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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Troca acidental de embriões gera 'caso dramático' e debate jurídico na Itália

Atualizado em  8 de maio, 2014 - 18:32 (Brasília) 21:32 GMT


Hospital em Roma onde ocorreu a troca acidental de embriões (Erika Zidko/BBC Brasil)
Troca acidental de embriões gerou embate entre duas famílias em Roma

Um caso de reprodução assistida com troca acidental de embriões em Roma tem dividido a opinião de juristas, reacendendo a polêmica sobre fecundação artificial na Itália.
No caso, investigado pelo Ministério da Saúde, uma mulher no quinto mês de gestação descobriu que os gêmeos que espera não são seus, mas de um outro casal que fez inseminação no mesmo hospital e cuja gravidez não ocorreu.


Os dois casais declaram, por meio de advogados, que irão lutar pelo direito de ficar com as crianças, um menino e uma menina, que devem nascer em agosto.O implante dos embriões foi realizado no dia 4 de dezembro no hospital Sandro Pertini, na capital italiana. Acredita-se que o erro tenha ocorrido devido a uma semelhança no sobrenome das duas mulheres.

Os principais jornais do país têm publicado reportagens com opinião de especialistas sobre quem serão os legítimos pais dos bebês. Grupos ultraconservadores aproveitaram para criticar a recente decisão da Corte Constitucional, que cancela o veto à fecundação heteróloga (com material genético alheio ao casal) no país.
Em entrevista ao jornal Corriere della Sera, que não divulgou os nomes do casal, a gestante disse compartilhar da dor da outra mãe pela perda dos embriões.
"Nós também perdemos os nossos. Mas não consigo colocar-me na sua posição, pois sou eu quem traz as crianças dentro", afirmou. O casal disse que não fará outras declarações antes do nascimento dos gêmeos e até lá espera que os pais biológicos renunciem às crianças.

'Situação dramática'

"É uma situação dramática, sem qualquer precedente na jurisprudência italiana", disse à BBC Brasil a advogada Filomena Gallo, professora de bioética na Universidade de Teramo.
"Os dois casais envolvidos haviam dado o consentimento à reprodução assistida homóloga (quando o óvulo e o espermatozoide são do próprio casal) e, por um erro do centro de fertilidade, foram implantados em uma paciente os embriões que pertenciam a terceiros", explicou.
Para a advogada, em caso de disputa judicial as crianças deverão ser entregues ao casal proprietário dos embriões. "Neste momento há pouco a ser feito. É preciso esperar o nascimento dos gêmeos para que os pais biológicos possam requerer que seja aplicada a regra do Código Civil prevista para situações de substituição de recém-nascidos, mesmo que neste caso se trate de substituição de embriões", afirmou.
De acordo com Gallo, esse recurso pode ser utilizado a qualquer momento, por qualquer interessado. "O procedimento poderá ser ativado inclusive quando as crianças forem maiores e puderem requerer que a (paternidade) seja diversa daquela declarada no momento do nascimento", disse.
Mas, para muitos juristas, os filhos pertencem à mãe que dá à luz, conforme estabelecido pelo Código Civil, de 1942.
Um deles é o juiz constitucional Ferdinando Santosuosso, para o qual a mãe biológica "não tem direito algum em reivindicar a maternidade das crianças". "A mulher que está grávida dos gêmeos não corre o risco de perder os filhos, porque são legitimamente seus", afirmou ao jornalCorriere della Sera.
A advogada constitucionalista Marilisa D’Amico, professora da Universidade de Milão, concorda que crianças devam permanecer com o casal que recebeu os embriões.

Outros casos

O caso de Roma é o primeiro na Itália de troca de embriões com disputa pelos bebês.
Mas uma situação semelhante ocorreu na cidade de Modena, em 1996, quando uma mulher branca, casada com um homem branco, deu à luz duas crianças negras.
A descoberta de que o material genético não pertencia ao pai ocorreu depois do nascimento e a família pôde ficar com as crianças sem a oposição do pai biológico.
O Hospital Policlínico de Modena foi condenado a ressarcir o casal que hoje se declara à imprensa italiana "como uma família belíssima".


Há poucos casos de troca de embriões registrados no mundo. Um deles aconteceu nos Estados Unidos em 2011, mas a mãe gestacional decidiu entregar o bebê aos pais biológicos.

No mesmo ano, em Hong Kong, uma mulher descobriu que os gêmeos que esperava não eram seus e optou pelo aborto.
"Do ponto de vista jurídico a situação é clara: a mãe é aquela que dará à luz. Infelizmente, permanece o drama do casal que teve os próprios embriões transferidos a uma outra mulher. Pelo bem das crianças, seria melhor que eles renunciassem aos bebês", disse à BBC Brasil.

'Trauma'

Para a psicóloga Anna Oliveiro Ferraris, da Universidade La Sapienza de Roma, trata-se de uma situação extrema e de grande dificuldade.
"Se a família que não recebeu os embriões aceitasse a situação, as crianças não teriam dificuldade em afeiçoarem-se aos pais que as criam, assim como no caso de filhos adotados, pois os laços afetivos são mais fortes que as relações de sangue. Mas com a disputa entre os casais, surgem grandes problemas", disse à BBC Brasil.
"Do ponto de vista da mãe gestacional, entregar os bebês após o nascimento significaria um trauma enorme. Criar uma criança no próprio útero por nove meses não é uma experiência indiferente, inclusive para o feto, pois o fato de crescer em um útero ou em outro acarreta inclusive diferenças físicas", afirmou.
Mas na opinião da especialista, se o objetivo principal é a saúde psicológica das crianças, a solução menos traumática seria que elas crescessem com os pais biológicos.
"Seria mais fácil para as crianças entenderem o fato de terem estado na barriga de uma outra mulher e, ao momento do nascimento, terem voltado aos pais naturais. Ao contrário, a ideia de serem filhos de uma família devido a um erro, de terem crescido em uma casa por causa uma troca irreversível, é mais difícil de ser aceita", explicou.
"Além disso, as crianças teriam o mesmo patrimônio genético dos pais, as mesmas características físicas, o que evitaria a curiosidade em saber como são a mãe e o pai naturais", disse a psicóloga.


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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Clonagem ajuda a criar células-tronco produtoras de insulina

29/04/2014 08h37 - Atualizado em 29/04/2014 08h37

Clonagem ajuda a criar células-tronco produtoras de insulina

Cientistas superaram busca por células-tronco especiais contra doenças.
Dados foram publicados na revista científica 'Nature'.


Cientistas anunciaram nesta segunda-feira (28) o uso da tecnologia de clonagem para produzir células-tronco embrionárias contendo genes de uma mulher diabética, e transformando-as depois em células beta produtoras de insulina, que podem, um dia, curar a doença.
A equipe de cientistas revelou ter superado um importante obstáculo na busca pela produção de "células-tronco personalizadas" para a utilização no tratamento de doenças. Mas um especialista em bioética advertiu que o avanço também chama atenção para a necessidade de haver uma regulamentação maior para embriões desenvolvidos em laboratório.
"Estamos agora mais perto de conseguir tratar pacientes diabéticos com suas próprias células produtoras de insulina", afirmou Dieter Egli, da Fundação de Células-tronco de Nova York (NYSCF), que conduziu o estudo publicado na revista científica "Nature".
Egli e uma equipe de pesquisadores transplantaram o núcleo das células retiradas da pele da mulher em óvulos humanos para produzir células-tronco, as quais induziram para que se tornassem células beta. A escassez destas causa deficiência de insulina e altos níveis de açúcar no sangue dos diabéticos. Ao fazer o transplante, a equipe confirmou um recurso potencialmente importante para a futura terapia de reposição celular.
Alerta
Este não é o primeiro estudo a criar células-tronco dessa forma, mas foi o primeiro a utilizar células retiradas de uma pessoa adulta com o objetivo de produzir células específicas para tratamento. Insoo Hyun, especialista em bioética da Escola de Medicina da Universidade Case Western Reserve, em Cleveland, Ohio, disse que a pesquisa, a última a produzir células-tronco embrionárias contendo o genoma de pessoas vivas, fez soar o alerta.

"Esta clonagem repetida de embriões e a geração de células-tronco, agora usando células coletadas de adultos, aumenta a probabilidade de que embriões humanos sejam produzidos para criar tratamentos para um indivíduo específico", escreveu em um comentário também publicado na "Nature". "Estruturas regulatórias precisam ser ativadas para supervisionar isto", afirmou.
As células-tronco embrionárias - células neutras, primitivas, capazes de se desenvolver e dar origem à maior parte das células de tecidos especializados do corpo - são consideradas uma fonte potencial para a reposição de órgãos danificados por doenças ou acidentes.
Mas elas são controversas, uma vez que até recentemente as células-tronco só poderiam ser obtidas a partir de embriões.
Elas podem ser desenvolvidas em laboratório, através da transferência do núcleo de uma célula de um tecido como a pele, que contém o DNA de uma pessoa, para um óvulo, que teve seu núcleo removido anteriormente.
Por meio de um pulso elétrico, o óvulo começa a se dividir até formar um blastocisto, um estágio primitivo do embrião formado por cerca de 150 células contendo o DNA do doador do tecido.
Tecnologia de clonagem

Denominada de transferência nuclear de células somáticas (ou SCNT, na sigla em inglês), a técnica é utilizada na pesquisa terapêutica, mas também é o primeiro passo da clonagem e foi empregada para criar a ovelha Dolly. O método é proibido em muitos países.

Neste novo estudo, cientistas de Estados Unidos e Israel afirmaram ter feito "melhorias técnicas", alterando as substâncias químicas usadas na cultura na qual as células são desenvolvidas.
As células-tronco poderão ser induzidas para dar origem a diferentes tipos de células adultas, inclusive células beta, explicou a equipe. "Ver os resultados de hoje me dá esperanças de podermos, um dia, alcançar a cura para esta doença debilitante", afirmou a diretora-executiva da NYSCF, Susan Solomon.
A mesma equipe tinha, anteriormente, produzido células beta com um método semelhante, mas utilizando óvulos com seus núcleos ainda intactos, resultando em células-tronco com três conjuntos de cromossomos que não poderiam ser usados terapeuticamente.
Com o novo método, as células-tronco originadas contin/ham os habituais pares de cromossomos, escreveram os cientistas. Hyun alertou que um estudo como esse pode alimentar temores de um futuro em que bebês humanos serão clonados ou embriões insensivelmente criados e destruídos em pesquisas, e pediu um fortalecimento das estruturas de supervisão.
Mas Solomon disse que o estudo era "estritamente para fins terapêuticos" e apoiou uma supervisão ética estrita do procedimento. "Em nenhuma circunstância nós, ou qualquer outro grupo científico responsável, temos a intenção de usar esta técnica para a geração de seres humanos, nem isto seria possível', afirmou à AFP.
Segundo os cientistas, as células beta produzidas no estudo não podem ainda ser usadas em terapias de substituição. O sistema imunológico dos diabéticos ataca as células beta e ainda é preciso encontrar formas de protegê-las.
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Pacientes deram primeiros passos e chutes com exoesqueleto, diz Nicolelis

29/04/2014 21h58 - Atualizado em 29/04/2014 22h48

Pacientes deram primeiros passos e chutes com exoesqueleto, diz Nicolelis

Pesquisador promete fazer paraplégico chutar bola na abertura da Copa.
Segundo cientista, três pacientes inauguraram robô nesta segunda (28).

O cientista Miguel Nicolelis disse em sua página do Facebook que, nesta segunda-feira (28), três pacientes que fazem parte do projeto "Andar de Novo" deram seus primeiros passos e chutes  usando o exoesqueleto. Trata-se do equipamento que pretende fazer um jovem paraplégico dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014.
Ainda segundo Nicolelis, nesta terça-feira, o exoesqueleto deu seus primeiros passos controlados pela atividade cerebral de um paciente, que também pode experimentar a sensação tátil referente a esses movimentos.
Cerca de cem cientistas americanos, europeus e brasileiros trabalham no "Andar de Novo", liderado por Nicolelis. O projeto é resultado de uma parceria entre a Universidade Duke e instituições de Lausanne (na Suíça), Berlim e Munique (ambas na Alemanha), Natal e São Paulo.
O projeto prevê o desenvolvimento de um exoesqueleto controlado por atividades cerebrais capaz de devolver a mobilidade a pessoas paraplégicas. O paciente controlaria o equipamento como se fosse parte de seu próprio corpo por meio de uma interface cérebro-máquina.
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Imagem do exoesqueleto publicada na página de Facebook de Miguel Nicolelis (Foto: Reprodução/Facebook/Miguel Nicolelis)Imagem do exoesqueleto vestido num boneco publicada na página de Facebook de Miguel Nicolelis (Foto: Reprodução/Facebook/Miguel Nicolelis)



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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Arthur, transexual de 13 anos: “Acham que só quero chamar atenção”

Arthur, transexual de 13 anos: “Acham que só quero chamar atenção”



Arthur, transexual de 13 anos: “Acham que só quero chamar atenção”

 

Mesmo enfrentando preconceito e incompreensão fora de casa, o adolescente teve apoio total da família para assumir gênero oposto ao de nascimento


"Mãe, tirei zero na prova de História porque escrevi o meu nome social e não o de registro. A professora disse que eu tinha rasurado". Em seu primeiro contato com a reportagem do iGay, o menino Arthur Fernandes Alves já chega contando o problema pelo qual passou na escola. A situação exemplifica o tipo de percalço enfrentado por um menino transexual de 13 anos de idade, que vive em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Apesar de incomodar, um problema como esse não abate Arthur. Com seus cabelos azuis e camisa preta de banda, ele é um adolescente como muitos outros, cheio de paixões e aspirações. Além dos HQs de mangás orientais, o jovem se diverte ouvindo bandas como Green Day e My Chemical Romance.

Cabeleireiro e tatuador são as profissões que Arthur pensa seguir quando for adulto. Cursando o oitavo ano do ensino fundamental, ele aprendeu inglês e japonês estudando por conta própria em casa.

Nascido menina, Arthur se percebeu diferente já aos quatro anos de idade. "Sempre gostei de andar com os meninos, o melhor presente que ganhei na minha vida foi uma pista de carrinhos", revela o adolescente, que teve a sorte de vir ao mundo num ambiente livre de preconceitos. A mãe, Juliana da Silva Fernandes, é uma bióloga de 36 anos. Psicólogo de formação, o pai, Fabrício Alves, tem 37 e trabalha como bancário.

"Nós víamos que ele não gostava de boneca, de coisas cor-de-rosa. Aí eu dizia para quem quisesse dar presente que desse roupa para ele”, conta Juliana. No entanto, o apoio dos pais não evitou que Arthur enfrentasse o preconceito quando tinha sete anos. Na época, ele cortou os cabelos bem curtos e passou a sofrer agressões repetidas de uma colega de escola. "Ela me batia e falava que menina tinha que gostar de rosa e ter cabelo comprido", relata o adolescente, sem disfarçar a tristeza.

Juliana lembra que este momento marcou o início de uma fase de isolamento do filho. "A partir daí, ele foi ficando introspectivo. Com doze anos, já não falava com ninguém. Começou a se cortar nos braços e falava que tinha um grande segredo", narra a mãe, que decidiu então, juntamente com o marido, procurar ajuda de um psicólogo.

CONVERSA DEFINITIVA

Mesmo com acompanhamento psicológico, Arthur não conseguiu se abrir e revelar o que o afligia. Juliana viu que era o caso de ter uma conversa definitiva com o filho. "Foi mais de uma hora conversando. Quando ele me falou que o segredo era a identidade de gênero, fiquei aliviada. Eu tinha medo que fosse algo ruim, que ele tivesse sido abusado sexualmente", explica ela, que àquela altura já tinha procurado a ajuda de três profissionais diferentes. “Nenhum deles explicava nada, falavam que era fruto da separação temporária que eu e o pai do Arthur tivemos. Mas a gente sabia que não era.”

Arthur, transexual de 13 anos: “Acham que só quero chamar atenção”

O alívio proporcionado pela conversa foi tamanho que o adolescente saiu do quarto sem o nome feminino com o qual foi batizado. Inspirado no vocalista do My Chemical Romance,Gerard Arthur Way, ele escolheu ser chamado de Arthur.
Assumindo a identidade masculina, Arthur mudou o guarda-roupa, adotou camisetas de banda como seu uniforme e passou a usar uma faixa elástica para esconder os seios. "Minhas amigas usam dois sutiãs para ter peitos e eu um colete e duas camisetas para não ter", ironiza o adolescente, que mudou também de nome nas redes sociais.

“Foi tudo muito tranquilo, os irmãos dele me corrigiam no começo porque eu continuava chamando pelo nome antigo sem querer”, admite Juliana, que divide a compreensão serena da transexualidade de Arthur com o marido. “Ele é meu filho e vai ser sempre amado, não tem porque não ser assim”, afirma Fabrício.

O pai se incomoda apenas com a incompreensão de muitas pessoas com assunto. “Queremos valer o que é de direito do Arthur. Alguns funcionários e professores se recusam a chamar o Arthur pelo nome, mesmo com a lei que os obriga, então queremos tentar fazer a alteração do nome nos documentos”, argumenta Fabrício, referindo-se à lei estadual paulista 10.948/01, que pune atos de homofobia e obriga estabelecimentos e instituições a respeitar o nome social dos transexuais.

FALTA INFORMAÇÃO E PREPARO

Fabricio, Juliana e Arthur percebem a falta de conhecimento como fator desencadeador do preconceito. “Só encontramos informações muito fragmentadas em blogs, sites e poucos livros. E o que há disponível não fala sobre os transgêneros nesta idade”, reclama a mãe.

O pai vai além e aponta o despreparo do Sistema Único de Saúde para lidar com a questão. “O SUS em tese cobre a cirurgia de adequação de gênero, mas os postos de saúde não têm ideia do que se trata. Os programas de atendimento ficam concentrados em São Paulo.”

Arthur, transexual de 13 anos: “Acham que só quero chamar atenção”

“Eu sei que é difícil para todos os transexuais. Mas para mim, às vezes, parece pior. Porque ninguém me leva a sério, acham que só quero chamar atenção”, desabafa Arthur, que sente o preconceito em atos prosaicos como a ida ao banheiro da escola. O adolescente usa o toalete dos professores, por não se sentir confortável em usar o dos meninos.

“Apesar de mais aberta ao debate, a escola tem algumas limitações. A diretora é ótima, muitos professores respeitam. Mas tivemos que abrir algumas concessões, como a questão do banheiro, mas vamos resolver”, pondera Juliana. Arthur faz questão de ressaltar, no entanto, que recebe muito apoio dos colegas.

“Sempre que um professor me trata de maneira errada, meus amigos corrigem. Meu namorado também não tem problemas com a questão. Sei que tenho muita sorte pela minha família que me aceita”, constata Arthur, exibindo uma maturidade pouco comum a meninos de sua idade.

O namorado de Arthur tem o carinho de toda a família. “Ele é um amor, não tenho do que reclamar. Infelizmente, temos tido alguns problemas com a família dele, mas nem todo mundo lida bem. Com o Arthur, a gente sabe que tem um preconceito duplo, porque além de transexual, ele é gay”, se resigna a mãe.

Vem da bisavó do jovem de cabelos azuis o argumento para desfazer a incompreensão com o diferente. “Minha avó de 85 anos, que é bisa do Arthur, disse uma única coisa sobre o assunto: ‘Menino ou menina, o amor é o mesmo’”, relata Juliana. Quem passa algum tempo com a família Fernandes Alves não tem dúvida disso.



Fonte: iGay




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Nascituro tem personalidade jurídica, decide STJ português

Notícias

abril
2014
INÍCIO DA VIDA

Nascituro tem personalidade jurídica, decide STJ português



“O nascituro é um ser humano vivo com toda a dignidade que é própria à pessoa humana. Não é uma coisa. Não é uma víscera da mãe.” A afirmação é do estudioso Pedro Pais de Vasconcelos, professor na Faculdade de Direito de Lisboa, e foi usada como fundamento pelo Supremo Tribunal de Justiça de Portugal para decidir que um bebê tem direito de receber indenização por danos morais porque seu pai morreu antes dele nascer.
No julgamento, o STJ reconheceu em Portugal que, desde o momento da concepção até a morte, existe vida com personalidade jurídica, que deve ser protegida pelo Estado. Pelo entendimento consolidado, não cabe à lei nenhuma retirar qualquer direito de um nascituro.
O processo julgado trata do drama vivido por uma família: pai, mãe grávida e um filho de um ano e meio. O pai se envolveu em um acidente de trânsito e morreu. Era ele que sustentava toda a família, já que a mulher não trabalhava e ficava em casa para cuidar do filho. Dezoito dias depois da morte, nasceu a filha do casal.
Diante da situação, a mulher recorreu à Justiça pedindo indenização por danos materiais e morais para ela e para os filhos. Os danos materiais foram reconhecidos para os três, mas o direito de reparação por danos morais foi negado à filha, que ainda não tinha nascido no momento do acidente. O argumento usado pela segunda instância foi o de que, pelo Código Civil português, uma pessoa só adquire personalidade jurídica a partir do nascimento. Antes disso, não.
A discussão girou em torno da interpretação do artigo 66 do Código Civil de Portugal. O dispositivo estabelece: “A personalidade adquire-se no momento do nascimento completo e com vida. Os direitos que a lei reconhece aos nascituros dependem do seu nascimento”. Para o tribunal de segunda instância, o artigo deixa claro que o nascituro não tem personalidade jurídica e não pode, por isso, ter a sua dignidade ofendida.
Os juízes do STJ, no entanto, entenderam de maneira diferente. Eles foram buscar na doutrina do Direito Civil uma interpretação menos literal ao dispositivo. Concluíram que a partir do momento da concepção, já existe um ser humano dotado de personalidade jurídica. Não cabe à lei retirar esse direito.
Direito em potencial
Assim, o que o artigo 66 do Código Civil estabelece é o momento que começa a capacidade jurídica, e não a personalidade. Isso significa que, enquanto ainda está no útero, o feto tem direito em potencial, que vai se consumar no momento em que nascer com vida. A partir daí, pode buscar reparação por danos vividos enquanto ainda estava no útero da mãe.

Por esse entendimento, um bebê pode pedir indenização se for prejudicado por algo que a mãe fez durante a gestação. Por exemplo, se a gestante consome álcool e isso gera problemas ao feto, depois do nascimento, ele tem o direito de ser reparado pelo dano sofrido. O assunto está sendo analisado pela Justiça da Inglaterra também, que vai decidir se mulheres que fumam ou ingerem álcool durante a gravidez podem ser condenadas criminalmente (clique aqui para ler mais).
“O nascituro não é uma simples massa orgânica, uma parte do organismo da mãe ou, na clássica expressão latina, uma portio viscerum matris, mas um ser humano (ente humano) e, por isso, já com a dignidade da pessoa humana, independentemente de as ordens jurídicas de cada Estado lhe reconhecerem ou não personificação jurídica e da amplitude com que o conceito legal de personalidade jurídica possa ser perspectivado”, diz trecho da decisão do STJ português.
O tribunal citou doutrinadores que afirmam que o nascimento é apenas mais um marco na vida de uma pessoa, e não o seu início. Por essa teoria, a vida começa na concepção. O nascimento significa apenas que o feto vai passar a se relacionar com outras pessoas, além da sua mãe, e continuar progredindo para se tornar, de fato, um ser humano independente.
Ao decidir, a corte ainda considerou que seria discriminação negar indenização para a filha que não tinha nascido quando o pai morreu, mas garantir ao outro filho. A Constituição de Portugal garante a igualdade entre todos os filhos de um casal.
Clique aqui para ler a decisão.

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'Olho biônico' devolve visão parcial a portadores de doença degenerativa

23/04/2014 18h07 - Atualizado em 23/04/2014 18h07

'Olho biônico' devolve visão parcial a portadores de doença degenerativa

Câmera ligada a células da retina permite que pacientes enxerguem.
Retinite pigmentosa faz perder a visão progressivamente.

Da AP
Roger Pontz testa o 'olho biônico' em clínica no Kellogg Eye Center (Foto: AP)Roger Pontz testa o 'olho biônico' em clínica no Kellogg Eye Center (Foto: AP)
Roger Pontz lentamente perdeu a visão devido a uma doença degenerativa do olho. Depois que ele foi diagnosticado com retinite pigmentosa como adolescente, Pontz ficou quase completamente cego.
Agora, graças a um procedimento de alta tecnologia que envolve a implantação cirúrgica de um “olho biônico",  ele se recuperou o suficiente para ver com limitações sua esposa, neto e gato de estimação.
Equipamento estimula células da retina que ainda funcionam (Foto: AP)
Equipamento estimula células da retina que ainda
funcionam (Foto: AP)
"É maravilhoso . É emocionante ver algo novo a cada dia", disse Pontz durante uma entrevista recente no Kellogg Eye Center da Universidade de Michigan. Este centro médico na cidade de Ann Arbor, foi palco das únicas quatro cirurgias deste tipo aprovadas pela Administração para Drogas e Alimentos (FDA).
Retinite pigmentosa é uma doença hereditária que provoca queda lenta e progressiva da visão devido a uma perda progressiva das células sensíveis à luz chamadas bastonetes e cones, que ficam na retina .
Os pacientes têm perda da visão periférica , deixam de enxergar à noite e , em seguida, perdem a chamada visão de túnel , deixando-os  quase cegos.
Nos Estados Unidos , nem todas as cerca de 100 mil pessoas que têm retinite pigmentosa podem se beneficiar de um olho biônico. Segundo estimativas, cerca de 10.000 pessoas têm uma visão muito limitada, disse o Dr. Brian Mech, executivo do fabricante do equipamento, a Second Sight Medical Products Inc. , localizada em Sylmar , na Califórnia. Deste número, 7.500 são candidatos a cirurgia.
O implante artificial no olho esquerdo de Pontz é parte de um sistema que inclui uma câmera de vídeo e um pequeno transmissor alojado em um par de óculos. As imagens da câmera são convertidas em impulsos elétricos transmitidos sem fios a uma rede de eletrodos colocados na superfície da retina.
Os impulsos estimulam as células saudáveis restantes na retina e transmitem o sinal para o nervo ótico. A informação visual , em seguida, viaja para o cérebro, onde é decodificada em padrões de luz que podem ser reconhecidos e interpretados, permitindo ao paciente recuperar alguma função visual.
Ao usar os óculos, que Pontz descreve como seus "olhos", ele pode identificar seu gato ou reconhecer que um flash de luz é o seu neto que vai rapidamente para a cozinha. Pontz diz que o olho biônico "mudou sua vida". “Posso andar pela casa com facilidade. Se isso é tudo que posso conseguir, é fabuloso. "



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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Casal de lésbicas consegue registrar no hospital, filho em nome das duas

21/04/2014:

Casal de lésbicas obteve em Goiânia sentença que obriga o hospital no qual uma delas dará à luz nos próximos dias a emitir a Declaração de Nascido Vivo da criança em nome das duas: Thaise Prudente, a mãe gestacional, e Michelle Almeida, que doou o óvulo.

A juíza que analisou o caso determinou também que o cartório emita a certidão de nascimento com o nome das duas e também dos respectivos avós maternos. A decisão é considerada um avanço, já que desta vez a declaração com o nome das duas mães será dada no hospital. Até então, o documento trazia só o nome da que gerava o bebê.

E o casal era obrigado a recorrer ao Judiciário para incluir o nome da outra mãe na certidão de nascimento emitida em cartório. A OAB informou que a decisão será encaminhada ao Conselho Nacional de Justiça para que o registro com duas mães ou dois pais seja objeto de resolução, como ocorreu com o casamento gay.

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Após 6 anos morando em hospital do RS, menino irá para casa pela 1ª vez

16/04/2014 06h00 - Atualizado em 16/04/2014 09h18

Após 6 anos morando em hospital do RS, menino irá para casa pela 1ª vez

Roger Inácio Dutra da Silva, de 6 anos, é portador de Síndrome de Down.
Menino vivia com a mãe em ala pediátrica de instituição de Porto Alegre.

Rafaella Fraga
Do G1 RS



Roger completa 7 anos no próximo dia 20 de julho (Foto: Arquivo pessoal)Roger vai festejar o aniversário de 7 anos no próximo dia 20 de julho em casa (Foto: Arquivo pessoal)
Após seis anos vivendo em hospitais de Porto Alegre, o menino Roger Inácio Dutra da Silva, de 6 anos, finalmente vai para casa. O garotinho, que é portador de Síndrome de Down, sofreu uma séria complicação intestinal no primeiro ano de vida. O problema o levou a uma cirurgia em que teve parte do intestino removido. Após anos de luta pela sobrevivência ao lado da mãe e de uma equipe de médicos, ele terá alta nos próximos dias.
Em função da retirada de parte do intestino, Roger ficou dependente de nutrição parenteral (dieta pela veia) e por isso nunca tinha tido a chance de conviver com a família em casa em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. No primeiro ano de vida e após a cirurgia, ficou internado no Hospital da Ulbra. Há cinco anos, a mãe Eva Flores Dutra, 46 anos, vive entre os corredores e a ala pediátrica do Hospital São Lucas da PUCRS.


Do lado de fora do hospital, ela recebe o apoio do marido Sílvio Dias da Silva, 49 anos, e da filha Carolina Dutra Machado, 19 anos. A família já tem uma nova casa para morar. “Seremos vizinhas [mãe e filha]. Ela alugou uma casa para mim, meu marido e o Roger, bem perto de onde ela mora. Para falar a verdade, nem conheço a casa ainda. Mas estou muito feliz”, afirma Eva.

“Na verdade, estou um pouco preocupada, porque moro aqui com ele há muito tempo. Mas ele está super bem, e ele tem que viver. Eu estou superando meus medos agora. Espero que tudo dê certo”, disse a artesã ao G1. Sua fonte de renda são objetos de artesanato e crochê. “Dá pra tirar um dinheirinho por mês. Mas a minha freguesia é toda aqui do hospital, então terei que continuar trabalhando para pagar o aluguel da nova casa”, relata a mãe.
Roger terá alta do hospital após a Páscoa (Foto: Arquivo pessoal)
Roger terá alta do hospital em Porto Alegre após
a Páscoa (Foto: Arquivo pessoal)
Campanha na internet ajuda família
Há 20 dias, os médicos liberaram Roger da alimentação que recebia direto na veia. Agora ele se alimenta por meio de uma sonda. “Da parte de saúde ele está bem, progredindo muito. Ele nunca esteve assim na vida”, avalia a médica pediatra Ana Paula Vaz, que há anos acompanha a rotina de mãe e filho. “Conheço o Roger e a dona Eva desde que eu era acadêmica. Acompanhei muita coisa que ele passou, desde que já esteve muito mal na UTI e tudo. Eles são como parte da família”, comenta Ana Paula.

Para ajudar a mobiliar a nova casa da família, uma campanha iniciada entre os médicos ganhou as redes sociais. A corrente de solidariedade tem arrecadado todos os tipos de utensílios domésticos para o novo lar. “Estamos recebendo de tudo. Móveis, eletrodomésticos como geladeira e fogão. Tudo para que eles possam montar a nova casinha deles. Mas ainda faltam alguns itens até simples, como material de limpeza”, explica a médica.
Assim, Roger vai festejar o aniversário de 7 anos no próximo dia 20 de julho pela primeira vez em casa. As doações podem ser feitas diretamente no Hospital da PUCRS (Av. Ipiranga, 6690), no Serviço de Pediatria, localizado no 5º andar do prédio. Para objetos de maior volume como móveis e eletrodomésticos, os interessados podem entrar em contato para combinar uma data para entrega. Informações podem ser obtidas no telefone (51) 3320-3000, ramal 2270.








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Médicos dos EUA implantam vagina construída em laboratório

Médicos dos EUA implantam vagina construída em laboratório

Atualizado em  11 de abril, 2014 - 11:54 (Brasília) 14:54 GMT
Foto: Wake Forest Institute for Regenerative Medicine
Exames da região pélvica das pacientes foram usados para criar um molde em formato de tubo, em 3D
Um grupo de médicos americanos conseguiu implantar vaginas criadas em laboratório em quatro mulheres.
Os médicos do Centro Médico do Hospital Wake Forest, no Estado americano da Carolina do Norte, usaram uma tecnologia pioneira retirando amostras de tecido das mulheres e construindo em laboratório a parte implantada a partir de um molde biodegradável.

Os especialistas afirmam que o estudo, publicado na revista especializada Lancet, é a última amostra dos avanços em medicina regenerativa.Depois do implante, as pacientes relataram níveis normais de "desejo, excitação, lubrificação, orgasmo e satisfação", além de não terem relatado dor durante a relação.

O tecido artificial foi implantando em pacientes que sofriam de má formação dos órgãos genitais. A formação incompleta se dá, geralmente, ainda durante a gestação, o que pode acarretar outros problemas na vida adulta dessas mulheres, como anormalidades em órgãos reprodutivos. Duas das pacientes, por exemplo, tinham as vaginas conectadas ao útero.
Agora, depois do implante, elas relatam vida sexual normal. Ainda não ocorreram casos de gravidez, mas em teoria isto é possível.

Tratamentos atuais e inovação

Os tratamentos usados atualmente para este tipo de problemas podem envolver cirurgias complicadas para a criação de uma cavidade que é revestida com partes do intestino ou enxertos de pele.
O novo tratamento foi iniciado pelos médicos do Hospital Wake Forest quando as pacientes ainda estavam na adolescência.
O primeiro implante ocorreu há oito anos.
Foto: Wake Forest Institute for Regenerative Medicine
Cientistas revestiram o molde biodegradável com células
A região pélvica das jovens foi escaneada e as imagens foram usadas para criar um molde em 3D para cada paciente.
Uma pequena amostra de tecido retirada da vulva de cada uma, que não tinha se desenvolvido normalmente, foi então cultivada para a criação de novas células em laboratório.
Células musculares foram implantadas do lado de fora do molde e células da parte interna da vagina na parte de dentro. Os moldes com as células foram mantidos em um reator biológico para alcançar o tamanho desejado e, depois, implantados cirurgicamente em cada uma das pacientes.
Uma das pacientes, que deu entrevista sem revelar o nome, afirmou que se sente "muito feliz, pois agora tenho uma vida normal, completamente normal".
"Realmente, pela primeira vez criamos um órgão inteiro que nunca esteve lá, foi um desafio", disse à BBC Anthony Atala, diretor do Instituto de Medicina Regenerativa do Wake Forest.
O médico afirmou que ter uma vagina normal era "algo muito importante" para as vidas das pacientes e testemunhar a diferença que o tratamento fez "foi muito gratificante".
Enquanto os médicos americanos relatavam o sucesso do implante de vaginas criadas em laboratórios, pesquisadores da Universidade de Basel, na Suíça, usaram uma técnica parecida para reconstruir o nariz em vários pacientes que sofriam de câncer de pele.
O implante poderá substituir as cartilagens retiradas das costelas ou das orelhas para reconstruir o dano causado ao tecido depois da retirada de um câncer.
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CEBID - Centro de Estudos em Biodireito