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quinta-feira, 20 de março de 2014

Hospital é condenado a pagar R$ 100 mil por desaparecimento de feto

Hospital é condenado a pagar R$ 100 mil por desaparecimento de feto

Corpo sumiu após ser levado para câmara funerária da instituição; casal entrou na Justiça alegando danos morais e materiais

19 de março de 2014 | 19h 50
Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo
PORTO ALEGRE - O Hospital Ernesto Dornelles, de Porto Alegre, foi condenado a pagar R$ 100 mil a um casal por ter perdido o corpo de um feto. A decisão foi tomada pela juíza de Direito Nara Elena Soares Batista, da 13ª Vara Cível da capital gaúcha. As partes podem recorrer ao Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
O caso ocorreu em 3 de dezembro de 2004, quando a mulher, grávida, procurou atendimento hospitalar por estar sentindo dores e contrações. Uma ecografia constatou que o feto, de 730 gramas, estava morto. Depois da cirurgia para a retirada do bebê, o corpo foi levado para a câmara funerária do hospital e desapareceu. Os familiares, que já esperavam em um cemitério, tiveram de desistir da cerimônia de sepultamento.
O casal registrou ocorrência na polícia e ajuizou ação pedindo reparação por danos morais e materiais, decorrentes da necessidade de tratamento psicológico para a mulher. O hospital admitiu o desaparecimento, mas alegou que o pedido de ressarcimento de gastos com tratamento psicológico não estava fundamentado e que os autores não chegaram a construir uma relação de afeto porque não conviveram com o filho.
"Com certeza foi enorme o abalo do casal ante a perda do filho, mas com certeza também esse abalo resultou imensamente agravado ante o extravio do feto. Inexiste forma de entender esse fato como apenas um transtorno do cotidiano, um caso fortuito, conforme arguiu o hospital na contestação", afirmou a juíza, que reconheceu o dano moral e considerou improcedente o pedido de ressarcimento por danos materiais.



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Médicos reconstroem rosto usando implantes feitos em impressora 3D

13/03/2014 05h55 - Atualizado em 13/03/2014 10h00

Médicos reconstroem rosto usando implantes feitos em impressora 3D


Técnica pioneira permite criar partes na sala de operação e com a precisão necessária.

Da BBC

Stephen Power, 29 anos, ficou com rosto desfigurado após acidente com motocicleta. A cirurgia de reconstrução da face contou com implantes feitos em impressoras 3D (Foto: Reprodução/BBC)Stephen Power, 29 anos, ficou com rosto desfigurado após acidente com motocicleta. A cirurgia de reconstrução da face contou com implantes feitos em impressoras 3D (Foto: Reprodução/BBC)
O galês Stephen Power, de 29 anos, acaba de ter seu rosto reconstruído através do uso de uma técnica pioneira. Os implantes e placas usados foram feitos com impressoras 3D.
O procedimento gera resultados melhores porque o uso de peças com essa tecnologia instantânea permite fazer uma reconstrução facial mais precisa.
Agora, os médicos esperam que a técnica seja usada mais amplamente para que seus custos possam cair.
Modelo de implante feito em impressora 3D. Técnica pode revolucionar a medicina (Foto: Reprodução/BBC)Modelo de implante feito em impressora 3D. Técnica pode revolucionar a medicina (Foto: Reprodução/BBC)





















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Brasileiro e alemão terão gêmeas de barriga de aluguel na Tailândia

10/03/2014 06h00 - Atualizado em 10/03/2014 20h03

Brasileiro e alemão terão gêmeas de barriga de aluguel na Tailândia


Casal gay mora em Londres e terá filhas com óvulos de ucraniana.
Ana e Sofia devem nascer até o fim de março


Daniel Nascimento (à esq.) com seu marido Ole; à espera de Ana e Sofia (Foto: Rono Stinnett/Arquivo pessoal)Daniel Nascimento (à esq.) com seu marido Ole; à espera de Ana e Sofia (Foto: Rono Stinnett/Arquivo pessoal)
Ele é brasileiro, casou-se com um alemão nos EUA, mora em Londres e vai ser pai de meninas gêmeas que nascerão na Tailândia. Os bebês são fruto de uma fertilização in vitro que uniu seu sêmen ao óvulo de uma doadora ucraniana, e todo o procedimento foi conduzido por uma clínica da Geórgia. Com uma trajetória tão globalizada como essa, não é à toa que o publicitário Daniel Castro Nascimento, de 32 anos, diz que sua família vai ser “a mais internacional de todas”.
Natural de Belo Horizonte, Daniel mora fora do Brasil desde 2005. Homossexual, ele se casou em 2008 com o companheiro, Ole, em San Francisco, e depois se mudou com ele para a Inglaterra. Há cerca de três anos, o casal decidiu que queria ter filhos. Começou aí um longo caminho que deve terminar em breve com o nascimento de Ana e Sofia, marcado para o fim deste mês.
O casal com a mãe de aluguel tailandesa (acima) e com a doadora de óvulos ucraniana (abaixo). (Foto: Daniel Nascimento/Arquivo pessoal)
O casal com a mãe de aluguel tailandesa (acima)
e com a doadora de óvulos ucraniana (abaixo); por
contrato, elas não podem ser identificadas
(Foto: Daniel Nascimento/Arquivo pessoal)
A primeira tentativa de barriga de aluguel do casal foi com uma amiga da família de Daniel no Brasil – aqui, é proibido pagar pelo procedimento. Como não teve sucesso, ele e o marido entraram na fila de adoção no Reino Unido, mas enquanto esperavam e refletiam sobre o tema, resolveram tentar a fertilização in vitro mais uma vez.
“Sempre estivemos abertos a várias opções. Mas o processo de adoção é longo, faz você pensar muito, e vimos que não estávamos prontos para abrir mão da barriga de aluguel”, diz o brasileiro.
Eles então começaram o procedimento na Índia, onde a prática é permitida e muito mais barata do que nos EUA, por exemplo. Mas, faltando um mês para que eles fossem para lá acompanhar a fertilização, o país mudou a lei e restringiu a barriga de aluguel apenas a casais heterossexuais.
A clínica, então, sugeriu que eles mudassem os planos para a Tailândia, onde esse comércio não é regulamentado, mas é largamente praticado e tolerado pelo governo. E foi assim que eles chegaram à mulher de 39 anos que hoje carrega Ana e Sofia pela 34ª semana. Natural do norte do país, ela é vendedora ambulante e tem duas filhas – condição fundamental colocada pelo casal, para que “a pessoa não tivesse que abrir mão do primeiro filho que gerou”, explica Daniel.
O processo de barriga de aluguel é caro: Daniel calcula que gastou cerca de US$ 100 mil, entre o pagamento da clínica, do hospital e da mãe de aluguel.  “Dá para fazer por menos, mas a gente procurou uma clínica idônea, pois já ouvimos falar que tem algumas que abusam das mães. Tem toda uma questão ética envolvida”, diz Daniel.
O pagamento para a mulher, de US$ 15 mil mais um extra mensal para a subsistência durante a gravidez, era feito diretamente na conta dela.
Gravação com as vozes dos pais
Daniel e Ole se casaram em San Francisco (Foto: Rono Stinnett/Arquivo pessoal)Daniel e Ole se casaram em San Francisco (Foto: Rono Stinnett/Arquivo pessoal)
Como na primeira tentativa havia sido usado o sêmen de Ole, nessa segunda vez eles optaram pelo material genético do brasileiro. A escolha da doadora ucraniana, uma estudante de 22 anos, teve a ver com a semelhança física dela com Ole, que é caucasiano. “Independentemente de quem doasse o sêmen, queríamos filhos mestiços”, diz Daniel, que é negro.
É bem estranho, porque você não conhece a pessoa [a mãe de aluguel] e ao mesmo tempo ela está fazendo a coisa mais importante da sua vida, que é carregar seus filhos"
Daniel Nascimento
O casal se encontrou com a doadora de óvulos e com a mãe de aluguel em Bangkok, na ocasião em que foi feita a fertilização in vitro – uma situação estranha, admite Daniel. “É bem estranho, porque você não conhece a pessoa e ao mesmo tempo ela está fazendo a coisa mais importante da sua vida, que é carregar seus filhos. Temos muito respeito pelas duas”, diz o brasileiro.
Os futuros pais receberam ultrassonografias periodicamente e conversaram com a mãe de aluguel por Skype em algumas ocasiões, para saber como ela se sentia e como os bebês estavam se comportando. Foi assim que souberam que uma das meninas se mexe bastante e a outra é mais quieta. “Já tem uma diferença de personalidade”, diz Daniel.
Preocupados em criar um vínculo com as filhas, eles também enviaram para a Tailândia um aparelho com um fone especial para “conversar” com fetos na barriga. Gravaram duas horas de conversas de ambos em português e alemão, para que elas já fossem se familiarizando com as vozes dos pais no útero.
Três nacionalidades
Ana e Sofia deverão ter três cidadanias diferentes: nascerão tailandesas, depois serão registradas como brasileiras e, por último, como cidadãs alemãs.

Seus nomes foram pensados para que fossem fáceis de serem pronunciados em alemão, inglês e português, e elas terão um sobrenome de cada pai -- Schneidereidt Castro. “A gente não sabe onde elas vão crescer, o que vão querer fazer da vida. Queríamos opções neutras, pois elas vão crescer em um mundo mais globalizado do que o nosso, vão ser multiculturais”, explica Daniel.
Queríamos nomes neutros, fáceis de serem pronunciados em alemão, inglês e português, pois elas vão crescer em um mundo mais globalizado do que o nosso"
Daniel Nascimento, sobre as escolha dos nomes Ana e Sofia para as filhas
Para que as crianças sejam trilíngues desde pequenas, a ideia é que cada pai converse com elas em seu idioma natal e elas usem o inglês com outras pessoas.
O parto está marcado para o dia 25 de março, mas, caso se antecipe, eles já estão com as malas prontas “na porta de casa” há três semanas.
Ambos conseguiram uma licença de seis meses no trabalho: quando a de Daniel, executivo numa multinacional de informática, acabar, começa a de Ole. “Aqui as pessoas são muito liberais. Vamos ter o direito que qualquer mãe tem”, diz Daniel, que participa de fóruns de pais gays em Londres e diz que o tema é bem aceito por lá.
O casal fez um curso de paternidade para aprender cuidados básicos como troca de fralda e banho, mudou-se para um apartamento maior e com jardim e fez um chá de bebê. As duas avós também devem viajar para a Tailândia para ajudar nos primeiros meses a cuidar delas, que serão as primeiras netas das duas famílias. “Elas vão ser as criaturas mais desejadas do mundo. Está todo mundo super empolgado”, diz Daniel.
Mesmo com tanta preparação, ele diz que o frio na barriga é grande. "Estou bem ansioso, doido para ver o rostinho delas."
Falta também decorar o quartinho dos bebês. Sobre isso, eles já decidiram uma coisa: nada de cor de rosa. “É muito clichê, e não queremos nenhum tipo de clichê na vida delas”, diz Daniel.
Infográfico sobre tratamento de fertilidade com barriga de alguel de Daniel Nascimento e Ole (Foto: Editoria de arte/G1)











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sábado, 15 de março de 2014

Mulher ganha batalha legal para manter sêmen de marido morto

BBC
06/03/2014 18h25 - Atualizado em 06/03/2014 18h56

Mulher ganha batalha legal para manter sêmen de marido morto

Agência reguladora quer destruir o esperma congelado e disse que vai recorrer da decisão da corte.

Da BBC


A inglesa Beth Warren  (Foto: PA)A inglesa Beth Warren (Foto: PA)
A inglesa Beth Warren ganhou na Justiça, nesta quinta-feira (6), o direito de manter o sêmen de seu marido, morto há dois anos.
O esperma foi congelado antes de o instrutor de esqui Warren Brewer começar um tratamento contra um câncer no cérebro.
Na época, assinou um documento autorizando sua mulher a usar seu sêmen caso ele morresse.
De maneira geral, a lei permite que espermas e óvulos sejam armazenados por no máximo 55 anos, se o termo de consentimento for renovado regularmente.
Mas, nesse caso, a agência reguladora - a Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA) - afirmou que o esperma não pode ser armazenado além de 2015, já que Brewer não poderia renovar o consentimento.
Casamento
Ele e Beth já estavam juntos havia 8 anos quando o câncer foi diagnosticado - e se casaram em uma clínica onde ele estava internado seis semanas antes da morte.

Após a decisão da corte, Beth disse que estava '"radiante".
"Não tenho nem palavras para descrever m minha felicidade. Até agora, eu não me permiti acreditar que tudo ia realmente dar certo."
Segundo ela, o período em que o marido morreu foi muito turbulento para ela, não apenas pela morte dele, mas também porque, semanas antes, ela perdeu seu irmão em um acidente de carro.
Por isso, Beth disse que foi preciso a adiar a decisão de ter um filho, até que ela conseguisse "se reestabelecer emocionalmente".
A britânica disse que ainda não decidiu se é o momento de ter um filho. "É uma decisão importantíssima", disse ela, sobre ter um filho que nunca vai conhecer o pai.
"Não tenho como decidir isso agora. Preciso de mais tempo para retomar minha vida. E pode ser que eu nunca decida fazer o tratamento para engravidar. Mas, quando eu sair do luto, quero ter a liberdade de decidir sobre isso."
2023
A sentença da Justiça diz que o correto seria que o sêmen fosse mantido até, pelo menos, abril de 2023.

No entanto, a batalha não chegou ao final, já que a HFEA decidiu recorrer da decisão.
Segundo a agência, a decisão pode ter implicações para outros casos, em que as demandas do doador de esperma não sejam tão claras.
Já o advogado da britânica, James Lawford Davies, disse que as determinaçãoes da HFEA criam injustiças.
"Por bom senso, é preciso dar tempo para que ela se recupere da perda do marido e do irmão e não força-la a tomar uma decisão tão importante nesse ponto de sua vida."
Ele disse ainda que as regras da agência têm inconsistências, já que não há, por exemplo, restrições para exportar o esperma, então ele pode ser usado em tratamentos em outros países.
O esperma também poderia ser usado para desenvolver embriões, que podem ser congelados e armazenados por sete anos.
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Médicos esperam ter novo caso de bebê curado de HIV após nascimento

05/03/2014 19h44 - Atualizado em 05/03/2014 19h45

Médicos esperam ter novo caso de bebê curado de HIV após nascimento

Em conferência, especialistas relataram tratamento precoce em menina.
Testes indicam que ela pode ter eliminado o vírus da Aids.

Da Associated Press

A virologista Deborah Persaud, da Johns Hopkins (Foto: AP Photo/Johns Hopkins Medicine)A virologista Deborah Persaud, da Johns Hopkins (Foto: AP Photo/Johns Hopkins Medicine)

A menina nasceu num subúrbio de Los Angeles em abril passado, um mês depois de pesquisadores anunciarem o primeiro caso similar conhecido, que ocorreu no Mississippi. Essa criança atualmente tem 3 anos e meio, e há dois está sem tratamento algum, e sem apresentar o HIV.

Um novo caso de um bebê que nasceu com o vírus da Aids e pode ter sido curado por  tratamento rápido - 4 horas após o nascimento – foi apresentado numa conferência em Boston, nos EUA.
O caso levou os médicos em todo o mundo a repensar o quão rápido e se deve tratar crianças nascidas com HIV, e os médicos da Califórnia seguiram esse exemplo. O bebê de Los Angeles ainda está recebendo medicamentos, de modo que o estado de sua infecção não é tão claro. Uma série de testes sofisticados sugere que eliminou completamente o vírus, disse Deborah Persaud, médica da Universidade Johns Hopkins , que liderou o teste e também esteve envolvida no caso de Mississippi.
Os sinais do bebê são diferentes dos que os médicos veem em pacientes cujas infecções são meramente suprimidas por um tratamento bem sucedido, disse ela. "Não sabemos se está em remissão ... mas parece que sim", disse Yvonne Bryson, especialista em doenças infecciosas da Universidade da Califórnia, que também participou do tratamento do bebê.
Cautela
Os médicos são cautelosos sobre se a menina foi mesmo curada. Mas é, obviamente, a nossa esperança ", disse Bryson. A maioria das mães infectadas pelo HIV nos EUA começa a tomar medicamentos durante a gravidez, o que reduz muito as chances de passar o vírus para seus bebês.

A mãe do bebê do Mississippi não recebeu nenhum cuidado pré-natal e sua condição de sorpositiva foi descoberta durante o parto. Os médicos começaram o tratamento da criança 30 horas após o nascimento, mesmo antes de os testes poderem determinar se ela estava infectada.
A mãe do bebê que nasceu em Los Angeles não estava tomando medicamentos para o HIV. Ela recebeu os remédios durante o trabalho de parto para tentar impedir a transmissão do vírus e o bebê passou a tomá-los algumas horas após o nascimento. Testes mais tarde confirmaram que a criança tinha sido infectada, mas não parece mais estar, quase um ano depois. Ela segue o tratamento no orfanato onde vive.
Bryson é uma das líderes de um estudo financiado pelo governo americano que pretende determinar se o tratamento precoce pode curar a infecção pelo HIV. Cerca de 60 bebês nos EUA e outros países terão tratamento muito agressivo com medicamentos, que vai ser suspenso se os testes durante um longo tempo, talvez dois anos, não indicarem infecção ativa. Depois elas serão seguidas de perto para acompanhamento da evolução da doença.
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Após três anos de aprovação em exame, advogada transexual consegue registro da OAB

Três anos depois de aprovada no exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a transexual Giowana Cambrone Araújo, 34 anos, finalmente conseguiu o registro profissional, entregue nesta segunda-feira (24), constando no documento o nome feminino que realmente a identifica. Antes, ela precisou vencer uma batalha judicial, iniciada em 2010, para a troca do nome na identidade civil. Somente após essa mudança, a Ordem autorizou a alteração do nome na carteira do órgão. Finalmente ela se sente entusiasmada a exercer a profissão que escolheu.
Após ser aprovada, em 2011, no exame realizado em Minas, onde nasceu, ela entrou com pedido de uso do nome social na Comissão de Direitos Humanos do órgão no Rio de Janeiro, para onde se mudou no final de 2012, pedindo o uso do nome social enquanto tramitava o processo judicial. No entanto, o pedido foi negado.
“A OAB não levou em consideração o fato de que travestis e transexuais podem ascender e se inscrever nos quadros da ordem. Deu como solução uma alternativa também estigmatizante, ter no documento os dois nomes o civil e o social. Me neguei me inscrever em uma instituição que negava a minha condição e a estigmatizava de tal forma”, contou.
Com o direito do uso exclusivo do nome social indeferido, Giowana se sentiu moralmente impedida de exercer a profissão. “Só faria sentido advogar com o nome que me identifica. Estão aí talvez contidos dois direitos fundamentais para o exercício da vida civil. O primeiro é o nome que te individualiza, que diz que você é e traz consigo outros elementos subjetivos, origem, gênero, etc. O outro é o direito ao trabalho, que dignifica e contribui socialmente. Não faria sentido advogar e não poder ter o meu nome e identidade de gênero reconhecidos para o exercício da minha profissão. O papel do advogado é promover a justiça, e ao aceitar tal condição estaria sendo injusta comigo mesma”.
Durante os últimos três anos ela admite que, em alguns momentos, chegou a pensar em jogar tudo para o alto e desistir, mas contou com o apoio da mãe e do marido, o cientista político Márcio Sales Saraiva, com quem tem um relacionamento há dois anos. “Eles sempre me deram força para continuar batalhando. Foram fundamentais para mim”.
A sentença judicial que garantiu a Giowana o direito de retificar o nome em documentos oficiais saiu em julho do ano passado. Ela fez a alteração em todos os documentos: identidade, CPF, certidão de nascimento e em outubro entrou com novo processo na OAB. “Somente em outubro quando meus documentos foram retificados judicialmente que pude protocolar o pedido que ainda levou quatro meses para ser entregue enquanto o normal são uns 45 dias”, lembrou. A OAB alegou que a demora de quatro meses ocorreu porque a prova foi feita em lugar diferente do estado onde o registro foi pedido.
Quando teve a carteira profissional nas mãos, recebida na sede da OAB-RJ, no cento da cidade, Giowana pôde finalmente comemorar o triunfo em uma longa batalha contra a burocracia e o bom senso. “O sentimento é de vitória, mas também de marcar um território de direitos a serem reconhecidos de travestis e transexuais, de toda uma população que é invisibilizada socialmente e politicamente. E o primeiro dos direitos a serem reconhecidos para essa população é o reconhecimento do nome, que garante acesso aos serviços públicos e a cidadania. Pelo menos de certa forma”, comentou.
Pós-graduada em direito constitucional, a advogada milita em causas sociais defendendo o direito de minorias. Ela presta ainda assistência jurídica na ONG Transrevolução, que como o nome sugere, atua na luta de direitos de transexuais.
“Sou parte de uma população invisibilizada pela sociedade, em que naturalizou-se o trabalho precarizado ou a prostituição como o único meio de vida. Somos vítimas de chacotas de e temos nossos direitos aviltados constantemente. O ideal seria que qualquer pessoa, capaz, consciente de seus atos tenha sua identidade de gênero e nome reconhecidos pelo Estado, e pelas instituições e seus direitos garantidos”.
Giowana espera que a OAB adote postura mais flexível e que, em casos futuros, a retificação do nome na carteira não dependa de decisão judicial. “Acho que deve ser pensado de que forma a OAB pode receber essa população em seus quadros. Um registo na ordem contendo o nome civil e nome social, como foi a alternativa apresentada é estigmatizante, pois indica e atrela a condição de identidade de gênero ao exercício profissional. O OAB, como órgão máximo da advocacia brasileira, e que sempre esteve a frente em várias discussões que consolidaram direitos no Brasil, deve puxar esse assunto de vanguarda na esfera nacional, não somente da aceitabilidade do uso do nome social, mas da possibilidade jurídica de retificação de registo civil de pessoas trans sem necessitar a demanda judicial”.
O presidente da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, ao saber do caso através reportagem do BLOG LGBT pediu desculpas publicamente à advogada. “Foi um erro de comunicação. Esse caso não chegou até a mim, se tivesse chegado com certeza eu deferiria, já que ela tinha a documentação provando que deu entrada no processo de retificação do registro civil. Eu peço desculpas publicamente a ela pelo que aconteceu. A OAB tem um histórico de defesa dos direitos LGBT”, declarou.
No Congresso Nacional, os deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Erika Kokay (PT-SP) apresentaram no ano passado a Lei João W Nery que busca garantir o reconhecimento da identidade de gênero em documentos oficiais independentemente de intervenções cirúrgicas ou tratamentos hormonais e sem a necessidade de intervenções judiciais. Após pressão de ativistas, transexuais ou não, a parada gay de São Paulo, considerada a maior do mundo, adotou a luta da aprovação da lei como tema para o desfile em 2014.
João W Nery é escritor e psicólogo. Foi o primeiro transexual brasileiro a fazer a cirurgia de mudança de sexo. É autor do livro Viagem Solitária, Memórias de um Transexual 30 anos depois.
O Dia Online 
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sábado, 8 de março de 2014

Reino Unido planeja realizar primeira fertilização com 'duas mães


Reuters
27/02/2014 12h00 - Atualizado em 27/02/2014 12h32

Reino Unido planeja realizar primeira fertilização com 'duas mães'


Proposta de regulamentação foi apresentada nesta quinta-feira.Método evita doenças mitocondriais em bebês; médicos se dividem.



A Grã-Bretanha publicou nesta quinta-feira (27) uma proposta de regulamento para que o país se torne o primeiro a permitir tratamentos de fertilização em que os bebês resultantes tenham um pai e "duas mães", evitando assim a transmissão de doenças incuráveis.
Médicos elogiaram a decisão, mas críticos temem que a prática leve ao nascimento de crianças com características pré-definidas. Segundo o governo, a medida será submetida a escrutínio público e aprovação do Parlamento.
A técnica é conhecida como fertilização "in vitro" (FIV) com três genitores, porque a prole tem os genes da mãe, do pai e de uma doadora.
Paralelamente aos planos britânicos, consultores médicos dos EUA iniciaram nesta semana uma série de audiências públicas para avaliar as justificativas científicas para a realização de testes do procedimento em humanos.
O tratamento, atualmente apenas em estágio de pesquisa em laboratórios da Grã-Bretanha e Estados Unidos, representaria a primeira vez em que embriões geneticamente modificados seriam implantados em mulheres.
Como faz?
O processo envolve uma intervenção no processo de fertilização para remover o DNA mitocondrial danificado, capaz de causar doenças hereditárias como problemas cardíacos fatais, insuficiência hepática, distúrbios cerebrais, cegueira e distrofia muscular.

As doenças mitocondriais -que são incuráveis e transmitidas pela linhagem materna- afetam cerca de uma em cada 6.500 crianças no mundo todo. A mitocôndria funciona como pequenas "baterias" geradoras de energia dentro das células.
Os cientistas estão pesquisando várias técnicas de FIV com três genitores. Uma delas, sendo desenvolvida na Universidade de Newcastle, é conhecida como transferência pró-nuclear, e consiste na troca de DNA entre dois óvulos humanos fertilizados.
Outra, chamada de transferência do fuso materno, intercambia material entre o óvulo da mãe e o óvulo da doadora antes da fertilização.
Uma comissão de ética médica da Grã-Bretanha que avaliou possíveis novos tratamentos em 2012 concluiu que eles são éticos e devem ser levados à frente enquanto as pesquisas indicarem que eles serão seguros e eficazes.
Como a Grã-Bretanha está na vanguarda dessa pesquisa, as preocupações éticas, decisões políticas e avanços científicos são atentamente observados no mundo todo, especialmente nos EUA.
A consulta pública britânica sobre a proposta de regulamentação começou na quinta-feira e vai até 21 de maio.

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Fertilização 'in vitro' com três pais está em debate nos EUA

26/02/2014 21h00 - Atualizado em 26/02/2014 21h28

Fertilização 'in vitro' com três pais está em debate nos EUA


Na técnica, óvulo da mãe tem sua mitocôndria substituída pela de doadora.
Prática poderia evitar transmissão de genes ligados a doença mitocondrial.

Da AFP

 Um comitê de especialistas apresentou nesta quarta-feira (26) à agência americana que regula o setor de remédios e de alimentos nos Estados Unidos (FDA) sua opinião sobre uma polêmica nova técnica que combina o DNA de três pessoas para criar um embrião sem falhas genéticas.
O foco da análise é nos defeitos genéticos responsáveis por algumas doenças hereditárias incuráveis.
Reunido desde terça, o painel de especialistas deve apresentar suas recomendações finais à Food and Drug Administration (FDA) sobre a segurança desse procedimento para testes clínicos. Até agora, essa técnica foi testada apenas em macacos.

Os cientistas afirmam que essa técnica, denominada "fertilização in vitro com três pais", deveria ser autorizada para testes clínicos, já que tem um enorme potencial médico, assim como para a investigação sobre as células-tronco embrionárias e a clonagem.

Os especialistas não vão se manifestar sobre as questões éticas que o procedimento possa gerar. Seus críticos comparam-no com a manipulação genética para conceber bebês.
Essa tecnologia consiste em extrair do óvulo da mãe a mitocôndria, ou seja, o gerador de energia da célula que é defeituoso, para substituí-lo por uma mitocôndria saudável de outra mulher. Depois de ter sido fecundado pelo esperma do pai no laboratório, o óvulo é implantado na mãe, e a gravidez pode, então, desenvolver-se normalmente.
Esse procedimento foi inventado pelo pesquisador Shukhrat Mitalipov, da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon (noroeste dos EUA), que conseguiu dar à luz cinco macacos em perfeito estado de saúde e, agora, propõe-se a usar essa técnica em humanos em testes clínicos.
Todos os anos, de mil a quatro mil crianças nascidas nos Estados Unidos desenvolvem uma doença mitocondrial - a maioria antes do dez anos. Essas patologias são muito variadas e podem afetar o sistema nervoso central, causar cegueira, ou problemas cardíacos.
As doenças da mitocôndria impedem que os nutrientes dos alimentos sejam transformados em energia e, com frequência, resultam de defeitos genéticos causados por mutações no DNA mitocondrial herdado da mãe.
Já existe outra técnica
Cientistas nos Estados Unidos já fizeram com sucesso experimentos de fertilização combinando material genético de três pessoas, mas com uma técnica diferente.

Em 2001, pesquisadores de Nova Jersey (leste dos EUA) pegaram o tecido do citoplasma, a envoltura do núcleo do óvulo em uma mulher fértil e implantaram-no depois da fecundação do óvulo de uma mulher estéril. Quase 20 crianças foram concebidas dessa forma nos Estados Unidos.
Esse procedimento trouxe muitas perguntas e levou a FDA a pedir aos cientistas que abandonassem seu uso em seres humanos sem uma permissão especial.
Sobre a nova técnica que a FDA está analisando, o Center for Genetics and Society, um organismo em Washington oposto ao procedimento e que organizou uma petição contra sua aprovação, considera que essa tecnologia "apresenta sérias questões de segurança e éticas para a sociedade".
"É um procedimento biologicamente extremo que supõe um risco para qualquer criança concebida dessa maneira e que questiona um consenso internacional de longa data contra a concepção de humanos geneticamente modificados", afirmou a diretora dessa organização, Marcy Darnovsky, em uma nota.
"Essa técnica carrega um grande número de riscos previsíveis e imprevisíveis para cada criança nascida dessa maneira, assim como para as gerações futuras. Isso pode abrir caminho para uma maior manipulação genética de células germinais", acrescentou.
Cerca de 40 países aprovaram leis que proíbem esses tipos de modificação genética, alegou Darnovsky.
Rejeitando esses temores, a diretora-executiva da Fundação das Células-Mãe de Nova York, Susan Solomon, ressaltou que "a investigação não deve estar motivada pelo medo do desconhecido".
"Não é uma questão de bebês geneticamente modificados. Apenas tentamos evitar doenças horríveis", disse Susan ao jornal "The Washington Post".
A FDA não é obrigada a adotar as recomendações dos comitês de especialistas que consulta, embora as análises sejam, frequentemente, ratificadas.


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