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terça-feira, 22 de março de 2016

Você aceitaria pegar febre tifoide por R$ 16 mil?

Você aceitaria pegar febre tifoide por R$ 16 mil?

Britânica Siân Rogers aceitou participar de experimento remunerado para testar tratamento contra doença.


BBC
01/03/2016 05h00 - Atualizado em 01/03/2016 05h00

Você aceitaria pegar febre tifoide por R$ 16 mil?

Britânica Siân Rogers aceitou participar de experimento remunerado para testar tratamento contra doença.

Da BBC
 Britânica Siân Rogers aceitou participar de experimento remunerado para testar vacina contra doença  (Foto: BBC)Britânica Siân Rogers aceitou participar de experimento remunerado para testar vacina contra doença (Foto: BBC)
Imagine contrair febre tifoide de propósito para ganhar, em contrapartida, R$ 16,6 mil.
Foi o que fez a estudante britânica Siân Rogers.
A jovem de 22 anos aceitou ser infectada pela doença como parte de um estudo clínico que vai durar um ano.
Como contrapartida, ela vai ganhar 3 mil libras.
Depois do que ela descreveu como duas semanas "muito intensas", tudo o que ela precisa agora é um check-up eventual.
Siân, que também aceitou contrair uma forma do vírus ebola no passado, diz que não aceitou o convite apenas por dinheiro, apesar de confessar que esse é seu maior interesse.
"É muito importante que tenhamos pesquisas médicas...algo como a febre tifoide em alguns países pode matar pessoas", disse ela ao Newsbeat, programa de rádio da BBC.
Siân conta que, em nenhum momento, ficou com medo.
"Tive uma amigdalite muito grave (no passado) e precisei ser hospitalizada. Pelo menos com a febre tifoide eu pude comer e beber".
Testes clínicos não são comuns no Reino Unido ─ experimentos como esses são realizados para testar novos tratamentos, mas poucos deles envolvem contrair doenças, como a febre tifoide.
Pôster
Siân decidiu participar quando viu um pôster em sua universidade, Oxford Brookes, convocando participantes para o teste.
Mas ela diz ter sido rejeitada por ser "muito feliz".
Siân não desistiu e buscou participar de outro teste, em que receberia uma pequeno dose do vírus letal ebola.
Só piorou até eles me darem os antibióticos e então comecei a me sentir melhor muito mais rápido"
Siân Rogers, estudante
Ela ganhou 500 libras (R$ 2,7 mil) pela participação e, enquanto estava na sala de espera, viu uma convocatória para outro teste, para vacinas contra a febre tifoide.
Às 7h00 do dia 1º de fevereiro ela voltou ao local e recebeu um copo d'água contendo a bactéria Salmonella typhi ─ que transmite a febre tifoide.
"Fizeram-me vestir um avental e algumas luvas...alguns óculos de proteção. Rimos muito da situação. Eu parecia um idiota", relembra ela .
Ela escreveu sobre sua experiência no jornal da universidade.
Todos os dias depois das aulas, por duas semanas consecutivas, ela foi ao hospital fazer um check-up, e tinha de manter um diário sobre a temperatura de seu corpo.
"A primeira semana foi tranquila. Já na segunda eu comecei a me sentir muito tonta", acrescenta.
"Eu tinha uma apresentação na faculdade e não consegui me levantar. Lembro-me de que na terça-feira daquela semana, eu já não conseguia nem sair da cama".
Paralelamente, Siân havia começado um novo trabalho na faculdade.
"Quando eu fiz a entrevista, eu literalmente disse que no dia 1º de fevereiro contrairia febre tifoide".
Siân acabou faltando quatro turnos do trabalho, e estava muito doente para concluir o quinto.
"Só piorou até eles me darem os antibióticos e então comecei a me sentir melhor muito mais rápido".
Agora que se recuperou, ela só precisou voltar ao hospital quatro vezes durante o ano.
O que é a febre tifoide?
A febre tifoide é uma infecção causada por uma bactéria chamada Salmonella typhi.
Trata-se de uma doença altamente contagiosa, sendo transmitida pelo contato com fezes e urina do doente.
A febre tifoide não é comum no Reino Unido, tampouco no Brasil.
Segundo o Ministério da Saúde, de 2000 a 2014, 117 pessoas morreram vítimas da doença.
Os sintomas incluem dor de estômago, dor de cabeça, febre alta e constipação ou diarreia.
Em casos não tratados, um quinto das pessoas vem à óbito, mas antibióticos costumam curar a doença em duas semanas.








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As crianças que vivem com as doenças mais raras do mundo

29/02/2016 12h46 - Atualizado em 29/02/2016 12h46

As crianças que vivem com as doenças mais raras do mundo

No Dia da Doença Rara, famílias britânicas contam como é conviver com algo que muitos médicos nem sabem diagnosticar.


O dia 29 de fevereiro é o Dia da Doença Rara e, para marcar a data, a BBC entrevistou três famílias que convivem com casos assim.
Dylan foi diagnosticado com uma mutação muito rara em um de seus cromossomos (Foto: Janie Torrance)Dylan foi diagnosticado com uma mutação muito rara em um de seus cromossomos (Foto: Janie Torrance)
Uma é a dos Torrances, na Grã-Bretanha.
O filho mais novo, Dylan, hoje com 12 anos, foi diagnosticado com uma mutação no 15º cromossomo, a trissomia parcial 15, doença que afeta apenas 19 pessoas em todo o mundo - mas ele é o único com esse defeito no cromossomo específico.
A mãe de Dylan, Janie Torrance, diz que ficou "feliz" de certa forma quando o filho finalmente foi diagnosticado pois "ninguém sabia o que era".
O problema é tão raro que sequer tem um nome. O diagnóstico dado à família foi apenas uma descrição do que aconteceu no cromossomo de Dylan.
"A primeira coisa que você tenta fazer é encontrar outra pessoa com isso – e quando falaram que ninguém mais tinha, foi um golpe", disse Janie.
Cada pessoa tem 23 pares de cromossomos. No 15º cromossomo de Dylan um dos componentes do par é mais longo.
Por causa disso, Dylan não consegue falar, tem epilepsia grave e usa cadeira de rodas.
Jaine disse que teve uma gravidez normal; mas que o bebê não demonstrava vontade de se alimentar e que seus movimentos eram descoordenados.
A mãe afirmou que foi preciso muita insistência da família para conseguir um exame genético que confirmasse a doença - o que só ocorreu quando o menino estava com três anos.
"Sou otimista em relação à vida. Olho para Dylan e penso 'como posso reclamar sobre minha situação quando meu filho passa por isso todo dia?' Ele é tão positivo."
Quando ele se sente bem, Dylan frequenta uma escola especial (Foto: Janie Torrance)Quando ele se sente bem, Dylan frequenta uma escola especial (Foto: Janie Torrance)
"Por enquanto não há cura, mas espero que alguém muito inteligente consiga descobrir algo", acrescentou.
Apesar dos cuidados constantes com Dylan, a família tenta manter uma vida o mais normal possível. Jaine trabalha um dia por semana como cabeleireira e vai à academia, além de garantir que o filho mais velho, Callum, de 14 anos, possa ir a escola normalmente.
Dylan também tem a agenda cheia: recebe cuidados no centro para crianças Haven House, em Essex, e também frequenta uma escola especial quando sua saúde permite.
Dia da Doença Rara
O Dia da Doença Rara é uma chance para aumentar a conscientização a respeito das 60 milhões de pessoas no mundo todo afetadas por cerca de 6 mil doenças consideradas raras.

Nick Meade, da organização britânica especializada nestas doenças, a Rare Disease UK, afirmou que ao menos uma em cada 2 mil pessoa sofre destas doenças no mundo.
A organização Rare Disease UK fez eventos em toda a Grã-Bretanha para conscientizar o público sobre estas doenças (Foto: Rare Disease UK)A organização Rare Disease UK fez eventos em toda a Grã-Bretanha para conscientizar o público sobre estas doenças (Foto: Rare Disease UK)
O baixo número de pacientes pode ter um impacto no desenvolvimento de tratamentos e frequentemente não há nenhuma opção a não ser os cuidados paliativos.
"Se você tem apenas 50 pessoas com um problema, então a pesquisa sobre esta doença é muito mais difícil, pois você tem menos pessoas para pesquisar. A busca por um diagnóstico pode durar até 20 anos", afirmou.
Segundo a campanha Rare Disease Day uma doença rara é definida como um problema que afeta menos que uma a cada 2 mil pessoas.
E cerca de 80% das doenças raras têm origem genética. Enquanto que outras são resultado de infecções, alergias e causas ambientais.
Frequentemente não há cura e 30% dos pacientes que sofrem destas doenças vão morrer antes de chegar aos cinco anos de idade.
Não há um banco de dados central que tenha uma lista de cada uma das doenças consideradas raras.
'Infecção viral'
Em 2008 a menina Husna Naee, então com cinco anos, foi levada ao hospital pelos pais que temiam ter "perdido a filha durante a noite".

"Ela ficou mal com uma infecção viral, foi ao hospital para ser tratada pelo que nós pensávamos ser desidratação e saiu de lá dez dias depois em uma cadeira de rodas e tendo esquecido até como segurar um lápis", disse Rahna Nabi, mãe de Husna.
A menina foi diagnosticada com a Ataxia de Friedreich, que causa dano progressivo ao sistema nervoso e ao coração, faz com que a pessoa perca a mobilidade, visão e audição. Husna também sofre de diabetes e Síndrome de Asperger.
"Não há nada pior do que alguém te falar que sua filha vai morrer lentamente, na sua frente", disse Rahna.
"Nos falaram que o estado de Husna se deteriorará gradualmente; ela não vai conseguir usar as pernas e braços, ficará cega, surda, perderá a habilidade de comer, engolir e falar - até ficar completamente incapacitada. Não havia nada que nós ou qualquer outra pessoa pudessem fazer, pois não há uma cura", acrescentou.
Rahna afirma que a filha é "muito determinada e animada", mas acrescenta que as tarefas mais simples são uma "luta" e Husna, hoje aos 16 anos, compreende o que está acontecendo com ela.
A situação, segundo Rahan, é como uma "nuvem escura em cima de nossas cabeças".
Um dos maiores problemas, de acordo com a mãe de Husna, é para os irmãos: um mais velho e outro mais jovem. Eles passaram por um período de "luto" pela irmã que conheceram e agora eles tentam criar memórias positivas dela.
"Houve muita tristeza pois uma doença rara significa que você perde a filha que pensou que iria ter. Literalmente não há nada que você possa fazer a não ser tentar deixá-la o mais feliz possível", afirmou Rahna.
A mãe afirma que a família agora tenta se concentrar nas coisas que Husna consegue fazer e não no que ela perdeu. E acrescenta que a fé muçulmana os ajudou muito.
Coma
Alea Begum, de Londres, teve a filha, Khadija, diagnosticada com acidúria argininosuccínica quanto tinha apenas um ano de idade.

Alea Begum conta que a filha não tinha sintomas até completar um ano de idade (Foto: Alea Begum)Alea Begum conta que a filha não tinha sintomas até completar um ano de idade (Foto: Alea Begum)
A doença provoca o acúmulo de amônia no sangue, o que pode torná-lo tóxico e afetar o sistema nervoso.
Para os pais, Khadija parecia saudável até que completou um ano de idade e seu estado de saúde foi se deteriorando.
"Ela estava vomitando então a levei para o hospital onde a colocaram em coma por duas semanas quando descobriram que o cérebro dela começou a inchar", disse Alea.
"Quando ela voltou, eles falaram que a parte de trás do cérebro tinha sido danificada, e que ela tinha perdido a visão."
"Foi difícil, muito difícil, aceitar pois ela nasceu normal e então, um dia, tudo mudou", disse.
Além de perder a visão, Khadija teve danos permanentes no cérebro e epilepsia, além de ter atraso no desenvolvimento.
A doença teve impacto na saúde mental da mãe, que passou a receber acompanhamento psicológico.
"Eu estava deprimida, tomando remédios e tinha todas estas lembranças. Como mãe dela eu me culpava. Até hoje, todo dia 5 de março, quando ela foi internada, é como um aniversário e eu tenho uma recaída."
"Pensamos muito sobre o futuro dela - ela vai se casar, ter filhos? Ela é capaz de estudar ou ir para a universidade?", questionou.
Com cinco anos de idade Khadija é "feliz", estuda em uma escola comum onde aprende em braille. A mãe conseguiu se qualificar como conselheira psicológica e agora apoia outras famílias através da organização Scope.
"Quando aconteceu, eu não conhecia ninguém com este problema, então é bom estar na posição de ajudar. Vejo famílias devastadas e quero dizer a elas 'em dois anos vocês estarão de pé'. Pensei que fosse perder minha filha, mas vou lutar com todas as minhas forças", afirmou.










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quinta-feira, 17 de março de 2016

Juiz nega interdição de jovem com Síndrome de Down: deficiência não é incapacidade

Juiz nega interdição de jovem com Síndrome de Down: deficiência não é incapacidade
05/10/2015 16:26

O juiz Luiz Cláudio Broering, titular da Vara da Família e Órfãos do Foro Eduardo Luz, na Capital, indeferiu pedido liminar em ação que busca a interdição de um jovem que possui Síndrome de Down. O pleito, formulado pelos próprios pais, estaria baseado na preocupação dos genitores em relação aos atos de administração dos bens materiais e ao controle das finanças do filho, principalmente em relação a atuação de terceiros de má-fé.
"Justifico a decisão, porque atualmente os detentores da Síndrome de Down tem tido grande progressão na capacidade cognitiva, podendo concluírem seus estudos, trabalharem e até casar. Deficiência não é incapacidade", anotou o magistrado. Com base na doutrina médica, o julgador acrescentou que a síndrome não é uma doença, mas sim uma condição genética diferente do resto da população, que embora implique em pequeno atraso no desenvolvimento das coordenações motoras e mentais do cidadão, não os impede de ter uma vida normal.
"A sociedade precisa entender que diferença não é sinônimo de incapacidade", transcreveu Broering em seu despacho, ao colacionar excerto de obra do professor inglês Cliff Cunningham. A ação, de qualquer forma, terá prosseguimento. O interditando, desta forma, será ouvida em juízo antes de qualquer outra manifestação judicial. 
Responsável: Ângelo Medeiros - Reg. Prof.: SC00445(JP)
Textos: Américo Wisbeck, Ângelo Medeiros, Daniela Pacheco Costa e Sandra de Araujo





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Juíza de Tijucas inova ao decidir ação com base no Estatuto da Pessoa com Deficiência


18/02/2016 11:01

A juíza Joana Ribeiro, titular da 1ª Vara Cível da comarca de Tijucas, aplicou inovações contidas no recém-vigente Estatuto da Pessoa com Deficiência para prolatar sentença em que nomeou uma mulher para exercer a curatela do marido, acometido de doença que o incapacita para determinados atos da vida civil. A decisão está entre as primeiras do país a ter por base o novo ordenamento, que entrou em vigor em janeiro deste ano e estabelece novo norte cultural e jurídico em benefício das pessoas com deficiência.
A magistrada, no corpo da sentença, trata das inovações e destaca algumas delas, como o fim da incapacidade civil absoluta; a definição da curatela para fins específicos e restritos aos direitos patrimoniais e negociais, aplicável em casos de incapacidade civil relativa; prazo fixo de duração da curatela; e a obrigação do curador cumprir o projeto terapêutico individualizado como forma de avançar desta condição para, em futuro processo, alcançar o estágio de TDA ¿ Tomada de Decisão Apoiada. Nele, a pessoa continua protagonista da própria vida mas, em situações restritas a questões patrimoniais, contará com o auxílio de apoiadores para definir suas escolhas.
A sentença prolatada nesta semana envereda por esse caminho. A magistrada decretou a incapacidade relativa do marido, nomeou a esposa como curadora, sob a condição de promover o projeto terapêutico individualizado, e fixou prazo de três anos para futura averiguação da condição do curatelado, já com vistas na sua adequação ao estágio de TDA. A esposa terá ainda que prestar contas de sua atuação ao Ministério Público.
A demandante havia solicitado também autorização para venda de um imóvel do casal, pleito rechaçado nesta oportunidade e que deve ser objeto de ação autônoma para melhor avaliação da necessidade, indispensabilidade e utilidade do negócio. "Sublinhe-se que a nova lei reage aos anseios daqueles que, embora tenham o discernimento reduzido, são capazes de amar e ser amados, e necessitam de certa liberdade e/ou dignidade para provar dos limites de sua própria existência", concluiu a juíza Joana Ribeiro.



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Juíza do interior catarinense inova ao decidir ação com base no Estatuto da Pessoa com Deficiência

Juíza do interior catarinense inova ao decidir ação com base no Estatuto da Pessoa com Deficiência

24/02/2016Fonte: Assessoria de comunicação do IBDFAM com informações do TJS
Na 1ª Vara Cível da comarca de Tijucas, em Santa Catarina, a juíza Joana Ribeiro, membro do IBDFAM, aplicou inovações do recém-vigente Estatuto da Pessoa com Deficiência para proferir sentença em que nomeou uma mulher para exercer a curatela do marido, acometido por uma doença que o incapacita para determinados atos da vida civil. A decisão está entre as primeiras do país a ser baseada no novo ordenamento, que entrou em vigor em janeiro deste ano e estabelece novo norte cultural e jurídico em benefício das pessoas com deficiência.

No corpo da sentença, a magistrada trata das inovações e destaca algumas delas, como o fim da incapacidade civil absoluta; a definição da curatela para fins específicos e restritos aos direitos patrimoniais e negociais, aplicável em casos de incapacidade civil relativa; prazo fixo de duração da curatela; e a obrigação do curador cumprir o projeto terapêutico individualizado como forma de avançar desta condição para, em futuro processo, alcançar o estágio de TDA - Tomada de Decisão Apoiada. Nele, a pessoa continua protagonista da própria vida, mas, em situações restritas a questões patrimoniais, contará com o auxílio de apoiadores para definir suas escolhas.

A magistrada decretou a incapacidade relativa do marido, nomeou a esposa como curadora, sob a condição de promover o projeto terapêutico individualizado, e fixou prazo de três anos para futura averiguação da condição do curatelado, visando a sua adequação ao estágio de TDA. A esposa terá ainda que prestar contas de sua atuação ao Ministério Público.

A mulher havia solicitado também autorização para venda de um imóvel do casal, pleito que foi rechaçado nesta oportunidade e que deve ser objeto de ação autônoma para melhor avaliação da necessidade, indispensabilidade e utilidade do negócio. A juíza concluiu que é preciso enfatizar que a nova lei reage aos anseios de pessoas que, embora tenham o discernimento reduzido, são capazes de amar e ser amados, e necessitam de certa liberdade e/ou dignidade para provar dos limites de sua própria existência.

A juíza Joana Ribeiro observa que esta decisão representa o reconhecimento do país quanto ao resgate da dignidade da pessoa humana portadora de deficiência. “O Estatuto ressignificou completamente os dispositivos legais já ultrapassados e que não correspondiam ao verdadeiro sentido da capacidade civil e aos direitos humanos reconhecidos na Convenção de Nova York, que ingressou no sistema jurídico brasileiro em 2009 e que não estava sendo aplicada, justamente porque importava na revogação de dispositivos constantes do Código Civil e do Código de Processo Civil, que dificultavam sua aplicabilidade imediata”, afirma.

De acordo com a magistrada, o Estatuto da Pessoa com Deficiência possibilitou que quase um quarto da população brasileira portadora de deficiência fosse contemplada com a tutela da dignidade-liberdade, evidenciada pelas ações de inclusão, reconhecimento e expansão tipificada dos seus direitos. “A nova Lei reage aos anseios daqueles que, embora não tenham a expressão completa da sua vontade, têm direito ao reconhecimento da capacidade civil e da consequente liberdade existencial, inclusive, a liberdade e o direito à escolha da vinculação afetiva, por meio do casamento e do exercício da parentalidade biológica e jurídica”, diz.

Conforme Joana Ribeiro, o Estatuto proporcionou a formação de uma sociedade inclusiva, “que reconhece e dá mecanismos para o exercício da plenitude dos direitos existenciais, amparando todos os indivíduos, de forma extrínseca e intrínseca, inclusive por meio da garantia do direito à prevenção das causas de deficiência e à tecnologia assistiva, pioneiramente incluído no sistema jurídico brasileiro, para maximizar a autonomia, a mobilidade pessoal e a qualidade de vida de todos”.

O procurador de justiça Nelson Rosenvald, membro do IBDFAM, avalia que a decisão foi bem fundamentada, seguindo o paradigma social do Estatuto da Pessoa Com Deficiência. “Vale dizer: curatela restrita à incapacidade relativa; curatela delimitada às questões patrimoniais; Projeto Terapêutico Individualizado às vicissitudes do curatelando e delimitação do prazo da curatela, tendo em vista que esse modelo jurídico é agora direcionado à plena recuperação da pessoa e reaquisição da capacidade civil pela via da Tomada de Decisão apoiada”, diz.

Segundo Nelson Rosenvald, a curatela só poderá ser aplicada quando objetivamente for constatada a impossibilidade total de autodeterminação da pessoa. “Não se trata mais de uma 'interdição' de direitos fundamentais de uma pessoa com transtornos mentais, porém de uma curatela temporalmente limitada, que só poderá ser aplicada com forte carga argumentativa que indique que uma pessoa, em sua complexidade, não pode mais exercer o autogoverno”, esclarece.

Por fim, Nelson Rosenvald explica que com a vigência da Lei n. 13.146/15 ocorre uma funcionalização da curatela. “Assim, sai de cena o curador patrimonial, substituído pelo cuidador da saúde, que se compromete com a recuperação da pessoa do curatelado. Para que não apenas as situações patrimoniais, mas os direitos da personalidade do curatelado sejam velados adequadamente, pode-se instituir curatela conjunta, seja ela compartilhada ou fracionada”, completa.











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Como a ciência acredita que será a evolução do nosso corpo no futuro?




Como a ciência acredita que será a evolução do nosso corpo no futuro?



© Adams Carvalho

Todos os seres vivos se adaptam ao meio em que vivem, e isso não é diferente com o ser humano. O corpo do homem moderno está mudando de acordo com uma rotina mais sedentária e tecnológica. Essa é a essência da evolução. Mas como seremos no futuro? Saiba quais são os nossos possíveis próximos passos evolutivos e como serão nossos descendentes.
METAMORFOSE AMBULANTE
Mutações, seleção natural e inovações tecnológicas são os fatores que vão determinar a mudança dos seres humanos nos próximos milhares de anos
2 - humanos cabeçudos
© Fornecido por Abril Comunicações S.A. 2 - humanos cabeçudos

1) Pesquisas apontam que o cérebro será maior. Geneticistas comprovaram que dois genes que influenciam no tamanho e na complexidade do órgão continuam sofrendo mutações. O cérebro acima é só um pouco maior que o atual, mas, daqui a 1 milhão de anos, ele poderá crescer três vezes mais, elevando nossa capacidade intelectual. E entusiastas dos estudos de inteligência artificial acreditam que, cada vez mais, nosso corpo terá partes robóticas. Microchips para controlar doenças e sinais vitais próteses metálicas, cérebro wi-fi... Algumas já existem, como o Argus 2, que converte imagens em pulsos elétricos e os transmite a eletrodos implantados nos olhos. Com ele, pessoas com visão muito debilitada voltam a enxergar
2) A cabeça do Homo sapiens já é considerada grande - uma vez que precisa passar pelo canal vaginal durante o parto. Alguns cientistas afirmam que o crânio deve continuar do mesmo tamanho ou até diminuir para que o nascimento seja possível, mas as cesarianas contrariam essa tese. Elas podem viabilizar a sobrevivência de humanos cabeçudos - que vão se reproduzir e perpetuar essa característica
3) Há 50 mil anos, quando os homens ainda caçavam para comer e corriam risco de ataque de animais na floresta, enxergar bem era uma questão de sobrevivência. Hoje, um bom par de óculos ou de lentes de contato resolve o problema de ler o rótulo da carne congelada no supermercado. Com essa facilidade e sem predadores, humanos míopes (ou com outros problemas de visão) vão sobreviver e passar adiante seus genes com esses problemas
4) Esqueça aquela regra de que é preciso mastigar 30 vezes antes de engolir cada garfada. Isso vai ser coisa do passado. Com tantos alimentos processados e macios disponíveis, a tendência é que os humanos do futuro tenham dentes pequenos e em menor número. E isso já começou a acontecer! Já notou que algumas pessoas já não nascem mais com os sisos?
corpo humano do futuro2
© Fornecido por Abril Comunicações S.A. corpo humano do futuro2

5) O sedentarismo pode afetar nossos membros. Para reduzir o esforço, os braços serão mais longos. Se as telas sensíveis ao toque seguirem em alta, dedos também serão maiores. Quem quiser ter essa sensação pode comprar o Yubi Nobiiru, extensor de dedão desenvolvido por uma empresa japonesa
6) O número de pessoas com obesidade no mundo já é o dobro do que era em 1980. Em 2014, 1,9 bilhão de pessoas estavam com sobrepeso - dessas, 600 milhões eram obesas. E, mesmo considerando que milhões e milhões de pessoas ainda enfrentam a fome e a desnutrição em países pobres, o acesso farto que o resto do mundo tem a comida (muitas vezes, não muito nutritivas) pode transformar a silhueta da humanidade. (Previsão do futuro? Em 2008, a animação Wall-E mostrou humanos obesos tendo uma vida virtual em poltronas hi-tech)
7) Alguns pesquisadores acreditam que os hábitos alimentares vão moldar o nosso sistema digestivo. Uma das mudanças mais significativas é no intestino, que ficará mais curto. Com essa nova característica, ele poderá absorver menos gordura e açúcar. Assim, o metabolismo poderá ficar mais rápido e, consequentemente, seremos mais magros. Essa teoria, porém, rebateria a tese da obesidade ou aconteceria milhares de anos após o ser humano ser gordinho.As amídalas e o apêndice, conhecidos pelas inflamações e por não terem função alguma, estão propensos a desaparecer no futuro.
6 - altura média
© Fornecido por Abril Comunicações S.A. 6 - altura média

O céu é o limite
Se a comida abundante pode nos deixar obesos, também pode fazer nossos descendentes ganharem mais alguns centímetros. Ao longo das últimas centenas de anos, a altura médiada nossa espécie aumentou cerca de 10 cm. Quanto melhor a nutrição de uma criança, mais energia ela terá para crescer. Partindo desse pressuposto, acredita-se que o ser humano médio chegará a medir de 1,80 m a 2,10 m. E, se a comilança continuar a mesma, esse número continuará aumentando
7 - sistema imunológico fraco
© Fornecido por Abril Comunicações S.A. 7 - sistema imunológico fraco

Gripado de novo?
Para alguns futurologistas, o consumo desmedido de medicamentos e hormônios artificiais pode tornar a espécie humana completamente dependente desses recursos para sobreviver. Com um sistema imunológico mais fraco e incapaz de produzir naturalmente as substâncias que botam ocorpo para funcionar, nossos descendentes viverão em farmácias
corpo humano do futuro3
© Fornecido por Abril Comunicações S.A. corpo humano do futuro3

8) A monoetnia é o caminho evolutivo mais provável para a sociedade multicultural em que vivemos hoje. As diferentes etnias do mundo inteiro devem se misturar de tal modo que todas as pessoas ficarão com tom de pele e de cabelo muito semelhante - mais puxado para o moreno e cacheado. Claro, isso se a manipulação genética não se desenvolver e alterar essa tendência, criando novas "embalagens" para os humanos
9) Carros, elevadores, esteiras rolantes, controle remoto, delivery... A vida contemporânea é um convite ao sedentarismo. Juntando isso ao hábito de trabalhar várias horas sentado, o resultado é um corpo mais flácido. Esqueça os bombadões! Por não precisarem empregar força física, graças às máquinas que fazem todo o trabalho pesado, os músculos vão ser menores e bem mirradinhos. E flacidez nem sempre é algo ruim. Graças a ela, um dos músculos da mandíbula se atrofiou e, com isso, você consegue relaxar seu maxilar
10) Os barbudos, que hoje fazem tanto sucesso, serão uma espécie em extinção. No decorrer do processo de evolução, já perdemos muitos pelos do corpo. E a tendência é que isso continue, deixando o mundo com mais carecas e levando as depiladoras à falência. Isso se deve ao fato de que o ser humano não precisa mais de uma proteção natural contra o frio e, também, pela valorização da ausência de pelos nas mulheres. Como as que têm menos pelos são tidas como mais atraentes, teriam mais chances de se reproduzir
11) Os pés dos ancestrais do Homo sapiens funcionavam como garras para subir em árvores e lutar entre si ou com outros animais. Como essas atividades se tornaram obsoletas, os dedos dos pés estão cada vez mais curtos e se especula que alguns possam desaparecer em uns milhares de anos. Já há relato de pessoas sem as unhas de seus mindinhos dos pés. Os dedões e os dedos intermediários têm sua preservação garantida: eles nos ajudam a manter o equilíbrio como bípedes por isso, devem ser preservados
9 - expectativa de vida
© Fornecido por Abril Comunicações S.A. 9 - expectativa de vida

Rumo à imortalidade
Nos últimos 60 anos, a expectativa de vida mundial aumentou mais de 20 anos. Com o desenvolvimento de suplementos nutricionais e de técnicas que prometem prolongar ainda mais esse tempo, é possível que o ser humano do futuro ultrapasse os 100 anos com facilidade. Ou seja, teremos um mundo mais cheio de vovôs
11 - fertilização in vitro
© Fornecido por Abril Comunicações S.A. 11 - fertilização in vitro

Sob encomenda
O melhoramento genético de seres humanos já existe. Hoje, há cerca de 3 milhões de crianças geradas por fertilização in vitro. Parte delas passou por um processo de seleção, a fim de evitar deformidades e doenças. Se essa tecnologia se perpetuar, nos próximos séculos a raça humana estará livre de doenças genéticas, como o mongolismo, e de males como artrite e Alzheimer
De volta para o passado
Conheça alguns detalhes cruciais da evolução do corpo humano. Desde o surgimento doHomo sapiens, há 190 mil anos, já passamos por várias modificações
-Ficamos com a cabeça maior e o corpo com mais partes descobertas de pelos
-Os joelhos ficaram mais protuberantes e as pernas mais longas
-O cérebro cresceu e chegou a 1,4 mil cm³, duas vezes o que um chimpanzé leva na cabeça
-Os dentes deixam de ser pontudos e ficam mais frágeis e mais simétricos
-A laringe e o osso hioide, que fica na base da língua, desceram para permitir a fala
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© Fornecido por Abril Comunicações S.A. box


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