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terça-feira, 16 de agosto de 2016

No Dia dos Pais, saiba histórias de homens trans que deram à luz seus filhos



No Dia dos Pais, saiba histórias de homens trans que deram à luz seus filhos







.
Por Neto Lucon

Já que é para falar sobre Dia dos Pais, o NLUCON resolveu trazer histórias de pais invisibilizados pela mídia nesta data e pela sociedade. Aqueles que superaram os preconceitos – inclusive os internalizados – e que resolveram engravidar, gerar e dar à luz seus filhos.

Os pais homens trans – ou seja, aqueles que foram designados mulheres ao nascer, mas que se identificam com o gênero masculino e são homens – estão cada vez mais frequentes em todo o mundo. E são mais um exemplo das famílias plurais. 

Entenda: apesar de eles gerarem seus filhos e de isso ser uma característica comumente associada à da mulher cisgênero, eles são e continuam sendo pais e homens. Afinal, a possibilidade de engravidar está nas características e potencialidades dos seus corpos corpo e na escolha em conjunto de ter um filho. Não tem a ver com gênero. 

O mais fantástico é que até mesmo entre as famílias com homens trans há pluralidades de formações. Há homens trans que se relacionam com mulheres cis, com travestis, com homens cis, com outros homens trans e até que querem ser pais solos. Vamos para as histórias! 

PAI KAYDEN COLEMAN





.
Azaelia, de três aninhos, é filha biológica de Kayden Coleman – que é homem trans – com Elijah, que é homem cis. Eles souberam da gravidez de maneira inesperada, quando Kayden teve interromper a hormonioterapia para realizar a cirurgia de retirada das mamas. Felizes com a surpresa, eles seguiram com a gravidez, interromperam temporariamente a hormonioterapia e, hoje, formam uma família linda e feliz. “Nós somos mais que capazes de amar nossas crianças tanto quanto qualquer outro pai”, frisa.


PAI FERNANDO MACHADO





.
Esse será o primeiro Dia dos Pais de Fernando Machado, homem trans de 22 anos. Ele teve um bebê biológico fruto do relacionamento com Diane Rodriguez, mulher trans de 33. O relacionamento começou por meio das redes sociais e logo eles passaram a viver juntos. Em outubro do último ano, Diane comemorou também nas redes sociais: “Vou ser mãe. Meu namorado está grávido de mim”. Fernando teve a bela experiência de ser um pai que gerou a criança. 





PAI ANDERSON CUNHA








.
Para quem acha que não temos homens trans grávidos no Brasil, engana-se. Um caso que se tornou conhecido foi o de Anderson Cunha, de 21 anos, que deu à luz seu filho Gregório, fruto do relacionamento com a mulher trans Helena Freitas, de 26 no último anos. Eles se conheceram em uma festa no inverno em Porto Alegre em 2013 e a relação, que inicialmente era de amizade, transformou-se em amor. “Eu gerei o Gregório, mas sou o pai. A mãe é a Helena. Vamos explicar isso para ele quando crescer”, declarou. 


PAI SCOTT MOORE





.
Trata-se do relacionamento entre dois homens trans gays, que se conheceram em 2005 em um grupo de apoio. Scott Moore e Thomas são casados legalmente na Califórnia. Eles têm dois filhos adotivos, Gregg, hoje com 18 anos, e Logan, de 16. E um filho biológico de seis anos, por meio de inseminação artificial. Na época, ele declarou: “Muitos nos criticam, mas somos felizes e não temos vergonha. Quero mostrar ao mundo que as famílias de transexuais podem ser saudáveis, amorosas e carinhosas”.


PAI CAI





.
A história de Cai, que é homem trans norte-americano, e a esposa Emily, que é uma mulher trans, tornou-se destaque em 2010. Eles participaram de um documentário em que acompanhou detalhadamente o processo da gravidez e o nascimento de Dante. A gestação foi vista como surpresa pelo casal, uma vez que ambos já tinham passado por anos de hormonioterapia – o que teoricamente impediria a fertilidade. Para Cai, foi a oportunidade de viver um momento singular, de muita felicidade e comparado a um conto de fadas pós-moderno. 


PAI RAFI DAUGHERTY





.
Na sala de parto, Rafi Daugherty, de 33 anos, pediu para que fixassem uma placa na sala de parto para que as pessoas começassem a entender e a se sensibilizar : “Eu sou um homem trans e estou tendo meu primeiro filho. Use pronomes masculinos e me chame de ‘Abba’ (pai, em hebraico). Papa, papai, pai também é ok”. Ele diz que sonhou em ser pai desde criança e que, já que nasceu com um corpo que pode criar vida, ele resolveu tornar esse projeto realidade por meio de inseminação artificial. O doador foi um amigo cis. E a filha Ettie Rose, que nasceu em outubro de 2015, é uma garotinha saudável, esperta “e com uma coleção de cavalos-marinhos, por razões óbvias”.


PAI KEARNS





,
O homem trans Kearnsadiou declara que se sente abençoado por ter engravidado e dado à luz. Após três anos de transição, ele afirma que conversou com a esposa cis e decidiu estudar a possibilidade de gerar o segundo filho – o primeiro foi gerado pela mulher em uma gravidez de risco. Antes disso, ele afirma que passou por uma fase de questionamento: se deixaria de ser visto como homem por conta da gravidez. Superada essa questão, ele deu à luz e afirma que a vivência trans vai ajudá-lo a ser um bom pai.


PAI ALEXIS TABORDA





.
Alexis Taborda é um dos primeiros homens trans grávidos da Argentina. Em 2013, ele teve a filha Génesis – sim, numa referência ao episódio da Bíblia, que conta a criação do Universo – do relacionamento com Karen Bruselario, uma mulher trans. A criança nasceu no hospital de Victoria, cesariana. Na época, ele afirmou que a única coisa que não conseguiria fazer era amamentar a criança, pois deixaria isso para que a esposa fizesse por meio de uma mamadeira. 


PAI NICK BOWSER





.
Ao lado da esposa Bianca Bownser, Nick é pai de dois filhos biológicos em Kentucky, nos Estados Unidos: Kai, de 4 anos, e Pax, de um aninho. O parto foi cesariano e Nick admitiu ao Daily Mail que, apesar da alegria de poder dar à luz, enfrentou uma luta diária pelas transformações de seu corpo. Eles levam uma vida absolutamente comum e dizem que pretendem levar a questão trans com total naturalidade. “Não me preocupo como eles vão reagir, porque não tratamos isso como algo ruim. E crianças tendem a ser mais compreensivas e sem preconceito”. 


PAI TREVOR MACDONALD





.
O canadense Trevor MacDonald, de 31 anos, tornou-se porta-voz internacional da comunidade de homens trans ao falar sobre paternidade, gestação, transgeneridade e amamentação. Ele é pai de dois filhos – um de cinco anos e outro de 18 meses – que ele  gerou ao lado do marido, um homem cis. E que, para a surpresa do casal, também conseguiu amamentar, uma vez que ele não passou pela cirurgia que masculiniza as mamas e o tempo de hormonioterapia não impediu a produção do leite. As imagems de Trevor amamentando seus filhos sensibilizam, tocam e promovem debates em todo o mundo. E dá visibilidade a uma realidade até então impensada para muitas pessoas.

Enfim, parabéns para esses e todos os pais trans! 


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CEBID - Centro de Estudos em Biodireito

No Dia dos Pais, saiba histórias de homens trans que deram à luz seus filhos



No Dia dos Pais, saiba histórias de homens trans que deram à luz seus filhos







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Por Neto Lucon

Já que é para falar sobre Dia dos Pais, o NLUCON resolveu trazer histórias de pais invisibilizados pela mídia nesta data e pela sociedade. Aqueles que superaram os preconceitos – inclusive os internalizados – e que resolveram engravidar, gerar e dar à luz seus filhos.

Os pais homens trans – ou seja, aqueles que foram designados mulheres ao nascer, mas que se identificam com o gênero masculino e são homens – estão cada vez mais frequentes em todo o mundo. E são mais um exemplo das famílias plurais. 

Entenda: apesar de eles gerarem seus filhos e de isso ser uma característica comumente associada à da mulher cisgênero, eles são e continuam sendo pais e homens. Afinal, a possibilidade de engravidar está nas características e potencialidades dos seus corpos corpo e na escolha em conjunto de ter um filho. Não tem a ver com gênero. 

O mais fantástico é que até mesmo entre as famílias com homens trans há pluralidades de formações. Há homens trans que se relacionam com mulheres cis, com travestis, com homens cis, com outros homens trans e até que querem ser pais solos. Vamos para as histórias! 

PAI KAYDEN COLEMAN





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Azaelia, de três aninhos, é filha biológica de Kayden Coleman – que é homem trans – com Elijah, que é homem cis. Eles souberam da gravidez de maneira inesperada, quando Kayden teve interromper a hormonioterapia para realizar a cirurgia de retirada das mamas. Felizes com a surpresa, eles seguiram com a gravidez, interromperam temporariamente a hormonioterapia e, hoje, formam uma família linda e feliz. “Nós somos mais que capazes de amar nossas crianças tanto quanto qualquer outro pai”, frisa.


PAI FERNANDO MACHADO





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Esse será o primeiro Dia dos Pais de Fernando Machado, homem trans de 22 anos. Ele teve um bebê biológico fruto do relacionamento com Diane Rodriguez, mulher trans de 33. O relacionamento começou por meio das redes sociais e logo eles passaram a viver juntos. Em outubro do último ano, Diane comemorou também nas redes sociais: “Vou ser mãe. Meu namorado está grávido de mim”. Fernando teve a bela experiência de ser um pai que gerou a criança. 





PAI ANDERSON CUNHA









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Para quem acha que não temos homens trans grávidos no Brasil, engana-se. Um caso que se tornou conhecido foi o de Anderson Cunha, de 21 anos, que deu à luz seu filho Gregório, fruto do relacionamento com a mulher trans Helena Freitas, de 26 no último anos. Eles se conheceram em uma festa no inverno em Porto Alegre em 2013 e a relação, que inicialmente era de amizade, transformou-se em amor. “Eu gerei o Gregório, mas sou o pai. A mãe é a Helena. Vamos explicar isso para ele quando crescer”, declarou. 


PAI SCOTT MOORE





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Trata-se do relacionamento entre dois homens trans gays, que se conheceram em 2005 em um grupo de apoio. Scott Moore e Thomas são casados legalmente na Califórnia. Eles têm dois filhos adotivos, Gregg, hoje com 18 anos, e Logan, de 16. E um filho biológico de seis anos, por meio de inseminação artificial. Na época, ele declarou: “Muitos nos criticam, mas somos felizes e não temos vergonha. Quero mostrar ao mundo que as famílias de transexuais podem ser saudáveis, amorosas e carinhosas”.


PAI CAI





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A história de Cai, que é homem trans norte-americano, e a esposa Emily, que é uma mulher trans, tornou-se destaque em 2010. Eles participaram de um documentário em que acompanhou detalhadamente o processo da gravidez e o nascimento de Dante. A gestação foi vista como surpresa pelo casal, uma vez que ambos já tinham passado por anos de hormonioterapia – o que teoricamente impediria a fertilidade. Para Cai, foi a oportunidade de viver um momento singular, de muita felicidade e comparado a um conto de fadas pós-moderno. 


PAI RAFI DAUGHERTY





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Na sala de parto, Rafi Daugherty, de 33 anos, pediu para que fixassem uma placa na sala de parto para que as pessoas começassem a entender e a se sensibilizar : “Eu sou um homem trans e estou tendo meu primeiro filho. Use pronomes masculinos e me chame de ‘Abba’ (pai, em hebraico). Papa, papai, pai também é ok”. Ele diz que sonhou em ser pai desde criança e que, já que nasceu com um corpo que pode criar vida, ele resolveu tornar esse projeto realidade por meio de inseminação artificial. O doador foi um amigo cis. E a filha Ettie Rose, que nasceu em outubro de 2015, é uma garotinha saudável, esperta “e com uma coleção de cavalos-marinhos, por razões óbvias”.


PAI KEARNS





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O homem trans Kearnsadiou declara que se sente abençoado por ter engravidado e dado à luz. Após três anos de transição, ele afirma que conversou com a esposa cis e decidiu estudar a possibilidade de gerar o segundo filho – o primeiro foi gerado pela mulher em uma gravidez de risco. Antes disso, ele afirma que passou por uma fase de questionamento: se deixaria de ser visto como homem por conta da gravidez. Superada essa questão, ele deu à luz e afirma que a vivência trans vai ajudá-lo a ser um bom pai.


PAI ALEXIS TABORDA





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Alexis Taborda é um dos primeiros homens trans grávidos da Argentina. Em 2013, ele teve a filha Génesis – sim, numa referência ao episódio da Bíblia, que conta a criação do Universo – do relacionamento com Karen Bruselario, uma mulher trans. A criança nasceu no hospital de Victoria, cesariana. Na época, ele afirmou que a única coisa que não conseguiria fazer era amamentar a criança, pois deixaria isso para que a esposa fizesse por meio de uma mamadeira. 


PAI NICK BOWSER





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Ao lado da esposa Bianca Bownser, Nick é pai de dois filhos biológicos em Kentucky, nos Estados Unidos: Kai, de 4 anos, e Pax, de um aninho. O parto foi cesariano e Nick admitiu ao Daily Mail que, apesar da alegria de poder dar à luz, enfrentou uma luta diária pelas transformações de seu corpo. Eles levam uma vida absolutamente comum e dizem que pretendem levar a questão trans com total naturalidade. “Não me preocupo como eles vão reagir, porque não tratamos isso como algo ruim. E crianças tendem a ser mais compreensivas e sem preconceito”. 


PAI TREVOR MACDONALD





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O canadense Trevor MacDonald, de 31 anos, tornou-se porta-voz internacional da comunidade de homens trans ao falar sobre paternidade, gestação, transgeneridade e amamentação. Ele é pai de dois filhos – um de cinco anos e outro de 18 meses – que ele  gerou ao lado do marido, um homem cis. E que, para a surpresa do casal, também conseguiu amamentar, uma vez que ele não passou pela cirurgia que masculiniza as mamas e o tempo de hormonioterapia não impediu a produção do leite. As imagems de Trevor amamentando seus filhos sensibilizam, tocam e promovem debates em todo o mundo. E dá visibilidade a uma realidade até então impensada para muitas pessoas.

Enfim, parabéns para esses e todos os pais trans! 


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terça-feira, 9 de agosto de 2016

Juiz impede menina estuprada de abortar no México

Juiz impede menina estuprada de abortar no México

Em manobra legal, juiz mudou caso para abuso sexual.
Menina de 13 anos foi estuprada no estado mexicano de Sonora.

Da France Presse

A manobra legal de um juiz do estado mexicano de Sonora (noroeste) impediu o aborto de uma menina de 13 anos, grávida depois de ter sido estuprada, embora o aborto esteja contemplado na lei em casos de estupro, denunciou na segunda-feira (1) a organização civil GIRE.
A menor, de uma família indígena, foi estuprada em maio passado por um homem próximo a sua família.
Embora tenha denunciado a agressão, as autoridades de saúde não forneceram as medidas de anticoncepção de emergência e, após a confirmação da gravidez, agora nega a ela o direito de abortar, disse à AFP Alex Alí Méndez, advogado do Grupo de Informação em Reprodução Escolhida (GIRE).
"O Ministério Público estabeleceu o caso como estupro, mas o juiz, em uma manobra legal, o mudou por abuso sexual, que é um crime menor. E assim nega a esta menina o direito ao aborto, que está permitido no código penal de Sonora em caso de estupro", detalhou Méndez.
Sobre o caso, Gilberto Ungson, secretário de Saúde de Sonora, disse à AFP que a classificação do crime foi responsabilidade do juiz e, por isso, o órgão está impossibilitado legalmente de cumprir com a solicitação de realizar o aborto.
De qualquer forma, Ungson explicou que várias instituições governamentais estão fornecendo "ajuda psicológica, legal e de proteção aos seus direitos"
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União terá de indenizar família por demora em diagnóstico de AVC


ATENDIMENTO NEGLIGENTE

União terá de indenizar família por demora em diagnóstico de AVC


A demora em detectar um acidente vascular cerebral (AVC) em atendimento de emergência demonstra negligência do hospital. Por isso, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou recurso da União e manteve a condenação de uma instituição pública cuja demora em diagnosticar o problema levou um militar à morte.
A ação foi movida pela mulher e pelos dois filhos do casal contra a União. O militar morreu em março de 2009 por causa de um AVC só detectado pelos médicos do Hospital Geral do Exército de Porto Alegre na terceira consulta. Nas duas primeiras, o homem, que era cardíaco, hipertenso e diabético, foi mandado para casa com medicação e recomendação de exames cardíacos.
Diante da piora no quadro, quando o paciente já sentia tontura, náusea e forte dor de cabeça, a família voltou ao hospital militar. Só então foi feito o diagnóstico certo e o militar transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre para fazer uma tomografia computadorizada, tendo morte encefálica dois dias depois e morrendo no quarto dia.
A 2ª Vara Federal de Porto Alegre estipulou a quantia de R$ 60 mil de indenização por danos morais para cada um dos autores e a União recorreu alegando inexistência de ato ilícito por parte do hospital e ausência de nexo causal entre o tratamento hospitalar e o óbito.
Para o desembargador federal Luís Alberto d'Azevedo Aurvalle, relator do processo no TRF-4, é possível perceber que houve falha no atendimento prestado pelo Hospital Geral: “É firme o meu convencimento relativamente à ocorrência de ato ilícito e do dever de indenizar”, avaliou o desembargador. Com informações da Assessoria de Imprensa do TRF-4.

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Testes de fosfoetanolamina em humanos terão início em SP

21/07/2016 16h16 - Atualizado em 21/07/2016 19h58

Testes de fosfoetanolamina em humanos terão início em SP

Pesquisa começa na próxima segunda-feira (25) com 10 pacientes.
Nova fase foi aprovada por comissão do Ministério da Saúde.

Carolina DantasDo G1, em São Paulo

Cápsulas de fosfoetanolamina produzidas desde os anos 90 no Instituto de Química de São Carlos (Foto: Cecília Bastos/USP Imagem)Cápsulas de fosfoetanolamina produzidas desde os anos 90 no Instituto de Química de São Carlos (Foto: Cecília Bastos/USP Imagem)
 
FOSFOETANOLAMINA
Suposto produto anticâncer não foi testado
Terão início no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), a partir da próxima segunda-feira (25), os testes em humanos com fosfoetanolamina, o composto que ficou conhecido como "pílula do câncer".
Nesta fase inicial, a substância será avaliada em 10 pacientes para determinar a segurança da dose. Se a droga não apresentar efeitos colaterais, a pesquisa seguirá em mais 200 pacientes - são 10 tipos de câncer diferentes incluídos nos testes, ou seja, 21 indivíduos com cada tipo da doença receberão três comprimidos da fosfoetanolamina. O anúncio foi feito pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).
Essa fase onde 210 pacientes participarão da pesquisa deverá durar cerca de seis meses. O início dos testes foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde.

Se pelo menos três pacientes de cada um desses grupos de câncer apresentar uma melhora no quadro de saúde devido à pílula, o governo deverá liberar mais uma fase do estudo com a chamada de mais 80 indivíduos. No total, até 1 mil pessoas poderão participar do processo. Toda a pesquisa deverá ser encerrada em dois anos.

Caso nenhum dos 210 pacientes iniciais apresentar qualquer melhora ou sintoma, o estudo será encerrado no prazo estipulado de até seis meses.

"[Escolhemos] pacientes em tratamento no instituto. Não haverá a inscrição de pacientes de fora [para os testes], pelo menos não neste primeiro momento", disse Paulo Marcelo G. Hoff., vice-presidente do Icesp. "Nós achamos que era mais justo já tratar os pacientes que já são da instituição. Ou seja, não há nenhum favorecimento. A escolha será feita baseada nos critérios de inclusão e exclusão que estão muito bem determinados para cada um dos 10 grupos [de câncer]", completou.

Os pacientes escolhidos buscaram os médicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e não estão em estado terminal, segundo Hoff.. Ele diz que os indivíduos escolhidos não têm outra opção de tratamento curativo disponível e estão em condição física pra responder aos testes.

Além disso, os pacientes não deverão receber nenhum tipo de medicamento durante o processo. Por isso, as pessoas selecionadas respeitaram o critério de poder estar dois meses sem o tratamento tradicional sem quaquer impacto na expectativa de sobrevida durante os próximos meses.

A substância foi encaminhada para o Icesp pela Fundação para o Remédio Popular (Furp) - laboratório oficial da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Ainda de acordo com o governo do estado, há cápsulas suficientes para a realização da pesquisa.
A sintetização da fosfoetanolamina que será testada em humanos foi feita pelo laboratório PDT Pharma, do município de Cravinhos, no interior de São Paulo. A Furp apenas encapsulou a substância. Ainda de acordo com o governo, o pesquisador da USP de São Carlos, Gilberto Chierice, que desenvolveu uma forma de sintetizar a substância, está acompanhando os testes.

A "pílula do câncer" já havia sido testada em animais de pequeno porte, mas a etapa de animais de grande porte foi pulada já que outras pessoas já consumiram a fosfoetalonamina não apresentaram sintomas graves.
"Nós fizemos uma opção pragmática aceitando o fato de que nós temos mais de 20 mil humanos que receberam o produto. Isso é diferente de um produto que está surgindo novo e que nunca ninguém o tomou. Então, nós achamos que seria possível neste caso nós acelerarmos o processo", disse.
Os tipos de câncer que serão contemplados nos testes serão: cabeça e pescoço, pulmão, mama, colo e reto, fígado, pâncreas, melanoma, gástrico, colo uterino e próstata.


4 perguntas e respostas sobre o caso da FOSFOETANOLAMINA
1) O que é? Uma substância que passou a ser produzida em laboratório por um pesquisador da USP, hoje aposentado, que acredita que ela seja capaz de tratar câncer.
2) Qual é a polêmica? Pessoas com câncer têm entrado na Justiça para obter o produto da USP, mas ele não passou pelos testes legalmente exigidos. A USP atendia à demanda somente porque é obrigada judicialmente.
3) Mas ela funciona contra o câncer? Cientificamente, não há como afirmar, porque os testes necessários não foram feitos. Ela foi distribuída para diferentes tipos de câncer, mas sem seguir evidências científicas de que isso seja adequado.
4) Que mal pode fazer usar esse produto? Como seus efeitos são desconhecidos, não há como excluir efeitos colaterais. O próprio pesquisador que descobriu como sintetizá-la admite que não sabe dizer que dosagem seria adequada para o tratamento de câncer.

A substância, que começou a ser sintetizada por um pesquisador do Instituo de Química da USP de São Carlos no final da década de 1980, ainda não passou pelas etapas de pesquisa necessárias para o desenvolvimento de um medicamento, portanto não existem evidências científicas de que o produto seja eficaz no combate ao câncer ou seguro para o consumo humano, daí a necessidade de mais testes. Em outras instituições pelo país vêm sendo feitas pesquisas com animais.


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