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terça-feira, 21 de março de 2017

Advogada transexual recebe carteira da OAB-PE com seu nome social

PIONEIRA NO NORDESTE

Advogada transexual recebe carteira da OAB-PE com seu nome social



A seccional de Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil permitiu que a advogada transexual Robeyoncé Lima usasse seu nome social em sua carteira profissional. O direito é assegurado pela Resolução 5/2016 do Conselho Federal da OAB.
Advogada Robeyoncé Lima espera abrir as portas da OAB para minorias discriminadas
OAB-PE
A advogada tem 28 anos e foi aprovada no Exame da Ordem em 2016. Ela foi a primeira aluna da Faculdade de Direito do Recife a solicitar o uso do nome social. Em seu discurso, Robeyoncé relembrou os casos de homicídios causados por homofobia e agradeceu à OAB-PE pelo reconhecimento de sua identidade.
“O que mais me faz feliz é estar abrindo as portas da OAB para negros, periféricos, travestis e trans que querem advogar por uma sociedade mais justa”, disse. “O respeito não é uma escolha, o respeito é um dever”, acrescentou a nova advogada.
O presidente da OAB-PE, Ronnie Duarte, parabenizou a conquista de Robeyoncé, marco na história da advocacia pernambucana. “É com grande satisfação que a OAB dá esse passo concreto na promoção de uma efetiva igualdade. Nós esperamos que gestos como esses sejam percebidos pela sociedade civil e sejam replicados. Esperamos trazer a tolerância e o amor para nossas casas”, pontuou. Ronnie Duarte também convidou Robeyoncé para ser a oradora da próxima turma que irá prestar juramento na OAB-PE.
“A OAB dá um grande exemplo a todas as entidades públicas e privadas. A identidade de gênero é algo fundamental, é o reconhecimento da dignidade. O respeito tem que ser praticado todos os dias”, afirmou a presidente da Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-PE, Goretti Soares.
O vice-presidente da OAB-PE, Leonardo Accioly, também comemorou o reconhecimento da identidade de gênero de Robeyoncé. “O dia de hoje representa a quebra de uma barreira quando possibilita uma advogada usar seu nome social. Em um momento de construção de tantos muros, estamos construindo pontes”, frisou.
Tendência
Robeyoncé Lima é a segunda advogada a ter esse direito reconhecido no Brasil. O primeiro caso veio de São Paulo, onde a advogada 
Márcia Rocha teve sua certidão da OAB-SP com o registro do nome social. A inclusão é uma iniciativa da seccional, que encaminhou o pleito aprovado por unanimidade pelo Conselho Federal da OAB e entrou em vigor em janeiro neste ano.

Com a certidão em mãos, a advogada Márcia Rocha, nome social de Marcos Cezar Fazzini da Rocha, agradeceu o apoio dos colegas e se emocionou. “Morrem pessoas todos os dias por conta unicamente do preconceito. Portanto, a possibilidade de fazer com que as pessoas pensem sobre esse assunto e nos vejam enquanto seres humanos, capazes de trabalhar e de exercer uma profissão com seriedade, como é a advocacia, eu acho extremamente importante”, celebrou.
Administração pública
Travestis e transexuais que trabalham na Administração Pública federal podem ter seu nome social descrito em crachás e demais formulários funcionais desde 2016.

O decreto assinado pela então presidente Dilma Rousseff estabelece que o nome social configura a designação pela qual a pessoa se identifica e é socialmente reconhecida. Já a de gênero trata da dimensão da identidade no que diz respeito à forma como ela se relaciona com as representações de masculinidade e feminilidade e como isso se traduz em sua prática social, sem relação necessária com o sexo atribuído no nascimento.

Também no ano passado, o Conselho Nacional de Justiça fez consulta pública sobre proposta de resolução para regulamentar, em serviços judiciários, o uso do nome social por pessoas com identificação civil diferente de sua identidade de gênero.
A proposta a ser analisada garante o uso do nome social a “pessoas trans, travestis e transexuais usuárias dos serviços judiciários, aos magistrados e magistradas, aos estagiários, aos servidores e trabalhadores terceirizados do Poder Judiciário em seus registros, sistemas e documentos”. No caso dos colaboradores, o uso do nome social pode ser solicitado no momento da posse ou a qualquer tempo. Contudo, a norma não foi aprovada até o momento. Com informações da Assessoria de Imprensa da OAB-PE.


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A chocante história do idoso sem memória com sotaque americano encontrado na Inglaterra Idoso com sotaque americano foi encontrado nas ruas da cidade britânica de Hereford.


A chocante história do idoso sem memória com sotaqueamericano encontrado na InglaterraIdoso com sotaque americano foi encontrado nas ruas dacidade britânica de Hereford.


Por Darragh MacIntyre, BBC




Caso despertou grande curiosidade na Grã-Bretanha (Foto: BBC)




Policiais e assistentes sociais ficaram perplexos quando um idoso com sotaque americano foi encontrado nas ruas da cidade britânica de Hereford. Ele não sabia quem era, não tinha documentos, mas vestia roupas novas. A busca para descobrir sua identidade teve resultados imprevisíveis.
O homem foi encontrado num estacionamento de ônibus em 7 de novembro de 2015. Exames do hospital municipal mostraram por que ele não era capaz de dizer quem era - ele sofria de demência.
A policial Sarah Bennett recebeu a missão de descobrir quem era o homem misterioso. De início, achou que seria apenas uma formalidade. Pacientes com demência regularmente se perdem, e a maioria é encontrada em questão de horas.
Quando consultou a lista de pessoas desaparecidas na região, não havia ninguém com as descrições do homem. Ela, então, expandiu a busca para o território nacional.
A polícia analisou gravações de câmeras de segurança, lançou um apelo à imprensa, contactou a agência nacional de crime e a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). Ela ainda checou bancos de dados de pessoas desaparecidas do Reino Unido e no exterior e consultou autoridades canadenses e norte-americanas.



O homem abandonado no hospital (Foto: BBC)


Repetidamente perguntavam-lhe seu nome no hospital. Uma vez, ele respondeu "Roger Curry". A polícia estava ciente de que este poderia não ser seu nome - poderia ser, por exemplo, o de alguém de seu passado.
Mesmo assim, ele foi chamado de Roger pelos funcionários do lar para idoso para o qual tinha sido encaminhado durante as investigações.
Meses se passaram, e a polícia ainda não tinha ideia da identidade de Roger. Eles investigaram uma série de possibilidades. Será que teria acontecido algo com os responsáveis por seus cuidados? Teriam morrido e Roger simplesmente se perdido?
"Temos uma pessoa. Temos um nome possível, e nada mais. Não temos documento de identidade, nenhuma indicação de onde ele é", disse a sargento Bennett.
Em uma tarde em março de 2016, eu visitei Roger na residência de idosos. Ele parecia contente, embora estivesse claramente perdido em seu próprio mundo. Perguntei seu nome e de onde ele era. Mas as perguntas se dissipavam.
Roger estava claramente recebendo bons cuidados. Os funcionários tinham se afeiçoado pelo senhor que gostava de muffins de chocolate e um sherry à noite.






Diretora do centro disse que Roger era uma 'tela em branco', e que seria triste se ele fosse identificado e deixasse o local: 'Será devastador, porque ele é o 'nosso Roger'' (Foto: BBC)

Amanda Bow, diretora do centro, disse que eles não sabiam nada sobre Roger. "Ele é uma tela em branco", me disse ela. Mas afirmou também que lágrimas correriam se ele fosse identificado e deixasse o local. "Será devastador, porque ele é o 'nosso Roger'. Nós os adotamos".
Primeiras pistas
Pouco tempo depois, a BBC divulgou um novo apelo, o que levou à primeira importante descoberta.
A notícia teve repercussão e inspirou nas redes sociais um pequeno exército de "detetives" para investigar o caso.
Um post na página do Facebook da BBC era particularmente intrigante. Uma mulher chamada Debbie Cocker postou uma fotografia de um homem chamado Earl Roger Curry, no anuário do Ensino Médio, em 1958, nos EUA. A fotografia era de um jovem de 18 anos. Ele parecia com Roger e era da mesma idade.
A fotografia do anuário era da escola Edmonds, no norte de Seattle, no Estado de Washington.
Eu viajei ao encontro de uma mulher, chamada Helen, que cuidava da página na internet da classe de 1958 da escola Edmonds. Seu marido Jim tinha estado na mesma classe que Roger.


Internautas nos EUA descobriram um 'Roger Curry' em anuário de escola (Foto: BBC)

Tanto Helen quanto Jim acreditavam que aquele jovem no anuário era a mesma pessoa desconhecida no centro de idosos da Inglaterra.
Nas semanas seguintes, eu rastreei Earl Roger Curry nos Estados Unidos até chegar a uma casa em Los Angeles, numa região chamada Whittier. Era um subúrbio americano clássico (o filme De Volta para o Futuro foi filmado ali), e a rua onde eu achava que Roger vivia era habitada pelo que parecia uma respeitável classe média.
Mas a casa de Earl Roger Curry se destacava. Ela tinha sido em parte destruída pelo fogo e abandonada.
Jerry Maiques vive na casa em frente à do velho Curry. Mostrei uma fotografia de Roger tirada na Inglaterra.
"Este é o Roger", disse ele, sem hesitação. "Sem dúvida". Outro vizinho também o reconheceu.
Era o fim de uma busca, mas marcava o início de outra missão - descobrir como Roger foi aparentemente abandonado em outra parte do mundo. Ninguém na localidade imaginaria que ele teria viajado sozinho para a Inglaterra.
Todo mundo com quem falamos tinha apenas coisas boas para falar de Roger. Outra vizinha, Jennifer Apon, disse: "Eu o via ir e vir do trabalho. Ele usava roupa branca, então sabia que era enfermeiro".

Ela gostava de Roger: "Ele parecia um homem de família gentil, e eu tinha uma boa opinião dele".


A casa dos Currys, em um bairro de Los Angeles, tinha sido parcialmente destruída pelo fogo (Foto: BBC)

Quanto mais nós conversávamos, mais aprendia sobre ele. Roger era casado e tinha dois filhos adultos, mas problemas e a doença assombravam a família. Além da demência de Roger, sua mulher Mary Jo também não estava bem. O filho Kevin foi cuidador de Roger nos últimos anos, mas há algum tempo não era mais bem-vindo na casa da família.
Zania, a vizinha, descreveu o relacionamento entre Kevin e seus pais como "volátil".
"Você podia ouvi-lo (Kevin) a qualquer hora da noite batendo à porta tentando entrar e gritando palavrões. Temíamos pela segurança da família", ela disse.
Em 2014, a casa deles foi parcialmente destruída pelo fogo e interditada por autoridades locais. Ninguém estava em casa na hora do fogo, e Roger e sua mulher se mudaram - os vizinhos não viram o casal até uma manhã de agosto de 2015.
Pouco depois das 6h desse dia, Jerry viu Roger andando sem rumo atrás da cerca da casa da família. Jerry escalou a cerca e encontrou Marry Jo deitada num colchão inflável no jardim da casa incendiada.
Havia uma caixa térmica com comida e água por perto. O casal estava preso atrás de um cercado e não podia sair, então Jerry chamou a polícia.

Descobriram que Kevin trazia comida e era suspeito de trancá-los atrás do portão. Mas Kevin não foi processado. Sua mãe disse à polícia que era sua ideia. Não fizeram mais nada sobre o caso.

Em uma manhã de agosto de 2016, o vizinho Jerry chamou a polícia após encontrar Marry Jo e Roger presos em um cercado na casa destruída pelo fogo (Foto: BBC)


Tudo isso aconteceu apenas três meses antes de Roger ter sido encontrado na Ingaterra.
Enquanto eu conversava com Jerry do lado de fora de sua casa, ele notou que Kevin e Mary Jo estacionavam do lado aposto da rua. Ao sair do veículo, Mary Jo nos viu e ficou assustada. Kevin nos encarou e em seguida eles foram embora rapidamente com o carro.
Descobriu-se que Kevin era um sujeito complicado. Uma ordem de restrição tinha sido pedida contra ele pelo pai há 17 anos. Será que Kevin teria abandonado o pai na Inglaterra?
Esse tipo de caso não é inédito nos Estados Unidos. Eles chamam isso de "granny dumping" (algo como "descarte ou abandono da vovó"), que significa abandonar seus parentes idosos em algum local para evitar custos médicos.
Telefonei e escrevi para Kevin. Ele não retornou. Mas consegui encontrar sua irmã, Jeanette, que estava afastada da família há alguns anos.
A mulher de 27 anos ficou chateada quando contei sobre seu pai. Ela não sabia que ele estava na Inglaterra, mas acreditava que Kevin poderia ter feito isso. Sua maior preocupação era que o pai voltasse a Los Angeles. Até onde ela sabia, Roger estava seguro e bem na Inglaterra.
FBI e prisão
De volta ao Reino Unido, as autoridades foram atualizadas dos novos fatos. Em dois dias, um homem foi preso na Inglaterra. Assistentes sociais americanos e o FBI foram incluídos na investigação.
Em julho de 2016, Roger Curry foi levado do local em que viveu por oito meses de volta aos Estados Unidos.
Há poucas semanas, eu voei novamente para Los Angeles.
Roger estava agora vivendo em um centro de idosos a poucos quilômetros de sua antiga residência. Eu entrei no local, mas não o reconheci. Ele parecia descuidado - sem tomar banho e mais magro do que me lembrava. Ele também tinha um corte na cabeça.
Quando o visitei pela segunda vez, ele parecia melhor, com a barba feita e limpo. Mas entrei sem supervisão e não parecia haver nada que impedisse que Roger saísse vagando pela rua.
Ainda não sabia como ele tinha viajado para a Inglaterra, mas acreditava que seu filho Kevin saberia a verdade. Encontrei-o no que restava da casa da família. Primeiro ele se escondeu de mim na propriedade, mas depois concordou em responder minhas perguntas.
Ele me chamou para o lado da cerca para conversar, mas o que me contou, do outro lado da cerca, fazia pouco sentido. Ele negou que tivesse algo a ver com o abandono do pai na Inglaterra. Ele disse que seu pai ficou doente quando a família estava visitando o país de férias e que pediu a alguém para levá-lo ao hospital.
Mas por que ele não tinha tentado encontrar o pai?
Quando emergiu da cerca, ele cobriu o rosto com o casaco. Pedi para entrevistá-lo de forma normal, mas ele passou a me acusar de assediá-lo antes de partir em seu carro - muito devagar, ele parecia não poder ver direito para onde estava indo. Foi a mais estranha das escapadas.
O futuro de Roger está sendo decidido agora pela Justiça americana. Autoridades de Los Angeles assumiram o controle por seus cuidados. Isso foi questionado por Kevin e sua mãe, mas documentos legais mostram que autoridades o acusam de levar Roger ao Reino Unido e abandoná-lo.
Sabemos hoje que os três voaram para o Reino Unido em novembro de 2015, mas apenas dois voltaram para casa. Um idoso vulnerável foi abandonado no exterior pela família.
O mistério foi resolvido. Mas este não é exatamente um final feliz para a história de Roger. Fui embora me perguntando se ele não estaria melhor se sua identidade não fosse descoberta.




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Computador que 'lê' pensamentos permite a pacientes com paralisia total se comunicar

Computador que 'lê' pensamentos permite a pacientes com paralisia total se comunicar

  • 1 fevereiro 2017
Completely locked in patientDireito de imagemWYSS CENTER
Image captionA 'paciente W' foi uma das pessoas que participaram do estudo
Pacientes sem qualquer controle sobre seus corpos finalmente foram capazes de se comunicar, dizem cientistas.
Um computador foi usado para "ler" seus pensamentos em busca de respostas básicas como "sim" e "não" - inclusive, um dos participantes do estudo se recusou diversas vezes a dar permissão para que sua filha casasse.
O estudo, realizado na Suíça e divulgado no periódico científico PLOS Biology, indicou qua a técnica trouxe uma grande melhora para a vida dos quatro pacientes que testaram a tecnologia.
Eles têm esclerose lateral amiotrófica em estágio avançado, e seus cérebros perderam a capacidade de controlar os músculos. Isso os deixou presos em seus corpos. Eles são capazes de pensar, mas não se movem ou falam.
Muitas vezes nesses casos, é possível desenvolver formas de comunicação com base nos movimentos dos olhos. Mas todos os pacientes da pesquisa realizada pelo Wyss Center não conseguiam fazer nem mais isso.

Sinais

A atividade das células cerebrais muda os níveis de oxigênio do corpo, alterando assim a cor do sangue.
Os cientistas conseguiram detectar a coloração sanguínea no interior do cérebro por meio de uma técnica chamada espectroscopia de infravermelho.
Eles fizeram então perguntas de respostas tipo "sim" e "não", tipo "O nome de seu marido é Joaquim?", para treinar o computador na interpretação dos sinais cerebrais.
A precisão do sistema chegou a 75%, o que significa que os pacientes precisam ser questionados várias vezes para se ter certeza de suas respostas.
"Isso faz uma diferença enorme em sua qualidade de vida", diz o pesquisador Ujwal Chaudhary, um dos cientistas que participou do estudo.
NeurôniosDireito de imagemTHINKSTOCK
Image captionSistema detecta mudanças na cor do sangue no cérebro para identificar respostas dos pacientes
"Imagine se você não tem nenhuma forma de se comunicar e passa a poder dizer 'sim' ou 'não'. O impacto é enorme."
Em um dos casos, a filha de um paciente pediu benção de seu pai para se casar com o namorado. Mas oito das dez respostas foram negativas.
"Não sabemos por que ele disse 'não'. Mas ela se casou mesmo assim", diz Chaudhary.
Essa forma de comunicação está sendo usada para fins mais práticos ligados ao dia a dia, como para saber se um paciente está sentindo dor ou quer receber uma visita da família.
"Se uma pessoa está totalmente presa em seu corpo, isso liberta sua mente e permite que ela interaja com o mundo à sua volta", diz John Donoghue, diretor do Wyss Center. "Isso é incrível."



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terça-feira, 14 de março de 2017

Está tudo na sua cabeça’: o preconceito contra doenças cuja causa é emocional e não física




Neurologista premiada afirma que médicos e doentes reagem com descrença

quando corpo reage fisicamente às emoções.


Neurologista Suzanne O'Sullivan se interessou pelas doenças psicossomáticas quando verificou que não havia uma causa física para os sintomas de vários dos seus pacientes (Foto: Suzanne O'Sullivan)

A urologista irlandesa Suzanne O'Sullivan conheceu Yvonne assim que se formou em medicina. A paciente estava cega, e não havia uma causa física para o problema - era uma manifestação do estresse emocional.
Mas o que faz com que nosso corpo manifeste os sintomas de uma doença que não temos?
E mais: por que mascaramos com dor, fraqueza ou paralisia o que na verdade é emoção?
Yvonne, de 40 anos, tinha entrado no hospital no dia anterior, depois que um colega de trabalho acertara um produto de limpeza nos seus olhos.
Sucessivas lavagens não aliviaram a dor e a irritação dos olhos, nem lhe devolveram a visão.
Os exames de Yvonne nos seis meses seguintes, no entanto, tiveram o mesmo resultado: a cegueira não tinha nenhuma causa física.
Os médicos concluíram então que a deficiência visual dela era de origem psicossomática. Ou seja: era a manifestação física de estresse emocional.
Livro premiado
Yvonne foi uma das primeiras de uma longa relação de pacientes com problemas psicossomáticos que a O'Sullivan viu em 20 anos de carreira.
A história dela e a de outros seis pacientes estão no livro It's All in Your Head: True Stories of Imaginary Illness ("Está tudo na sua cabeça: Histórias reais de doenças imaginárias", em tradução livre), escrito pela médica em 2015.
A obra ganhou no ano passado o prestigiado prêmio literário britânico Wellcome Book Prize.
A neurologista falou sobre o livro na 11ª edição do Hay Festival, um dos eventos literários anuais mais importantes do mundo hispânico, que acontece até o próximo dia 29 na cidade de Cartagena, na Colômbia.
Os outros pacientes, que chegaram ao seu consultório frustrados após procurarem diversos especialistas que não conseguiram chegar a um diagnóstico, apresentavam sintomas tão graves quanto os de Yvonne: alguns estavam em cadeiras de rodas, outros tinham inflamações, se queixavam de dores, paralisia, desmaios e convulsões.
Doenças que todo mundo pode ter
Esses pacientes tinham algo em comum: a falta de uma explicação médica para seus sintomas. E a grande maioria se negava a aceitar que a doença era de origem psicológica.
Mas não foi por acaso que eles procuraram a O'Sullivan.
É uma situação que se repete em quase todos os consultórios, disse a especialista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
"Dedico grande parte do meu tempo a pacientes com convulsões e, em geral, um terço das pessoas que atendo sofre de convulsões de origem psicológica. Mas, de acordo com estudos, em outras especialidades médicas um terço dos pacientes também apresenta sintomas de ordem psicológica", disse O'Sullivan.
Estas doenças não são um mal típico da sociedade contemporânea - embora a internet ajude com a grande quantidade de informação disponível sobre enfermidades e seus sintomas - nem fazem distinção entre ricos e pobres.
"Isso acontece em todo o mundo", afirma a neurologista.
Ela lembrou que um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), feito há alguns anos, demonstrou que a incidência de doenças cujos "sintomas carecem de explicação médica" é praticamente idêntica em quase todos os países, independentemente de serem desenvolvidos ou em desenvolvimento e do acesso da população aos serviços de saúde.
Sintomas reais
Foi exatamente essa proporção alarmante que fez a neurologista se interessar pelo assunto e, mais tarde, contar sua experiência no livro.
A obra é um relato humano e cheio de compaixão das histórias de alguns dos seus pacientes e das dificuldades da neurologista de trabalhar nessa área da medicina, estigmatizada pela sociedade.
"Nosso corpo produz o tempo todo sintomas físicos em resposta a emoções. Muita gente fica com as mãos trêmulas ao fazer uma apresentação em público, outras pessoas sentem o coração disparar se estão ansiosas e há ainda as que ficam coradas quando sentem vergonha", diz O'Sullivan.
"É algo que acontece com todos nós. Mas eu não poderia dizer por que em alguns indivíduos esse mecanismo decide criar uma patologia. O que ocorre é que todos lidamos com o estresse de formas diferentes", continua.
Também não conseguimos escapar de tais sintomas da mesma forma que evitamos uma gripe (usando mais agasalhos no frio) ou uma lesão muscular (aquecendo o corpo antes de correr).
"Não podemos evitar os sintomas físicos diante de uma situação de estresse", explica a médica.
"O que podemos fazer é evitar que eles se transformem em algo incapacitante. Você pode reconhecer os sintomas e alterar a resposta do seu organismo."
Embora não exista uma causa física, não se deve duvidar que os sintomas são reais para o paciente e que a consequência deles pode ser uma incapacidade devastadora.
'Você não tem nada'
E é justamente a falta de uma origem física que historicamente fez a medicina subestimar esse tipo de distúrbio.
Isso também pode ser visto na linguagem dos médicos ao falar sobre os males psicossomáticos.
"Se uma pessoa tem um problema, mas os seus exames são normais, costumamos dizer que ela não tem nada", afirma O'Sullivan.
"Nós, médicos, somos treinados para nos concentrarmos nas doenças, para encontrá-las. Quando examinamos um paciente, estamos preocupados em não deixá-las escapar. Se atendo alguém e não percebo que a pessoa tem uma doença, isso vai gerar muitas recriminações", acrescenta.
A atenção dos médicos está tão concentrada nas doenças que, quando elas são descartadas, seu trabalho é dado por encerrado.
E foi a falta de atenção e importância dada a esses males que contribuiu para criar um estigma em torno das doenças psicossomáticas.
Por isso, é muito difícil para o paciente aceitar o diagnóstico, que geralmente é recebido como se fosse um insulto.
Um diagnóstico que ninguém quer ouvir
Mas até que ponto essa não é uma saída fácil para rotular qualquer doença para a qual a medicina ainda não tem uma resposta?
Esse é o temor mais comum dos pacientes, segundo O'Sullivan.
"No entanto, o diagnóstico é extremamente preciso. Em neurologia é muito fácil fazer medições do sistema nervoso. Há uma grande diferença entre alguém com uma paralisia ou uma convulsão psicossomática e alguém com uma doença no cérebro", explica.
"Isso permite que o médico faça um diagnóstico confiável."
Mas quando há a suspeita de que uma doença possa ser psicossomática, o processo é outro: "A doença vai se revelando, trazendo evidências objetivas com o passar do tempo".
Por outro lado, estudos a longo prazo demostraram que o percentual de diagnósticos equivocados é de apenas 4%.
Terapia nem sempre resolve
A maior parte dos pacientes que aparece no livro de O'Sullivan foi encaminhada ao seu consultório por um psiquiatra.
No entanto, a neurologista explica que o tratamento psiquiátrico ou psicológico não é necessariamente indicado em todos os casos de doenças psicossomáticas.
"O tratamento depende de cada indivíduo e das causas dos sintomas. Em algumas pessoas, os sintomas surgem depois de um trauma psicológico. Neste caso, a indicação é de terapia psicológica ou psiquiátrica", explica.
"Mas, para outros pacientes, os sintomas não estão relacionados a um trauma específico. Podem estar ligados à maneira como encaram uma lesão ou uma doença", acrescenta.
"Assim, essas pessoas não precisam de ajuda psicológica profunda, mas de uma terapia física que as ajudem a treinar seu corpo para retornar à vida normal ou de terapia cognitiva-comportamental para superar o medo que sentem de voltar a viver sem a doença."
Construindo uma ponte
Embora o tratamento das doenças psicossomáticas fuja do campo da neurologia, O'Sullivan não pretende se dedicar à psiquiatria.
"O problema é que esses pacientes não vão a um psiquiatra, porque seus sintomas são físicos. Eles procuram o clínico", diz a neurologista.
"Por isso, precisamos de médicos que façam uma ponte entre a neurologia e a psiquiatria. Precisamos de neurologistas que estejam interessados neste problema, já que é a eles que os pacientes procuram."
Neste sentido, ela afirma que nos últimos cinco anos houve um crescimento do interesse entre os neurologistas, o que pode trazer avanços para o conhecimento na área, criar uma aceitação maior do problema e assim, aos poucos, poderá diminuir o estigma.
A história de Yvonne - a paciente com cegueira emocional que despertou o interesse de O'Sullivan pelas doenças psicossomáticas - teve um final feliz.
Depois de seis meses de tratamento psiquiátrico e terapia familiar, ela finalmente voltou a enxergar.







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Swedish midwife fights for her conscience rights


Swedish midwife fights for her conscience rights

This week the Swedish Labour Court of Appeal heard the case of a midwife who has been denied work* because she would refuse to participate in abortions. Ellinor Grimmark has sought employment at several hospitals in the Jönköping region because she has declared that abortion is against her conscience and her religious convictions. 
She sued and demanded €30,000 in damages. In 2015 a district court found that assisting with abortions was part of her job, that  her freedom of conscience had not been violated and that she should pay costs of  €96,000.
According to Scandinavian Human Rights Lawyers and the US-based Alliance Defending Freedom, which are jointly handing Ms Grimmark’s case, Article 9 of the European Convention on Human Rights, which is Swedish law since 1995, gives everyone the right to freedom of conscience. In a democratic society this is a right which may only be restricted by necessity. But, say her lawyers, no necessity exists: abortions form a very small part of her job, other midwives are available and there are precedents for accommodating Swedish conscientious objectors:
“Pluralism and dissent on ethical issues is an asset in healthcare, as well as in society in general, and strengthens democracy,” say her Swedish advocates. “A corresponding proportion of patients, also taxpayers, in Swedish society share Ellinor Grimmark’s ethical and/or religious beliefs.”
However, Mia Ahlberg, president of the Swedish Association of Midwives told the BBC that making an exception for Ms Grimmark would destroy the integrity of midwifery and violate women’s rights. The Swedish media is painting the participation of the ADF as a plot by the American pro-life movement to restrict abortion in the European Union.
Ms Grimmark has been harshly treated in the media. One politician called her a religious extremist; another compared her to the footsoldiers of the Islamic State. To keep working she has to cross the border to Norway, spending several days away from her family.  
* Originally BioEdge stated that Ms Grimmark was "sacked". This is not the case. She was never offered employment. 

















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Euthanasia debate heats up in New South Wales



The euthanasia debate has intensified in the Australian state of New South Wales, with reports from parliamentarians indicating that new legislation is imminent.  
A euthanasia bill is expected to be introduced in New South Wales by the end of 2017, with a cross-parliamentary working group currently finalising draft legislation for public consultation.
The state’s new premier, Gladys Berejiklian, is yet to express her views on the issue, though Opposition Leader Luke Foley said earlier this month that he is opposed to euthanasia.
“I worry about the message it sends to a society where some old and frail people feel that they are too much of a burden on their loved ones, that they have to end it all,” Mr Foley said.
In a statement the parliamentary working group said that “law reform on the issue of assisted dying is necessary.”
Writing in the Sydney Morning Herald last week, Australian Catholic University academic Julie Morgan, who herself is terminally ill, said that she “can imagine a time when particularly frail and vulnerable people will succumb to the thought that it might be best for their families and for society in general for them to let go and die”.
Sydney palliative care specialist Linda Sheahan has called for an open and honest debate: “It's crucial we engage with this incredibly important issue in a deep and reflective, robust way”.







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Juiz valida discriminação e impede que transexual visite os filhos judeus


PRECONCEITO RELIGIOSO

Juiz valida discriminação e impede que transexual visite os filhos judeus


Um juiz na Inglaterra decidiu que o pai de cinco crianças não deve visitar os filhos e nem ter contato telefônico com eles. O máximo que o pai pode fazer é enviar quatro cartas por ano, disse o juiz. O motivo é a religião da família. Tanto a mãe como os meninos são judeus e moram numa comunidade ortodoxa. Contato com o pai, que é um transexual e virou mulher, significaria que as crianças seriam marginalizadas e até banidas da comunidade.
Ao validar a discriminação imposta ao transexual, o juiz explicou que a decisão foi difícil de ser tomada porque, se de um lado tem de proteger um transexual do preconceito da sociedade, de outro, tem de respeitar a liberdade de religião e o melhor interesse das crianças. Para ele, ainda que a discriminação imposta pela comunidade judia seja ilegal, não pode ser ignorada. A melhor saída, disse ele, é excluir o pai transexual do contato com os filhos.
Clique aqui para ler a decisão em inglês.





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terça-feira, 7 de março de 2017

REPRODUÇÃO ASSISTIDA E ÚLTIMAS POLÊMICAS - CONVITE
























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A modelo que revelou ser intersexual para quebrar tabus

A modelo que revelou ser intersexual para quebrar tabus

A modelo belga Hanne Gaby Odiele revelou ser intersexual - portadora de caraterísticas sexuais que não são definidas como masculinas nem femininas - na esperança de ajudar a quebrar tabus.
Odiele nasceu com uma doença chamada Síndrome de Insensibilidade Androgénica
Getty Images for H&M

A modelo belga Hanne Gaby Odiele revelou ser intersexual – portadora de caraterísticas sexuais que não são definidas como masculinas nem femininas – na esperança de ajudar a quebrar este tabu, dá conta o USA Today. Hanne nasceu com uma doença chamada Síndrome de Insensibilidade Androgénica, ou seja, com cromossomas XY. Tinha testículos internos, que lhe foram retirados por cirurgia aos dez anos, depois dos médicos alertarem para possíveis riscos de cancro.
É muito importante para mim, e nesta altura da minha vida, quebrar este tabu”, revelou a modelo de 29 anos, numa entrevista exclusiva ao USA Today. “Neste momento, neste dia e nesta idade, estou perfeitamente bem para falar sobre isto”, acrescenta.
Hanne Odiele admite ainda que sempre soube que algo estava mal em si. “Eu sabia que depois da cirurgia não podia ter filhos e não ia ficar menstruada. Eu sabia que se passava alguma coisa de errado comigo”, revela.
A modelo belga voltou a ser operada aos 18 anos, desta vez para reconstruir a sua vagina. Porém, os procedimentos foram dolorosos e foi essa a principal razão pela qual decidiu tornar o assunto público: o seu objetivo foi desencorajar outros pais a submeterem os filhos a este tipo de intervenções.
Hanne também fez questão de colocar uma fotografia no Instagram, em forma de apelo, para encorajar outras pessoas a encarar uma realidade que nem sempre é bem aceite.
“A intersexualidade faz parte de quem sou, tal como a cor do meu cabelo. Isso não me define. Sou intersexual e tenho orgulho nisso!”, pode ler-se na publicação.
A modelo também publicou um vídeo, mas desta vez com uma mensagem destinada aos pais e aos médicos: deixar os filhos escolher o que querem para si e não ver as cirurgias como condição obrigatória.
Hanne Gaby Odiele está atualmente casada com o modelo John Swiatek, de 27 anos. Swiatek mostrou-se muito orgulhoso com a atitude da mulher e não lhe poupou elogios. “Estou muito impressionado com a sua atitude, ao defender as crianças intersexuais, com o objetivo de lhes dar a oportunidade de decidir o que querem fazer com os seus corpos, ao contrário da falta de opções e informação que foi dada a Hanne (e a muitos outros) e à sua família”, referiu Swiatek também em entrevista ao USA Today.








































































































































































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CEBID - Centro de Estudos em Biodireito