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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

CIÊNCIA O que acontece com os corpos doados para estudos?

O que acontece com os corpos doados para estudos?

O departamento de anatomia da Universidade Autônoma de Madri abre suas portas para mostrar como trabalham com os cadáveres de doadores altruístas

Espaço dedicado à prática cirúrgica com cadáveres na Universidade Autônoma de Madri. F. C.
Há dois anos, um escândalo na Universidade Complutense de Madri horrorizou muitas pessoas que tinham decidido doar seus corpos para a ciência e encheu de dúvidas aquelas que pensavam em fazê-lo. Nos porões de sua faculdade de medicina havia dezenas de cadáveres acumulados e mal conservados, que dificilmente podiam cumprir a função para a qual estavam designados. Uma disputa entre membros da instituição prolongou a situação: continuavam recebendo corpos apesar de já não ter capacidade para administrá-los. As imagens e as descrições de um cenário formado por cadáveres amontoados em condições insalubres resultaram na diminuição do número de doadores, e não só para a Universidade Complutense.
"O que aconteceu na Complutense é algo completamente atípico", afirma Francisco Clascá, catedrático de Anatomia Humana da faculdade de medicina da Universidade Autônoma de Madri. Depois da extensa saga de notícias sobre a gestão dos corpos doados à universidade vizinha, Clascá reconheceu que muitos dos doadores se mostraram preocupados. Por isso, ele decidiu abrir suas portas para mostrar que, em suas instalações, os cadáveres são tratados com a dignidade que merecem, e que servem para melhorar os tratamentos médicos que os vivos recebem.
Durante séculos, os cirurgiões tiveram que praticar com os cadáveres no inverno para evitar a putrefação
O professor lembra que o interesse pela anatomia sempre foi encabeçado pelos cirurgiões, que tratavam de aprender técnicas, praticando nos mortos, para operar com menos riscos. Durante séculos, os pioneiros nessa área tinham que trabalhar com corpos frescos e durante o inverno, para que o frio retardasse o processo de decomposição. Essas condições, somadas ao fato de que muitas vezes essas atividades tinham que ser realizadas de maneira clandestina, podem explicar, segundo Clascá, muitos dos enganos na descrição do corpo humano que estão presentes nos tratados de anatomia clássica. A partir do século XIX, o uso do formol melhorou a conservação. Essa substância, ao ser injetada nos cadáveres, forma ligações químicas muito fortes, o que detém os processos de autodestruição celular e a atividade das bactérias que decompõem nossos organismos depois da morte.
Esses corpos conservados em formol são os que servem para formar os estudantes de anatomia "como se estivessem diante de um livro". Com eles, aprendem que nenhum corpo é igual ao outro, e que inclusive o braço direito de uma pessoa é muito diferente do esquerdo. O formaldeído conserva as estruturas básicas do organismo, mas tem algumas limitações. As ligações químicas que detêm a decomposição enrijecem os tecidos, o que diferencia bastante o material de estudo de uma pessoa doente que necessita ser operada. Uma das opções para superar essas limitações é o uso de corpos fragmentados e congelados. Assim, cada parte com a que se deseje trabalhar é descongelada separadamente. Essa técnica melhorou as condições de trabalho dos cirurgiões que dissecam os cadáveres durante o inverno, para aproveitar o frio, mas a decomposição do organismo continua sendo rápida, e as partes descongeladas não podem ser utilizadas mais de uma vez. Assim, se um crânio é descongelado para um estudo do ouvido, não poderá ser aproveitado para outro sobre a mandíbula, por exemplo, já que se estragará. Além disso, ao não esterilizar os corpos, aqueles que praticam com eles correm um maior risco de contrair infecções.
Uma terceira opção, mais sofisticada, mas também mais cara, é a que Clascá e sua equipe utilizam na Universidade Autônoma de Madri. Ela foi desenvolvida por Walter Thiel, diretor do instituto de anatomia da universidade de Graz (Áustria), após três décadas de trabalho. Em vez de apenas formol, Thiel injetava nos corpos uma mistura que continha uma pequena quantidade dessa substância mesclada com sais, ácido bórico, antisséptico, etilenoglicol e anticongelante. Esse líquido detém o processo de putrefação, esteriliza o corpo e o mantém flexível, e com órgãos de aspecto muito mais parecido ao de um paciente vivo. Assim, os riscos biológicos são eliminados e é possível aproveitar ao máximo as distintas partes do corpo conservadas.
A preparação, não obstante, requer um investimento inicial importante, porque, além das soluções que se injetam nos corpos, são necessárias grandes quantidades dos produtos que se empregam no processo para encher os contêineres nos quais os cadáveres devem permanecer imersos durante seis meses. Depois, eles são levados a uma espécie de armazém refrigerado onde ficam guardados até o momento de serem utilizados. "Realizar bem essa técnica requer muito conhecimento e um investimento importante, mas, no final, vale a pena", garante Clascá. Na Espanha, apenas a Universidade Autônoma de Madri e a Universidade Miguel Hernández, em Elche (Alicante), fazem uso dessa técnica.
Uma vez tratados, os corpos estão preparados para passar às mãos dos médicos que estudam na universidade. Por um lado, servem como uma espécie de simulador de voo para os cirurgiões jovens, que necessitam acumular horas de prática antes de usar o bisturi em pessoas vivas. "É uma forma de salvar vidas e de reduzir os erros nas cirurgias", explica Clascá. Por outro lado, também são úteis para que alguns dos melhores profissionais do mundo coloquem em prática intervenções experimentais. Esse é o caso de Mario Fernández, chefe do serviço de otorrinolaringologia do Hospital Universitário de Henares (Madri), que desenvolveu uma técnica para retirar tumores de faringe e laringe através da boca, sem a necessidade de realizar incisões no pescoço dos pacientes, o que diminui o tempo de recuperação e também as sequelas. "Nos cadáveres tratados com formol, a laringe fica muito coagulada, mas com o Thiel não, e, por isso, eles podem ser utilizados para esse tipo de testes", diz Clascá.
Um cirurgião utilizou cadáveres para aperfeiçoar a operação de laringe através da boca
Atividades similares, nas que cirurgiões especializados em intervenções concretas ensinam o processo a seus colegas de profissão, foram realizadas também por especialistas em operar o plexo braquial. Tal estrutura nervosa da base do pescoço é constantemente lesionada em acidentes de moto, e, se não for tratada de forma adequada, pode inutilizar o braço do paciente. Todas essas técnicas surgem da prática diária dos médicos, mas podem ser aperfeiçoadas de maneira a reduzir os riscos graças aos cadáveres. Outro grupo de profissionais que utiliza os corpos doados para uso científico para melhorar seu trabalho são os anestesistas. Com técnicas de ecografia, eles podem estudar os pontos do organismo onde aplicar as anestesias para diminuir as doses necessárias e, com isso, o tempo de recuperação. Os enfermeiros também podem praticar técnicas complicadas, como a de injetar fármacos nos ossos para a recuperação de pacientes que perderam muito sangue e nos quais é impossível encontrar uma veia. Por último, Clascá conta que sua universidade também colabora com empresas de bioengenharia, que utilizam seus cadáveres para testar novas próteses e técnicas para fechar o esterno depois de uma cirurgia de coração aberto ou para implantar parafusos na coluna vertebral.
Sobre o financiamento da preparação dos cadáveres e do equipamento que integra as salas de aula destinadas a essa prática, Clascá explica que os gastos são cobertos com o dinheiro arrecadado pelos próprios cursos. "Tanto os professores quanto os alunos provêm de centros públicos e privados e a consideração que prima é a qualidade científica dos programas e o prestígio profissional dos professores", afirma o catedrático.
Clascá conta que sua universidade decidiu explicar melhor o que fazem com os corpos doados devido à incerteza gerada pelo caso da Complutense. Além de se aproximar de meios como o EL PAÍS, lançaram um site para esclarecer as dúvidas daqueles que estejam interessados em doar. O número de cadáveres recebidos, que atualmente é de entre 70 e 80 ao ano, caiu em um momento em que a capacidade da instituição permitiria administrar o dobro. A Universidade de Barcelona recebe cerca de 250 corpos por ano, e a Universidade Miguel Hernández 150.
Na Espanha, explica Clascá, parece não existir um tabu cultural em relação à doação de corpos, que é mais singela do que a de órgãos, já que não é necessário ser jovem nem um bom estado de saúde. No entanto, na América Latina, o panorama é outro. A região ainda não é capaz de obter cadáveres suficientes para o treinamento de seus cirurgiões. Um pouco mais extremo é o que acontece no mundo muçulmano, onde as doações são limitadas devido à tradição de enterrar os mortos com a maior celeridade possível, e a proibição, segundo algumas interpretações da religião, de dissecar os cadáveres. Isso obriga esses cirurgiões a viajar à Europa e a outras regiões para estudar.
É difícil avaliar o valor que o treinamento em cadáveres agrega à formação dos cirurgiões. No entanto, o progresso nas operações é evidente. "Nos anos oitenta, uma cirurgia de córnea demandava dois dias de internação no hospital, e, agora, o paciente pode receber alta na mesma tarde", exemplifica Clascá. A redução das incisões em todos os tipos de cirurgia, como a mencionada de laringe, também diminuiu o tempo de recuperação. "Uma vez mortos, não consigo pensar em um melhor uso que se possa dar a nossos corpos", conclui Clascá.
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A rara síndrome que faz homem pensar que está morto

17/07/2016 15h39 - Atualizado em 17/07/2016 15h39

A rara síndrome que faz homem pensar que está morto

Síndrome de Cotard é uma doença mental que leva a pessoa a crer estar morta, que não existe, que está se decompondo ou que perdeu sangue e órgãos internos.

Inayatulhaq YasiniDa BBC

- Bom Dia, Martin. Como você está?
- Igual, eu suponho. Morto.
- O que te faz pensar que está morto?
- E você, doutor? O te faz pensar que está vivo?
O médico é Paul Broks, neuropsicólogo clínico, alguém que estuda a relação entre a mente, o corpo e o comportamento.
E Martin é um caso muito raro, segundo Broks.
- Estou muito certo de que estou vivo, pois estou sentado aqui com você. Estamos conversando, estou respirando, posso ver coisas. Pareceme-me que você está fazendo o mesmo e, sendo assim, também estou seguro de que você está vivo.
- Não sinto nada. Nada disso é real.
- Você não se sente igual a antes ou sente um pouco deprimido, talvez?
- Nada disso. Não sinto absolutamente nada. Meu cérebro se apodreceu, nada mais resta em mim. É hora de me enterrarem.
O paciente realmente pensava estar morto ou era uma metáfora?
"Ele, literalmente, achava que estava morto", conta Broks.
- Mas você está pensando nisso. Se está pensando, deve estar vivo. Se não é você, quem está pensando?
- Não são pensamentos reais. São somente palavras.
Martin sofria da síndrome de Cotard - também conhecida como delírio de negação ou delírio niilista-, uma doença mental que leva a pessoa a crer que está morta, que não existe, que está se decompondo ou que perdeu sangue e órgãos internos.
A doença mexe com nossa intuição mais básica: a consciência de que existimos.
Todos temos um forte sentido de identidade, uma pequena pessoa que parece viver em algum lugar atrás de nossos olhos e nos faz sentir esse "eu" que cada um de nós somos.
O que acontece com Martin, agora que ele não tem o "homenzinho" na cabeça? Agora que ele pensa não existir?
Há um filósofo que tem a resposta, segundo Broks.
"Descartes dizia que era possível que nosso corpo e nosso cérebro fossem ilusões, mas que não era possível duvidar de que temos uma mente e de que existimos, pois se estamos pensando, existimos", diz o neuropsicólogo.
O paradoxo aqui é que os pacientes de Cotard não conseguem entender o "eu".
Adam Zeman, da Universidade de Exeter, no Reino Unido, acredita que o "eu" está representado em diversos lugares do cérebro.
"Creio que está representado inúmeras vezes. Está em todas as partes e em nenhuma", explica Zeman à BBC.
Zeman esclarece que, entre essas representações está a do corpo (o "eu" físico), o "eu" como sujeito de experiências, e nosso "eu" como entidade que se move no tempo e no espaço.
"Estamos conscientes de nosso passado e podemos projetar nosso futuro. Então, temos o 'eu' corporal, o 'eu' subjetivo e o 'eu' temporal", diz Zeman.
"Isso é a consciência estendida, o 'eu' autobiográfico, o que nos leva ao caso de Graham, um outro paciente com síndrome de Cotard", diz Broks.
O caso de Graham
"Ele tentou se suicidar ao jogar um aquecedor elétrico na água quando estava na banheira, mas não sofreu nenhum dano físico sério", lembra Zeman, que tratou do caso.
"Mas estava convencido de que seu cérebro já não estava mais vivo. Quando o questionava, dava uma versão muito persuasiva de sua experiência", acrescenta.
"Dizia que já não tinha mais necessidade de comer e beber. A maioria de nós alguma vez já se sentiu terrível e se expressou dizendo 'estar morto'. Mas com Graham era como se ele tivesse sido invadido por essa metáfora".
A maneira como Graham descrevia sua experiência era tão intrigante que neurologistas decidiram observar como seu cérebro se comportava. Zeman estudou o caso com seu colega Steve Laureys, da Universidade de Liége, na Bélgica.
"Para nossa surpresa, uma ressonância mostrou que Graham estava dando uma descrição apropriada do estado de seu cérebro, pois a atividade era marcadamente baixa em várias áreas associadas com a experiência do 'eu'", conta Zeman.
"Analisei exames durante 16 anos e nunca tinha visto alguém de pé e se relacionando com outras pessoas, com um resultado tão anormal. A atividade cerebral de Graham se parece com a de alguém anestesiado ou dormindo. Ver esse padrão em alguém desperto, até onde sei, é algo muito raro", completa Laureys.
Zumbi filosófico
"Ele mesmo dizia que se sentia um morto-vivo. E que passava tempo em um cemitério, pois sentia que tinha mais em comum com os que estavam enterrados", lembra Zeman.
Mas essas regiões que não estavam funcionando normalmente no cérebro de Graham eram as mesmas relacionadas com a identidade?
"Curiosamente, o sistema cerebral mais associado com o 'Eu Estendido' é a rede neural por efeito, justamente a que estava afetada no caso de Graham", ressalta Zeman.
"Se colocamos alguém em uma máquina de ressonância magnética e pedimos que relaxe, esses são os conjuntos de regiões cerebrais que estão mais ativos. São essas regiões que estão ligadas a nossa habilidade de recordar o passado e projetarmos o futuro, a pensar em si e nos outros, bem como às decisões morais", completa.
"Todas essas funções estão associadas ao 'eu'."
No caso de Graham, essa rede não funcionava apropriadamente.
De certa maneira, ele estava morto.




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Os americanos que adotam embriões de outros casais


BBC
18/07/2016 12h17 - Atualizado em 18/07/2016 12h17

Os americanos que adotam embriões de outros casais

Cada vez mais casais nos EUA estão usando embriões doados para terem filhos - e muitos são motivados por crenças religiosas e éticas.

Jasmine Taylor-ColemanDa BBC News

 Sawyer Lacey nasceu há cerca de um ano como resultado de uma doação de embrião  (Foto: BBC)Sawyer Lacey nasceu há cerca de um ano como resultado de uma doação de embrião (Foto: BBC)
Quando Jennifer e Aaron Wilson descobriram que não poderiam engravidar, souberam na hora o que fazer.
As opções mais óbvias, para a maioria das pessoas, seriam fazer uma fertilização in vitro, em que óvulos maduros são fertilizados com sêmen em laboratório, ou adotar uma criança.
Em vez disso, eles recorreram a uma clínica de fertilização cristã no Estado do Tennessee, a National Embryo Donation Center, que prometeu ajudá-los a "adotar" um embrião.
Quando uma fertilização in vitro (FIV) é feita, os médicos costumam formar vários embriões para o caso de a primeira tentativa falhar e ser preciso implantar mais um embrião. Mas isso significa que muitos deles acabam "sobrando". Atualmente, mais de 600 mil estão congelados nos EUA, disponíveis para uma possível segunda fertilização.
Mas nem todos esses embriões são necessários, e acredita-se que 1 em cada 10 esteja disponível para "doação".
A questão de descartar ou manter os embriões é delicada para casais que acreditam que a vida humana tem início na concepção.
 Jennifer e Aaron Wilson tiveram os gêmeos Belle e Abel após transferência de embriões  (Foto: BBC)Jennifer e Aaron Wilson tiveram os gêmeos Belle e Abel após transferência de embriões (Foto: BBC)
Um dilema semelhante é enfrentado por casais "pró-vida" que procuram tratamento de fertilização. Eles devem fazer FIV e acrescentar mais embriões preservados em nitrogênio ao estoque que já existe? Ou deveriam adotar um embrião congelado?
"Somos cristãos e muito 'pró-vida', então pensamos 'Meu Deus, essa é uma ótima chance de colocar nossa escolha pró-vida em ação ao dar a esses bebês congelados a chance de nascer", diz Jennifer Wilson.
Do ponto de vista do casal, os embriões já são pequenas vidas, congeladas no tempo, que precisam ser salvas.
"Acreditamos que a Bíblia tem diversas passagens que falam do fato de que a vida começa na fertilização", diz Aaron.
"A FIV normalmente produz muitos embriões, e nós vemos isso como muitas crianças. Nossa preocupação, como cristãos, é como responder a isso, como cuidamos desta vida?"
Em novembro de 2010, Jennifer Wilson engravidou na pequena clínica NEDC de gêmeos nascidos a partir de embriões doados. Abel e Belle acabaram de fazer cinco anos.
Neste ano, os Wilsons agora retornaram ao centro na esperança de aumentar a família.
Jennifer recebeu uma foto de três embriões doados antes da fertilização. O procedimento não durou mais do que três minutos - depois disso, começou a espera para saber se a gravidez ocorreria.
Mas ela não se concretizou, eles não podem mais tentar - já foram três ciclos mal sucedidos.
 Abel e Belle acabaram de fazer cinco anos  (Foto: BBC)Abel e Belle acabaram de fazer cinco anos (Foto: BBC)
O casal sabia muito pouco sobre o possível bebê, além de sua etnia. Os embriões não vinham dos mesmos pais genéticos de Abel e Belle, e os Wilson resolveram que não queriam ter contato com eles. A única coisa que sabiam sobre os pais é o Estado em que viviam.
'Uma boa casa'
Mas outras famílias fazem diferente. Após passar pela fertilização in vitro, Andy e Shannon Weber tiveram dois filhos, agora com 8 e 5 anos, e queriam doar os embriões que restaram.
"Acreditamos que a vida começa na concepção e que os pequenos embriões são vidas humanas, não apenas duas células juntas. Então com certeza não poderíamos destruí-los ou deixá-los congelados para sempre", diz Andy.
Mas ele e a mulher também queriam garantir que os embriões fossem para uma "boa e sólida família cristã."
"Queríamos que eles fossem um homem e uma mulher casados. Não queríamos uma mãe solteira ou pessoas com estilo de vida alternativos", diz Andy.
"Isso não significa que nos importamos com cor ou etnia. Só queríamos que os embriões fossem para uma boa casa."
 Os Webers e os Laceys mantiveram contato  (Foto: BBC)Os Webers e os Laceys mantiveram contato (Foto: BBC)
Em alguns países, como no Reino Unido, leis que garantem a igualdade exigem que clínicas tratem os pacientes da mesma forma. Mas nos EUA centros podem ajudar doadores a escolher pais para seus embriões baseados em critérios como raça, sexualidade e religião.
Os Webers conversarAM pelo Skype com a família que poderia receber os embriões para decidir se eles eram adequados. O casal escolhido, Amber e Jerry Lacey, agora tem um filho de um ano, chamado Sawyer. As duas famílias passaram o último Dia de Ação de Graças - um dos feriados mais importantes do ano nos EUA - juntas.
"Nós os vemos como tio, tia e primo", diz Andy. Ele a mulher ainda não contaram para seus dois filhos que o "priminho" deles na verdade é um irmão genético. "Vamos esperar até que eles entendam toda a ideia."
Governo
Desde 2002, o governo dos EUA deu entre US$ 1 milhão e US$ 4 milhões todo ano para organizações que promovem conscientização sobre doação de embriões e "adoção" (o próprio site do governo americano usa o termo).
O NEDC, que já fez cerca de 600 procedimento que resultaram no nascimento de bebês, é um dos maiores receptadores desses fundos.
Outro é o programa Snowflakes Embryo Adoption, tocado pelo Nightlight Christian Adoption Agency, que levou ao nascimento de mais de 400 crianças e ajudou a introduzir o termo "bebê floco de neve" no vocabulário, se referindo a pessoas nascidas desta forma.
Enquanto o uso de embriões ainda seja bem menos comum do que usar espermatozoides ou óvulos doados, a popularidade deste tratamento dobrou nos últimos dez anos, em boa parte graças a cristãos conservadores e grupos pró-vida.
Questionado sobre o motivo de a NEDC proibir adoções por casais do mesmo sexo ou mulheres solteiras, Jeffrey Keenan, presidente da NEDC, diz: "Muitas pessoas pensam 'Tenho direito de ter um filho'. Eu não vejo desta forma. Só porque podemos fazer algo clinicamente, não significa que esteja certo."
Mas outros especilistas em fertilização discordam.
"Não acho que deveríamos deixar a cargo dessas organizações decidirem quem pode ser pai e quem não pode", diz Barbara Collura, presidente da Resolve, uma ONG nacional americana empenhada em ajudar mulheres e homens com problemas ligados a infertilidade.

Doação de embriões
- Taxas de sucesso variam, mas cerca de 36% das fertilizações com embriões doados - que normalmente envolvem mais de um embrião - resultam em gravidez

- Embriões podem sobreviver em hidrogênio líquido congelado por um período indefinido de tempo - bebês nasceram de embriões congelados por mais de 20 anos
- O preço médio para um ciclo de IVF nos EUa é de US$ 12.400, de acordo com a ASRM, enquanto os custos de adoção variam entre de US$ 20 mil e US$ 35 mil
- Doadores de embriões não são pagos mas recebem um reembolso do recipiente por algumas despesas
- Como a doação de embriões é vista pela lei americana como transferência de propriedade e direitos, doadores e recipientes são aconselhados a procurar representantes legais
- No Brasil, o procedimento também é permitido. Estima-se que existam cerca de 150 mil embriões congelados no país.

Owen Davis, presidente da Sociedade Americana pela Medicina Reprodutiva (ASRM na sigla em inglês), afirma que organizações que recusam dar tratamento a mulheres solteiras ou casais do mesmo sexo podem estar vulneráveis a processo baseados em leis antidiscriminatórias.
"Sociedade médicas certamente acreditam que ninguém deveria ser discriminado em uma unidade de saúde com base em sua orientação sexual, religião ou status matrimonial."
Ele também se diz preocupado com a linguagem usada nos procedimentos, em que o embrião é apresentado como vida humana, e não um conjunto de células.
"A terminologia é muito importante", afirma. "Esses embriões congelados não poderiam sobreviver fora do corpo. As células não foram diferenciadas, não viraram um feto, e certamente não foram gestadas e paridas."
Atribuir personalidade a embriões doados tem implicações "perigosas", tanto para a questão do direto ao aborto quando para outras formas de tratamento, diz Barbara Collura.
"Se embriões forem visto como seres humanos, isso significa que destrui-los ou descartá-los após a IVF é assassinato?", pergunta.
Na realidade, tanto no IVF quanto na doação de embriões é provável que alguns deles morram - motivo pelo qual a Igreja Católica se opõe ao tratamento.
Tanto os Wilsons quanto os Weber veem os embriões como vidas humanas - e há relatos de pessoas com as mesmas crenças que fazem até enterros para embriões descartados -, mas ambos se furtam de chamar a destruição de embriões de assassinato.
"Não sei", diz Andy. "Acho que essa é uma questão que só Deus pode responder."


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terça-feira, 2 de agosto de 2016

British doctors reject neutrality on assisted dying


As one might expect, media coverage of assisted dying (aka assisted suicide or euthanasia or the right to die or dignity in dying) is skewed towards ringing-the-changes rather than steady-as-she-goes. In late May The Economist, an outspoken supporter, argued that the British Medical Association (BMA) should adopt a position of neutrality at its annual meeting. “[A] survey for The Economist last year showed that seven in ten Britons thought doctors should be allowed to help patients end their lives, subject to safeguards,” it contended.
However, when a proposal to adopt a neutral stance failed by a huge margin, 63% to 37%, on June 21, it was only reported by a few Christian and pro-life blogs.
The Chair of BMA Council Mark Porter said that this had been marked the eighth time in 13 years that the BMA had debated the issue: “nobody can credibly say this issue has been suppressed or obfuscated”.
The Royal College of Physicians, the Royal College of General Practitioners and British Geriatrics Society are all officially opposed to a change in the law along with 82% of members of the Association for Palliative Medicine



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Garoto de 12 anos recebe nariz novo criado em sua própria testa


BBC
06/07/2016 13h41 - Atualizado em 06/07/2016 13h41

Garoto de 12 anos recebe nariz novo criado em sua própria testa

Cirurgia foi feita na Índia após menino ter o rosto desfigurado por uma pneumonia.

Da BBC

O nariz de Arun Patel ficou desfigurado após uma pneumonia (Foto: S Niazi)O nariz de Arun Patel ficou desfigurado após uma pneumonia (Foto: S Niazi)
Médicos na Índia substituíram o nariz desfigurado de um garoto de 12 anos por outro que "cresceu" na sua própria testa.
Arun Patel sofreu deformações na face por causa de uma pneumonia quando era bebê.
A infecção danificou a cartilagem do nariz, e os médicos não conseguiam reconstruí-lo.
Uma operação semelhante foi feita na China em 2013. Neste caso, um homem recebeu um novo nariz após ter o seu desfigurado durante um acidente de trânsito.
Alargador de tecido
Os pais de Arun o levaram a um médico em seu vilarejo, no Estado de Madhya Pradesh, devido a uma pneumonia que ele teve logo após o nascimento.
Mas o tratamento piorou seu estado e ele perdeu parte do nariz por causa dos grandes danos ocorridos no tecido.
Mais de dez anos depois, um grupo de médicos na cidade de Indore decidiu fazer uma rara cirurgia plástica para dar a ele um novo nariz.
Processo de substituição de nariz levou cerca de um ano (Foto: S Niazi)Processo de substituição de nariz levou cerca de um ano (Foto: S Niazi)
O médico Ashwini Dash, que liderou a equipe, disse à BBC que "estava confiante de que o novo nariz funcionaria bem como os outros órgãos" do menino.
Todo o processo, em quatro etapas, levou um ano.
Na primeira fase, um "alargador de tecido" de silicone foi colocado na testa do garoto, abrindo espaço para o crescimento do novo nariz. Depois, uma substância foi injetada para fazer os tecidos se expandirem.
A segunda etapa envolveu tirar cartilagem de suas costelas para criar um novo nariz, que cresceu na testa durante três meses.
Os médicos removeram o nariz artificial na terceira fase e o implantaram no rosto do menino. A última parte consistiu em fazer uma cirurgia reparadora na testa.
Técnica
Procedimentos desse tipo costumam ser feitos quando o local está muito danificado - devido a um acidente, por exemplo.
Isso também pode ser feito com orelhas - algumas já "cresceram" no braço de pacientes, região que tem a pele parecida.
A cartilagem retirada das costelas é moldada e implantada e, em seguida, a pele de outra parte do corpo adere a ela.
No caso do nariz que cresce na testa, muitas vezes ele nem precisa ser retirado para ser implantado: pode ser apenas "girado" e "empurrado" para o lugar certo.

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França autoriza doação de sangue por gays, mas impõe condições

Agencia EFE
11/07/2016 14h53 - Atualizado em 11/07/2016 14h58

França autoriza doação de sangue por gays, mas impõe condições

Apenas quem que não tiver tido relações sexuais no último ano poderá doar.
Mudança foi criticada por ativistas, que pedem igualdade de condições.

Da EFE

A partir de 16 anos de idade é possível doar sangue (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Regras para doação de sangue geram polêmica na França (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)










A entrada em vigor de uma autorização para que homossexuais possam doar sangue se não tiverem mantido relações sexuais no último ano foi recebida nesta segunda-feira com ceticismo entre os que defendem o direito deste coletivo.
"É uma pequena mudança positiva, mas as condições demonstram que a discriminação segue vigente, é uma simples fachada. Esperamos que em um futuro as condições sejam iguais", disse o porta-voz da associação Le Refuge, que luta pela igualdade dos homossexuais.
A ministra francesa de Saúde, Marisol Touraine, tinha se comprometido em novembro a modificar a legislação que desde 1983 proibia os homossexuais a doarem sangue pelos riscos de contágio da Aids.
O questionário médico feito antes da doação foi modificado e agora as perguntas já não se centram na orientação, mas nos riscos ligados às práticas sexuais.
Deste modo, os homens que tenham tido alguma relação com outros homens poderão doar se o último contato tiver sido há mais de 12 meses. Para a doação de plasma, as autoridades pedem uma abstinência de quatro meses.
O Estabelecimento Francês do Sangue (EFS) estima que essa abertura relativa aos homossexuais permitirá conseguir cerca de 20 mil doações suplementares anuais, que se somariam às 3 milhões registradas todos os anos na França.



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quinta-feira, 28 de julho de 2016

França autoriza doação de sangue por gays, mas impõe condições

Agencia EFE
11/07/2016 14h53 - Atualizado em 11/07/2016 14h58

França autoriza doação de sangue por gays, mas impõe condições

Apenas quem que não tiver tido relações sexuais no último ano poderá doar.
Mudança foi criticada por ativistas, que pedem igualdade de condições.

Da EFE

A partir de 16 anos de idade é possível doar sangue (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)Regras para doação de sangue geram polêmica na França (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
]A entrada em vigor de uma autorização para que homossexuais possam doar sangue se não tiverem mantido relações sexuais no último ano foi recebida nesta segunda-feira com ceticismo entre os que defendem o direito deste coletivo.
"É uma pequena mudança positiva, mas as condições demonstram que a discriminação segue vigente, é uma simples fachada. Esperamos que em um futuro as condições sejam iguais", disse o porta-voz da associação Le Refuge, que luta pela igualdade dos homossexuais.
A ministra francesa de Saúde, Marisol Touraine, tinha se comprometido em novembro a modificar a legislação que desde 1983 proibia os homossexuais a doarem sangue pelos riscos de contágio da Aids.
O questionário médico feito antes da doação foi modificado e agora as perguntas já não se centram na orientação, mas nos riscos ligados às práticas sexuais.
Deste modo, os homens que tenham tido alguma relação com outros homens poderão doar se o último contato tiver sido há mais de 12 meses. Para a doação de plasma, as autoridades pedem uma abstinência de quatro meses.
O Estabelecimento Francês do Sangue (EFS) estima que essa abertura relativa aos homossexuais permitirá conseguir cerca de 20 mil doações suplementares anuais, que se somariam às 3 milhões registradas todos os anos na França.














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