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terça-feira, 7 de março de 2017

A militar que morreu após tratamento polêmico contra câncer com bicarbonato de sódio

A militar que morreu após tratamento polêmico contra câncer com bicarbonato de sódio

  • 23 janeiro 2017
Naima Houder-Mohammed
Em maio de 2009, Naima Houder-Mohammed tornou-se capitã do Exército britânico. No ano seguinte, ela foi diagnosticada com câncer de mama, se tratou e foi considerada curada.
Mas, em 2012, enquanto treinava com a equipe militar de esqui, foi detectado que seu câncer havia retornado. Sua situação era tão séria que foi oferecido a ela um tratamento paliativo até sua morte.
"Ela se recusou a aceitar que era seu fim", recorda seu amigo e ex-companheiro de profissão, Afzal Amin.
"Naima era uma batalhadora. Ela lutou para entrar na academia militar e para se formar. Ela lutou por tudo em sua vida. Essa era apenas mais uma batalha em sua longa lista de vitórias."
Como suas opções médicas eram limitadas, Naima fez o que muitos fazem: recorreu à internet em uma busca de uma solução.
Isso a levou até Robert O. Young, autor de livros sobre Medicina alternativa que vendia uma mensagem de esperança para pacientes com câncer pela rede.
Naima começou a se corresponder por e-mail com ele, em uma história que revela o quanto a pseudociência pode ser usada para manipular quem se encontra em um estado vulnerável.
Naima Houder-MohammedDireito de imagemDAVID POOLE
Image captionA capitã britânica Naima recorreu à internet em busca de um tratamento para câncer de mama
Young é autor de uma série de livros entitulada O Milagre do pH, que teve mais de 4 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo. Seus textos explicam sua "abordagem alcalina" quanto à alimentação e à saúde, que já influenciou muitas pessoas.
Em um e-mail de Naima para Young em julho de 2012, ele diz a ela que "há uma maior necessidade de se concentrar em um regime diário focado em...espalhar alcalinidade pelo sangue."
"Sugiro que seu tratamento seja de ao menos 8 a 12 semanas. Não será fácil, mas você estará em um ambiente supervisionado em que receberá todos os cuidados necessários."
Naima foi em busca do dinheiro que precisaria para isso - em um e-mail, Young menciona o valor de US$ 3 mil (R$ 9,5 mil) por dia.
Sua família deu a ela suas economias, organizou eventos para arrecadar fundos e conseguiu dezenas de milhares de dólares com a ajuda de uma organização de caridade.
Mas o tratamento não teve o resultado que Naima esperava.
Email enviado por Young a Naima
Image captionTroca de emails entre Young e Naima ajudou a entender como tudo aconteceu
Em uma manhã ensolarada, nós fomos de carro até os arredores de San Diego, na Califórnia, para visitar Young em seu paraíso milionário conhecido como "Rancho do Milagre do pH".
Enquanto Young nos recebia, nosso olhar foi atraído por um aquário vazio incrustado na parede que separa a sala da cozinha. Ele notou nosso interesse e passou a compartilhar sua visão alcalina do mundo, começando pelo que chama de metáfora do aquário vazio.
"Se um peixe está doente, o que você faz? Trata o peixe ou troca a água?", disse ele, emendando em seguida: "Em seu estado perfeito, o corpo humano é alcalino por natureza."
O pH do nosso sangue é de 7,4, ou seja, ligeiramente alcalino. Então, em termos gerais, Young está certo - ainda que diferentes partes de nosso corpo, como o estômago, funcionem com diferentes níveis de pH.
Mas é a partir daí que a visão de uma "vida alcalina" de Young torna-se uma fantasia completa. Ele acredita que, para manter o pH de nosso sangue, devemos ingerir alimentos "alcalinos".
O principal problema é não levar em conta nosso estômago, que funciona com um pH de cerca de 1,5 e é a região mais ácida do corpo. Portanto, tudo que ingerimos, seja qual for seu pH, torna-se ácido antes de chegar ao intestino.
Além disso, a classificação de comidas como alcalinas e ácidas nessa dieta não parece seguir nenhuma regra consistente - certas frutas cítricas (repletas de ácido cítrico) são consideradas alcalinas, por exemplo.
No entanto, a visão de Young de que a alcalinidade é boa e a acidez é ruim vai além dos alimentos. Ele nos disse: "Toda doença pode ser prevenida controlando o delicado equilíbrio do pH dos fluidos do corpo".
Young acredita que, quando seu sangue se torna ácido, algo estranho acontece, e as células sanguíneas se transformam em bactérias - um fenômeno que ele chama de pleomorfismo - e geram uma doença.
Essa visão vai contra todo o conhecimento científico atual. Quando dissemos isso a ele, Young simplesmente discordou. "Germes nada mais são que a transformação biológica da matéria animal ou vegetal. Eles nascem a partir disso."
Isso é uma "pós-verdade".
Giles Yeo com Robert O. Young em seu rancho
Image captionYoung (dir.) vive em um rancho milionário nos arredores de San Diego, na Califórnia
O maior problema é Young acreditar que doenças surgem a partir da acidez e, portanto, podem ser revertidas por meio da alcalinidade - ecoando sua metáfora do aquário que você não trata a doença, você muda o ambiente em que ela se desenvolve.
Quando Young disse que Naima receberia cuidados em um ambiente supervisionado, ele se referiu a seu rancho, em que uma grande área foi convertida em uma "clínica" para tratamento de câncer.
Young nos disse que usa o termo "cancerígeno" como um adjetivo para descrever um estado de acidez.
Desde 2005, ele recebeu mais de 80 pacientes terminais em seu rancho. O tratamento feito ao longo de alguns meses inclui infusões intravenosas de uma solução alcalina feita com bicarbonato de sódio. Foi isso que ele ofereceu a Naima.
Não há dúvidas do impacto do e-mail de Young sobre a oficial britânica. Em resposta à oferta, Naima respondeu: "Em alguns meses, serei declarada curada".
"Naima estava muito confiante de que, com sua força de vontade e essa terapia, ela se curaria", disse seu amigo Afzal.
Dissemos a Young que uma pessoa em estado terminal como Naima, desesperada por uma cura, compraria qualquer coisa que ele dissesse, faria qualquer coisa para melhorar.
"Mas eu não estava vendendo nada a ela... Não a forcei a vir aqui, foi uma decisão dela", ele respondeu. Mas, em outro e-mail, Young insistiu para que Naima pagasse pelo tratamento antes de viajar para seu rancho.
Email de Young para Naima
Image captionYoung insistiu por email para que a oficial pagasse pelo tratamento antes de viajar para seu rancho
Ao todo, Naima e sua família pagaram mais de US$ 77 mil (R$ 244 mil) a Young pelo tratamento.
"Médicos precisam ser pagos, as pessoas que fazem as massagens precisam ser pagas, assim como o material usado. Mas dei a ela o melhor preço possível" disse Young.
Não há qualquer evidência que infusões de soluções alcalinas na corrente sanguínea tenham qualquer efeito contra câncer. Diante disso, Young disse: "Isso precisa ser estudado".
Depois de cerca de três meses no rancho de Young, Naima piorou e foi levada para um hospital. Depois, viajou de volta para o Reino Unido, onde morreu junto à sua família. Ela tinha 27 anos.
"Eles se sentiram completamente traídos. É horrível que alguém possa explorar as pessoas. Acho isso o elemento mais perturbador de tudo: que, por dinheiro, ele destrua vidas", disse Afzal.
Robert O. Young
Image captionNo ano passado, Young foi condenado por praticar medicina sem licença
As atividades de Young em seu rancho não passaram despercebidas. Em 2011, o Conselho de Medicina da Califórnia começou uma investigação em segredo depois de uma mulher tratada no local manifestar suas preocupações.
Investigadores identificaram 15 pacientes com câncer que passaram por lá - nenhum deles sobreviveu.
Um deles, Genia Vanderhaeghen, morreu de insuficiência cardíaca congestiva - fluídos em torno do coração - enquanto era tratada. Young nos disse que estava "viajando" na época.
De acordo com documentos obtidos por nós, ela havia recebido 33 infusões intravenosas de bicarbonato de sódio, cada uma a um custo de US$ 550 (R$ 1,7 mil), ao longo de 31 dias. Algumas foram administradas pelo próprio Young.
No ano passado, Young foi considerado culpado de praticar medicina sem licença, e, agora, pode ficar até três anos preso. No julgamento, foi revelado que ele não é médico e que comprou seu diploma de PhD.
Perguntamos se ele sentia remorso pelo que fez. "Não, porque milhares ou até mesmo milhões de pessoas foram ajudadas pelo programa (da dieta alcalina)", Young respondeu.






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First British man to give birth


In one of most head-scratching stories so far this year, a British woman who began living as a man three years ago at the age of 17, has stopped her transition process to become a male because she wants to have a child.
After the National Health Service refused to freeze her eggs, Hayden Cross, 20, of Gloucester, who is currently unemployed, joined a Facebook group where she found a sperm donor. She is now four months pregnant although she has no idea who the father of her child is. As she told The Sun:
“I don’t know who the bloke was. To be honest I can’t remember anything about him. He wouldn’t even tell me his name. He didn’t want any contact. He said he was just doing it to help people. It was the first attempt and it worked. I was really lucky.”
She has told the media that she will be the “greatest dad”.
After the birth, Cross plans to have her breasts and ovaries removed and to continue transition to become a male. But she feels frustrated that her plans to transition have necessarily been put on hold. She told The Sun:
“It makes me angry that I’ve been put through this. Carrying a baby is meant to be a happy time, but in my body it feels wrong. I just couldn’t face being years down the line and still waiting to transition so that I can have a kid. I wanted the kid now so that I can have the transition before I get old. I want to enjoy being the way I was meant to be.”
In the media, Cross is being billed as the first British man to give birth. 
















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Catholic healthcare in Colorado may clash with new assisted suicide law



The US state of Colorado has legalized assisted suicide, but its large Catholic hospital system is refusing to cooperate, according to STAT.  
The state’s largest healthcare company, Centura Health, which operates 15 hospitals and more than 100 physician practices and clinics, will “opt out” of offering aid in dying. Centura is jointly operated by Catholic Health Initiatives and Adventist Health System, associated with the Seventh Day Adventist Church, which also opposed assisted suicide.
The second-largest, SCL Health, says that patients who request assisted suicide will be given the option of transferring to another healthcare facility. SCL Health runs seven hospitals and dozens of clinics.
The Colorado law specifies that healthcare systems may not prohibit their doctors from discussing end-of-life options with their patients or from writing prescriptions for lethal medications which can be consumed elsewhere. The policies of Centura and SCL may be testing this provision, a representative of Compassion & Choices, the assisted suicide lobby group, told STAT. C&C is thinking of a legal challenge to their policies.
Other healthcare systems in Colorado will offer the option of assisted suicide, so patients in urban areas will still be able to access it. But in rural areas, sometimes the Catholic system is the only one available. 














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quinta-feira, 2 de março de 2017

Stem cells 1: ‘Be patient,” says Nobel laureate Shinya Yamanaka


Shinya Yamanaka / New York Times    

Japanese researcher Shinya Yamanaka won the Nobel Prize in Medicine in 2012 for discovering that mature cells can revert to stem cells. These “induced pluripotent stem cells” can, theoretically, become any cell in the body. This was greeted not only as an immense technical breakthrough, but an ethical one, as scientists’ interest in embryonic stem cells for potential cures swiftly declined after his ground-breaking research.

In an interview with the New York Times, he has answered some questions about the future of stem cell research.
For a layman, the surprising thing about Dr Yamanaka’s view of the field is his scepticism about “personalised medicine”. It was once confidently predicted that a person’s iPS cells could be used to create whatever cells are needed to cure him. Not so, he says. Even iPS cells are potentially cancer-causing and have to be tested carefully. Instead of using iPS cells developed from each patient, he envisages using 10 thoroughly safety-tested stem cell lines -- which could treat all patients in Japan (or 20 in the US).
Here are some excerpts from the interview:
Was the promise of stem cells overstated?     
In some ways, yes, it is overstated. For example, target diseases for cell therapy are limited. There are about 10: Parkinson’s, retinal and corneal diseases, heart and liver failure, diabetes and only a few more — spinal cord injury, joint disorders and some blood disorders. But maybe that’s all.
The number of human diseases is enormous. I don’t know how many. We can help just a small portion of patients by stem cell therapy.
Why so few?   
We have more than 200 types of cells in our body. But the diseases I described are caused by loss of function of just one type of cell. Parkinson’s disease is caused by failure of very specialized brain cells that produce dopamineHeart failure is caused by loss of function of cardiac heart cell.
So, that’s the key. We can make that one type of cell from stem cells in a large amount, and by transplanting those cells, we should be able to rescue the patient. But many other diseases are caused by multiple types of cell failures, and we cannot treat them with stem cell therapy.
What are your biggest concerns about the future of stem cell treatments?
I think the science has moved too far ahead of talk of ethical issues. When we succeeded in making iPS cells, we thought, wow, we can now overcome ethical issues of using embryos to make stem cell lines.
But soon after, we realized we are making new ethical issues. We can make a human kidney or human pancreas in pigs if human iPS cells are injected into the embryo. But how much can we do those things?
It is very controversial. These treatments may help thousands of people. So getting an ethical consensus is extremely important.






















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Bebê de três progenitores nasce na Ucrânia por meio de nova técnica




Óvulo da mãe foi fertilizado com esperma do pai e, depois, núcleo foi transferido

para óvulo de doadora. Em 2016, bebê 'com três pais' nasceu no México por outra

técnica.




Embriologista Pavio Mazur explica procedimento de fertilização em laboratório da clínica Nadiya, em Kiev, na Ucrânia 
(Foto: Genya Savilov/AFP)
Um bebê de um casal infértil nasceu na Ucrânia por meio de uma nova técnica que utiliza o DNA de três progenitores, disse a chefe de uma clínica de fertilidade de Kiev nesta quarta-feira (18).
O menino foi concebido usando o DNA de sua mãe e o de seu pai, mas também o de uma doadora de óvulos, através de uma técnica chamada transferência pronuclear, disse Valeriy Zukin, diretora da clínica de fertilidade privada Nadiya, em Kiev.
A clínica disse em um comunicado que a mãe, de 34 anos, deu à luz um menino saudável em 5 de janeiro, depois de tentar engravidar durante mais de 15 anos e tendo passado por várias tentativas fracassadas de fertilização in vitro (FIV).
Os óvulos da mulher foram fertilizados com o esperma do parceiro, mas depois seus núcleos foram transferidos para um óvulo de uma doadora cujo núcleo havia sido removido.
Como resultado do procedimento, o óvulo ficou quase inteiramente composto de material genético do casal, com uma quantidade muito pequena (cerca de 0,15%) do DNA da doadora.
Zukin disse que espera que a técnica de transferência pronuclear possa ajudar outras mulheres cujos embriões param de se desenvolver em um estágio muito inicial durante os ciclos de FIV.
Em 2016, um bebê de três pais nasceu no México através de uma técnica diferente que também usa o DNA de três progenitores.
Zukin disse que o método de transferência pronuclear poderia ser usado para ajudar mulheres que sofrem de uma condição rara chamada detenção embrionária.
Ela estima que cerca de dois milhões de mulheres em todo o mundo tentam ter um bebê com a FIV por ano, e cerca de 1% delas sofrem de detenção embrionária.
"Aproximadamente entre 10.000 e 20.000 mulheres por ano poderiam ser potenciais candidatas para usar este método", disse Zukin.
Especialistas pediram cautela sobre a utilização do método como um tratamento de fertilidade, ressaltando que este se destina a pessoas com um risco muito alto de transmitir uma doença genética grave.
"Precaução e uma avaliação de segurança são exigidas antes do uso generalizado desta tecnologia", disse Yacoub Khalaf, diretor da Unidade de Concepção Assistida no Hospital Guy's e St Thomas' em Londres, citado pelo site Science Media Center.















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Cientistas criam embriões híbridos de porcos e humanos

Criação é passo importante em direção ao desenvolvimento de órgãos para 

transplante. Ideia alimenta controvérsias e levanta questões éticas.





Foto divulgada pelo Instituto Salk mostra um embrião de porco com 4 semanas que teve células-tronco humanas injetadas. (Foto: Salk Institute via AP)
Foto divulgada pelo Instituto Salk mostra um embrião de porco com 4 semanas que teve células-tronco humanas injetadas. (Foto: Salk Institute via AP)
ntistas criaram pela primeira vez embriões que contém uma combinação de células-tronco de duas espécies grandes e muito diferentes - humanos e porcos -, um passo importante em direção ao desenvolvimento de órgãos para transplante, revela um estudo nesta quinta-feira.
No entanto, a pesquisa ainda está em uma fase muito precoce e mostrou ser mais difícil do que o esperado, relataram os pesquisadores na revista científica Cell.
"Este é um primeiro passo importante", disse o autor principal, Juan Carlos Izpisua Belmonte, professor do Laboratório de expressão genética do Instituto Salk para Pesquisas Biológicas, na Califórnia.
"O objetivo final é desenvolver tecidos e órgãos funcionais e transplantáveis, mas estamos longe disso", acrescentou.
Cientistas implantaram células-tronco adultas humanas - conhecidas como células-tronco pluripotentes induzidas - em embriões de suínos e permitiram que elas crescessem por quatro semanas.
Mais de 150 embriões se desenvolveram em "quimeras" - como a mistura humano-animal é conhecida, em referência à figura híbrida da mitologia grega - que eram principalmente suínos, mas com um pequena contribuição humana.
O trabalho envolveu cerca de 1.500 embriões de porcos e levou quatro anos, muito mais tempo do que inicialmente estimado, devido à natureza complicada das experiências.
A ideia de criar misturas entre humanos e animais alimenta controvérsias e levanta questões éticas, particularmente porque os experimentos poderiam teoricamente levar à criação de animais com qualidades humanas, e possivelmente inteligência.
Mas segundo Jun Wu, cientista do Instituto Salk, o nível de contribuição humana para os embriões de porcos foi "baixo" e não incluiu precursores de células cerebrais.
'Emocionante'
Bruce Whitelaw, professor de biotecnologia animal da Universidade de Edimburgo, que não participou do estudo, descreveu-o como "emocionante" porque este "abre caminho para avanços significativos".
De acordo com Darren Griffin, professor de genética na Universidade de Kent, o "trabalho também nos ajudará a entender melhor a evolução, o desenvolvimento e as doenças" e pode eventualmente levar a uma solução para a escassez de órgãos.
"Neste estudo, os autores seguiram as diretrizes legais e éticas existentes, permitindo que os embriões se desenvolvessem pelo tempo máximo permitido", acrescentou.
"É importante que qualquer pesquisa futura seja conduzida com total transparência, de modo a permitir o escrutínio público e o debate", disse Griffin.














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A mulher que doa em vida seus órgãos a estranhos

Tracey Jolliffe já doou um rim, 16 óvulos e mais de 45 litros de sangue e, agora,

 pretende doar parte de seu fígado também.


Tracey Jolliffe já doou um rim, 16 óvulos e mais de 45 litros de sangue e pretende deixar seu cérebro para ser estudado pela ciência. Agora, também quer doar parte de seu fígado para alguém que não conhece.
"Se tivesse mais um rim extra, o doaria também", disse ela ao programa Victoria Derbyshire, da BBC.
Tracey é uma "doadora altruísta" - como são chamadas na Grã-Bretanha pessoas dispostas a dar um órgão para salvar a vida de um desconhecido.
Ela é microbióloga e trabalha no NHS, o sistema de saúde público britânico. Seus pais eram enfermeiros, e Tracey passou a vida ouvindo sobre a importância da assistência médica sob um ponto de vista profissional.
Mas ela também está determinada a fazer a diferença a nível pessoal. "Eu me registrei como doadora de sangue e de medula quando tinha 18 anos", conta.
Hoje aos 50 anos, ela continua disposta a doar o que pode.
Em 2012, ela foi uma das menos de cem pessoas no Reino Unido a doar um rim sem saber quem o receberia - e, agora, apoia a organização de caridade Give a Kidney (Doe um Rim, em inglês), que incentiva outros a fazerem o mesmo.
Até 30 de setembro de 2016, 5.126 estavam na fila de espera por um rim no NHS, em que o tempo médio de espera é de três a quatro anos.
No Brasil, o número é quase quatro vezes maior: eram 20 mil pessoas, entre adultos e crianças, até março de 2016, que aguardavam um rim, segundo os dados mais recentes da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos.
É de longe o órgão mais requisitado. De todos os pacientes à espera por um transplante de órgãos no Brasil, 58,7% aguardam por um rim - enquanto 4,2% precisam de uma doação de fígado, o segundo mais demandado na lista.
'Processo complexo'
Diferentemente da maioria dos transplantes, uma pessoa pode estar viva para doar um rim, porque só precisa de um dos dois existentes para sobreviver.
O rim doado por Tracey provavelmente salvou a vida de uma pessoa. "Eu me lembro disso todo dia quanto acordo", diz ela, orgulhosa.
No entanto, não foi uma decisão impulsiva. Doar um rim é um "processo complexo", diz ela, já que as avaliações das condições do doador levam até três meses para serem feitas.
Isso inclui exames de raio-X, cardíacos e de funcionamento do órgão, por meio de uma série de testes de sangue. "Não é algo que você faz se tem medo de agulhas", ela brinca.
Os riscos associados à doação de rim são baixos se o doador estiver saudável, com uma taxa de mortalidade de uma para cada 3 mil pacientes - o mesmo de remoções de apêndice.
O NHS diz ainda que a maioria dos doadores de rim tem uma expectativa de vida equivalente - ou maior - do que a média geral das pessoas.
Tracey conta ter ficado internada no hospital por cinco dias após a operação e que sua vida "voltou ao normal" após seis semanas.
Segundo a ONG britânica Kidney Research UK, pelo menos 60% das pessoas que recebem um rim podem ter a expectativa de viver em média por mais 15 anos após o transplante.
Além de ter ajudado a salvar vidas - inclusive com os mais 45 litros de sangue que já doou até hoje -, Tracey já doou 16 óvulos, que permitiram a três casais ter filhos.
Foi fácil tomar essa decisão, diz ela. "Não tenho vontade de ter filhos, então, pensei 'Sou saudável, por que não?'."
Regeneração
Agora, ela espera doar parte de seu fígado - e, de novo, para alguém que não conhece. Ela está ciente dos riscos envolvidos. "O perigo é muito maior do que na doação de rim", afirma.
A taxa de mortalidade de uma doação a partir do lóbulo direito do órgão é de uma morte a cada 200 pessoas e, a partir do lóbulo esquerdo, de uma a cada 500.
Mas muitos doadores têm uma vida longa e saúdavel após o transplante, diante da "incrível capacidade de regeneração" do órgão, esclarece Tracey.
Quase imediatamente após a cirurgia, o restante do fígado do doador começa a crescer, um processo conhecido como hipertrofia e que continua por até oito semanas.
Tracey afirma não ter dúvidas de que continuará a doar enquanto puder e espera fazer isso mesmo após morrer. "Eu me registrei para dar meu cérebro para a ciência médica quando partir", diz ela.
Doações de cérebro são efetivadas até 24 horas após a morte de uma pessoa e contribuem para o estudo de males como, por exemplo, a demência.
Mas quais são as razões de Tracey para doar órgãos - seja um cérebro ou um rim?
"É parte da minha natureza, minha oportunidade de fazer algo de bom."













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