning Post".
O receptor foi Cheng Chi-ming, um segurança de Macau que sofria de hepatite B, que estava em coma e, segundo os médicos, só poderia sobreviver uma semana se não recebesse um fígado saudável.
Suas três filhas foram examinadas para comprovar se poderiam ser doadores para seu pai, e se descobriu que a segunda e a terceira em idade (Lam Lam, de 23 anos, e Kei Kei, de 22) cumpriam os requisitos.
No entanto, também se opinou nos testes que seus fígados eram pequenos demais, por isso que se decidiu usar dois terços do órgão de Kei Kei e um terço do de Lam Lam, com os quais se reconstruiu um novo para seu pai.
A operação de extração dos fígados, conexão de ambos e seu transplante para Cheng demorou apenas 55 minutos, afirmou o médic Lo Chung-mau, um dos membros da equipe médica que conduziu a operação.



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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Menino americano com leucemia rara fará transplante de medula em SP


29/07/2015 12h47 - Atualizado em 29/07/2015 13h01

Menino americano com leucemia rara fará transplante de medula em SP

Garoto Tancrède Bouveret, de 11 anos, depende de cirurgia para se curar.
Doadora foi encontrada em banco de dados dos Estados Unidos em junho.

Do G1 São Paulo
Menino americano Tancrède Bouveret com leucemia rara fará transplante de medula óssea no Hospital Albert Einstein, em São Paulo (Foto: Reprodução/Facebook/Campanha Tancrède)Menino americano Tancrède Bouveret com leucemia rara fará transplante de medula óssea no Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo, nesta quarta-feira (Foto: Reprodução/Facebook/Campanha Tancrède)
O menino americano Tancrède Bouveret, de 11 anos, fará o transplante de medula óssea na tarde desta quarta-feira (29), em São Paulo. A informação foi publicada pela família do garoto em redes sociais. O procedimento será realizado no Hospital Israelita Albert Einstein, na Zona Sul da capital, para curar uma forma rara de leucemia que afeta a produção de células.
O hospital não divulgou detalhes do transplante por questões de sigilo médico e do paciente. O garoto mora em São Paulo com os pais e um irmão mais novo. Em junho deste ano, Tancrède conseguiu um doador compatível para fazer o transplante, uma mulher que se cadastrou em um banco norte-americano de doadores, o National Marrow Donor Program (NMDP).
"Depois de dois meses procurando apareceu essa mulher de 20 anos que é 100% alma gêmea geneticamente do Tancrède", disse David Arzel, um dos pais de Tancrède, casado com Luc Bouveret, o outro pai. "É o primeiro passo para a cura", completou, durante entrevista ao G1 após receber a notícia sobre o doador.
Na época, a família explicou que a punção no fêmur da doadora para a retirada de células troncos seria feito em um hospital dos Estados Unidos, na véspera da cirurgia, e que o material coletado seria transportado de avião ao Brasil, sem a necessidade de congelamento.
A família também relatou nas redes sociais que Tancrède não consegue se alimentar, está com problema de pele e sintomas de uma gripe intensa, considerados efeitos colaterais da quimioterapia. O procedimento faz parte do preparo para o transplante.
Durante a cirurgia, que está prevista para começar as 16h30 e durar duas horas, a família organizou uma corrente de orações em um centro na região de Pinheiros, na cidade de São Paulo.
Após o transplante, o menino americano precisará ainda fazer tratamento especial até conseguir ter a imunidade completa. "Agora vem a parte mais complicada, que é o transplante. Estamos muito confiantes", disse Arzel.
Campanha 
O drama de Tancrède foi mostrado em abril no SPTV e mobilizou uma campanha por doação de medula que incluiu até celebridades como os jogadores Kaká e Neymar e a modelo Isabela Fiorentino. A síndrome mielodisplasica impede as células de se reproduzirem em quantidade normal na medula óssea.

A doença evoluiu para uma leucemia, quando as células produzidas na medula são cancerosas, ou seja, não cumprem as funções de combater as infeções, ajudar a parar os sangramentos e distribuir o oxigênio pelo corpo.
A única esperança para Tancrède é o transplante. Os pais pediram nas redes sociais para os amigos serem doadores de medula e a campanha se espalhou.
Para manter o menino saudável, Tancréde precisou ser isolado em casa e teve de fazer nestes últimos dois meses, sessões de quimioterapia, transfusões de sangue e transfusões de plaquetas. "Ele não vê a hora de poder voltar à escola", afirmou o pai em junho, após receber a notícia sobre o doador.
Tancrede com os pais Luc e David e o irmão Elzear (Foto: Reprodução/Facebook/Campanha Tancrède)
Tancrede com os pais Luc e David e o irmão Elzear
(Foto: Reprodução/Facebook/Campanha Tancrède)
"A grande mensagem do Tancrède é que mesmo que agora achamos um doador para ele tem mais de 4 mil pessoas esperando doador de medula no Brasil", destacou Arzel. "Continuem a se cadastrar nos bancos de doadores. Só uma pessoa pode salvar a vida de outra. A medula não se fabrica, não importa dinheiro, classe social ou gênero. Um humano pode salvar a vida de outro humano. E o sangue também não tem fabrica, só se doa. Todos os hospitais precisam."
Como ser doador
Quem quiser ajudar aqueles que, assim como Bouveret, precisam de doação, pode fazer a sua parte aqui no Brasil. Para se tornar um doador, o processo é o seguinte: primeiro, se faz um cadastro em um banco de sangue. Depois, é colhida uma amostra do sangue, para futura avaliação genética e de compatibilidade.

A partir daí, o interessado já entra no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (REDOME), que será consultado toda vez que alguém precisa de doação. Se o transplante for compatível, o doador é chamado para que a medula óssea seja coletada. Para doar, é preciso ter entre 18 e 54 anos e estar bem de saúde.










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CEBID - Centro de Estudos em Biodireito