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terça-feira, 19 de julho de 2016

When will transgender women deliver babies?





from Scientific American / Getty Images    


If we welcome transgender women, are transgender mothers a big deal? Although surgeons are still mastering the technique of transplanting wombs, patients are already asking when this will become possible.
At the moment, the only team which has succeeded in transplanting a uterus into a woman who later gave birth is in Sweden. Dr Mats Brännström developed the operation to help women who had been born without a uterus or who had to have hysterectomies. But elsewhere in Europe and in the US doctors are attempting the daunting surgery and it has been widely publicized. Scientific American spoke to several doctors who said that a handful of their transwomen patients were interested, even though it is still far from successful.
“A lot of this work [in women] is intended to go down that road but no one is talking about that,” Mark Sauer, a professor of obstetrics and gynecology at Columbia University, told the magazine. .
The operation is far more complex than most people imagine. First, the aspiring transwoman needs to create IVF embryos and store them. Then there is castration surgery and high doses of hormones. Surgery would be needed to create a “neo-vagina”. Anti-rejection drugs are needed.
There are other issues as well: the cost is very high and the operation could last for 10 or 11 hours. Would it be ethical for a doctor to allow a patient to risk his life in experimental surgery when there are safer alternatives for having children like adoption?
The one bright side is that uteruses will be available, since people who transition from female to male may have their wombs removed. Some have already asked doctors whether they could donate them.
The bottom line, say most doctors, is that men won’t be having babies any time soon. “I respect reproduction and I don’t think we will ever see this in my lifetime in a transgender woman,” says Marci Bowers, a gynecological surgeon in California. “That’s what I tell my patients.”















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Transgênero: fatos, mitos e direitos

Transgênero: fatos, mitos e direitos

Nos Estados Unidos, 0,3% da população se define como transgênero.
Transgêneros vivem em condições diferentes em distintas partes do mundo.

Da France Presse

 Kate Lynn Blatt, mulher transgênero, ao lado de banheiro de gênero neutro durante a 15ª Conferência Anual de Saúde Trans da Philadelphia, em 9 de junho (Foto: Reuters/Shannon Stapleton)Kate Lynn Blatt, mulher transgênero, ao lado de banheiro de gênero neutro durante a 15ª Conferência Anual de Saúde Trans da Philadelphia, em 9 de junho (Foto: Reuters/Shannon Stapleton)
Os transgêneros vivem em condições dramaticamente diferentes em distintas partes do mundo. Muitas vezes são vítimas de violenta repressão, mas também conseguiram conquistar direitos significativos, por exemplo na Europa e nos Estados Unidos.
Existem poucos dados estatísticos confiáveis sobre as pessoas transgênero. Isto se deve, em parte, ao sigilo em que precisam viver. Esta falta de conhecimento ou de compreensão às vezes também se acentua por uma terminologia que muda e é complexa sobre sua condição.
Pessoas transgênero
O termo "transgênero" ou "trans" se refere a uma pessoa cuja identidade de gênero - o sentimento psicologicamente arraigado de ser um homem, uma mulher, ou nenhuma das duas categorias - não corresponde à de seu sexo de nascimento.

Segundo um estudo importante nos Estados Unidos, de 2011, 0,3% da população deste país se define como transgênero. Na Índia, é meio milhão, segundo o censo de 2014.
Transgênero inclui as pessoas que foram operadas para redefinir seu sexo, assim como as que só receberam um tratamento hormonal. Mas ser "trans" não implica necessariamente ter recebido um tratamento de tipo algum.
 Estradiol, hormônio oral usado em tratamento mulheres trans  (Foto: Reuters/Shannon Stapleton)Estradiol, hormônio oral usado em tratamento mulheres trans (Foto: Reuters/Shannon Stapleton)
Uma pessoa que nasceu com sexo feminino, mas se identifica e vive como um homem é um "homem transgênero", ou homem trans.
Uma pessoa que nasceu com sexo masculino, mas se identifica como uma mulher, é uma "mulher transgênero", ou mulher trans.
Cabe destacar que o termo "transsexual" é usado com cada vez menos frequência.
Orientação sexual
A identidade de gênero não deve ser confundida com a orientação sexual. Uma mulher ou homem transgênero pode ter qualquer orientação sexual: homossexual, heterossexual ou bissexual.

'Mudança' ou 'redefinição' de sexo?
Grupos de direitos das pessoas transgênero se opõem ao uso da expressão "mudança de sexo" para designar as intervenções cirúrgicas. Segundo estas organizações, se trata de um termo obsoleto que não reconhece que as pessoas transgênero que buscam "adequar seus corpos ao que são" e não mudar quem são.

Por isso, recomendam usar o termo "cirurgia de redefinição de sexo" e se apoiam em uma quantidade crescente de estudos que mostram que a anatomia e a identidade de gênero proveem de processos hormonais e genéticos distintos, que nem sempre coincidem em uma mesma pessoa.
Transição
Diz-se de uma pessoa transgênero que está em "transição" se ela se encontra em processo de mudar suas "características físicas e sexuais", segundo a Associação de Jornalistas Lésbicas e Gays dos Estados Unidos.

Pode-se tratar de um processo complexo, que inclui cirurgias ou mudanças hormonais, mas não necessariamente. Em alguns casos, ocorre através de terapia individual ou grupal, ou se vive como um processo íntimo em que se anuncia às pessoas mais próximas e a seu entorno uma mudança de nome ou de status legal.
Da repressão à proteção legal
A situação das pessoas transgênero varia muito no mundo.

A organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) registrou 80 países em que as relações homossexuais ou a promoção dos direitos das pessoas LGBT são condenados, às vezes com flagelação ou até com a pena de morte.
Os Estados Unidos são um dos países com leis mais avançadas em matéria de proteção contra a discriminação das pessoas transgênero. Mas estas leis também variam de estado para estado.
Na Europa, o Parlamento Europeu aprovou em 1989 uma resolução que proibia a discriminação com as pessoas transgênero. Mas, só 13 dos 28 países-membros da União Europeia proíbem explicitamente a violência contra este grupo, segundo a organização "Transgender Europe".

















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Bioethicists clash over death of 5-year-old



Julianna Snow and her family   
Julianna Snow, a terminally ill five-year-old girl who captured the worldwide attention with the CNN program Heaven Over Hospital, has died in her family home in Portland, Oregon.
Snow suffered from a common inherited neurodegenerative condition called Charcot-Marie-Tooth Disease – a condition that damages the nerves affecting certain muscles. In most cases, the effects of the disease are confined to the arm and leg muscles, but in Julianna’s case it affected muscles needed for chewing, swallowing and even breathing.
After undergoing painful medical, Julianna expressed to her parents a desire to forgo treatment even if it meant her death. “She made it clear that she doesn’t want to go through the hospital again,” her mother Michelle explained in a CNN documentary. “So we had to let go of that plan because it was selfish.”
Snow’s case received attention from bioethicists who questioned the girl’s capacity to make end-of-life decisions.
New York University bioethics professor Arthur Caplan told CNN, “This doesn’t sit well with me. It makes me nervous. I think a 4-year-old might be capable of deciding what music to hear or what picture book they might want to read. But I think there’s zero chance a 4-year-old can understand the concept of death. That kind of thinking doesn’t really develop until around age 9 or 10.”
Others disagreed.
“To say her experience is irrelevant doesn’t make any sense,” Chris Feudtner, director of the Department of Medical Ethics at the Children’s Hospital of Philadelphia said in response. “She knows more than anyone what it’s like to be not a theoretical girl with a progressive neuromuscular disorder, but to be Julianna.”
Snow’s parents clarified in a later interview that they were not allowing her to be the sole decision-maker, but rather that they thought it fitting to give her wishes significance in their own decision-making:
“I want to make it clear these are not Julianna’s decisions or choices,” Moon told People. “They are Steve’s and my decisions, but we look to Julianna to guide us.”
Writing in a blog post on Tuesday, Snow’s parents said that Julianna had died peacefully in their family home:
“She fought hard to be here, harder than I’ve seen anyone fight, with a body that was too frail for this world …. Today, she is free. Our sweet Julianna is finally free.” 




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Victorian report recommends assisted suicide






Victoria’s ‘Inquiry Into End of Life Choices’ has recommended the legalisation of assisted dying. The report is a sizable document – the summary alone is 40 pages – but the authors saved the most controversial matters till last. After almost 50 recommendations about palliative care and advanced care planning, the report concludes with an unequivocal recommendation that Victoria legalise assisted dying. The final recommendation (no. 49) is:
“That the Victorian Government introduce a legal framework providing for assisted dying, by enacting legislation based on the assisted dying framework outlined in this Report”
The recommendation is followed by an annex outlining a framework for assisted dying, including criteria for eligibility and a proposed system for oversight and review. The sorts of patients who would be eligible would be over 18 years, suffering from a serious and incurable illness, and “at the end of their life (final weeks and months of life)”.
Annexed to the report are two dissenting opinions from committee members.  Inga Peulich MLC summarized the concerns about human destruction via assisted suicide:
Any accidental loss of life – even the loss of one life, means such a regime cannot be justified, just as the loss of life, due to capital punishment, deliberate or due to a possible miscarriage of justice, cannot be justified and was the reason for its abolition.
Dr Rodney Syme, vice-president of Dying with Dignity Victoria, said he was “delighted” by the report, particularly the approach it took to dismissing “fear-based arguments” against the law. Syme said he was confident parliament would pass the laws if both major parties allowed a conscience vote.
Writing for Online Opinion, Paul Russell, the director of the advocacy group HOPE, suggested the report was a ‘sugar coated pill’ that would make for bad policy if enacted:
“The Majority Report in its conclusions and recommendations on assisted suicide, have presented the Parliament and the people of Victoria with a sugar-coated poison pill. We hope that the government of the day will see through this charade and act at all times to protect vulnerable people while prioritising palliative care.”





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terça-feira, 12 de julho de 2016

California doctor opens end-of-life clinic




California’s right-to-die law was rolled out this week and at least one doctor immediately opened up a dedicated assisted suicide clinic in San Francisco. 
At Bay Area End of Life Options, Dr Lonny Shavelson, a well-known advocate of assisted suicide, will advise people who are wondering whether they ought to end their lives.
Dr Shavelson denies that he will be operating a drive-in suicide service. He says that he wants to work with patients to explore all the legal and therapeutic options. "When somebody says to a physician that they want to talk about the End of Life Option Act and says, 'Can you give me a prescription that will end my life?' I want them to tell me why," he told the San Jose Mercury. "A major goal of physicians is to make this (prescription) not happen."
His fees will be US$200 for an initial consultation plus $1800 if the patient is qualified and wishes to continue.
Marilyn Golden, a disability rights advocate who campaigned against the new law, is alarmed by this initiative. "It's disturbing because it suggests that if you set up a practice focused on assisted suicide, some people will get assisted suicide," she said. "How dogged are they (doctors) going to be in their pursuit of solutions that address the patient's underlying reasons for requesting death? … If they go all the way to the nth degree of assisting that person, that's terrific. But it's worrisome to see people advertising themselves for this, unless they plan on talking everybody out of it by getting them services."
On his website, Dr Shavelson describes himself as “a consultant for patients at the end of their lives who are considering physician aid-in-dying”. He is also an author and  journalist. His first interest in physician aid-in-dying led to his book A Chosen Death in 1995.  
Wesley J. Smith, a bioethicist and campaigner against assisted suicide, was scathing.
Despite his potential lack of medical expertise about conditions, he will be allowed to decide if a patient qualifies for death doctoring, and he could well be wrong as he can’t possibly keep up with all the changes in a particular field as do real medical specialists in those areas of practice. But that doesn’t matter. All that matters under the assisted suicide law is having the MD degree and the license allowing him to write a lethal prescription. That means the most incompetent doctors–the utter bottom feeders–can become death doctors.






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Órgão Especial aprova resolução sobre judicialização da saúde

Órgão Especial aprova resolução sobre judicialização da saúde


Institucional | 23.06.2016
Divulgação
cruz vermelha
O Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) aprovou, em 22 de junho, resolução que estabelece a competência prioritária para processar e julgar processos que tenham por objeto o direito à saúde pública e à saúde suplementar (prestada pelos planos de saúde), nas comarcas com mais de uma vara cível, da fazenda pública ou da infância e da juventude. O documento atende recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o assunto.


De acordo com o documento, a competência prioritária para conhecer, processar e julgar as novas ações que dizem respeito ao direito à saúde pública ou suplementar será exercida pela Vara da Fazenda Pública. Nas comarcas onde houver mais de uma Vara da Fazenda Pública, a competência será do juiz da 2ª Vara. Nas comarcas onde não houver essa especialização, a competência será da 2ª Vara Cível.



Para as ações que envolvam o direito de crianças e adolescentes à saúde pública e suplementar, a resolução ressalva a competência absoluta da Vara da Infância e da Juventude para decidir.



As ações desse tipo distribuídas antes da entrada em vigor da resolução continuarão a tramitar nas varas em que se encontram.



















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Clínica terapêutica deve indenizar por morte durante reabilitação

Clínica terapêutica deve indenizar por morte durante reabilitação


Decisão | 14.06.2016
A Comunidade Terapêutica Vale das Águas (CTVA) deve pagar indenização por danos morais no valor de R$ 100 mil e pensão mensal de um salário mínimo à mulher de um açougueiro que morreu durante reabilitação na clínica. A decisão é da 17ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que reformou parcialmente a sentença da 2ª Vara Cível de Pouso Alegre.

Em janeiro de 2012, o açougueiro foi internado na clínica terapêutica, localizada em Vargem/SP, para tratar o alcoolismo. Porém, ele morreu um dia após sua chegada por insuficiência respiratória aguda em decorrência de afogamento na piscina de lazer da CTVA. A esposa e o filho do paciente entraram com ação judicial contra a clínica requerendo indenização por danos morais e materiais.

O juiz da 2ª Vara Cível de Pouso Alegre, Nereu Ramos Figueiredo, sentenciou a Comunidade Terapêutica a pagar R$ 100 mil, por danos morais, aos autores da ação. Contudo, o magistrado negou o pedido de pensão mensal. Ele entendeu que o estabelecimento da família continuou funcionando na ausência do pai, não havendo redução do rendimento.

Os autores da ação entraram com recurso requerendo indenização, por danos morais, superior a R$ 264 mil para cada um, além de pensão mensal, uma vez que foi comprovada a dependência financeira em relação ao açougueiro.

A clínica também recorreu, alegando que a morte foi uma fatalidade sem relação com a atividade desempenhada pela instituição, e pediu a exclusão ou a diminuição do valor arbitrado.

O desembargador Leite Praça, relator do recurso, entendeu que o açougueiro contribuía para o sustento familiar, sendo necessária uma pensão mensal no valor de um salário mínimo para a viúva, a partir da data do acidente até o dia em que o açougueiro faria 75 anos, como forma de compensação.

Quanto à indenização por danos morais, o relator do recurso ressaltou que a clínica terapêutica, na posição de prestadora de serviços, torna-se responsável pelos danos causados a todas as vítimas em decorrência de falha na prestação do serviço, conforme os artigos 14 e 15 do Código de Defesa do Consumidor. No que diz respeito ao valor fixado em primeira instância, no entanto, o magistrado observou que, “além de compatível com o dano moral sofrido, também observa os critérios de proporcionalidade e razoabilidade, sem implicar enriquecimento sem causa.”

Dessa forma, o desembargador reformou a sentença apenas para determinar o pagamento da pensão mensal à viúva.

Os desembargadores Evandro Lopes da Costa Teixeira e Roberto Soares de Vasconcellos Paes votaram de acordo com o relator.













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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Belga pede autorização para eutanásia por não aceitar a própria sexualidade

BBC
21/06/2016 14h13 - Atualizado em 21/06/2016 14h16

Belga pede autorização para eutanásia por não aceitar a própria sexualidade

Sébastien se ampara em lei do país que permite às pessoas com sofrimento psicológico receber ajuda para morrer.

Jonathan BlakeDa BBC

Sébastien quer usar lei que permite às pessoas com sofrimento psicológico receber ajuda para morrer (Foto: BBC)Sébastien quer usar lei que permite às pessoas com sofrimento psicológico receber ajuda para morrer (Foto: BBC)
Um homem gay belga quer receber autorização legal para morrer. Para isso, argumenta que sofre psicologicamente por não conseguir aceitar sua sexualidade.
Identificado apenas como Sébastien, ele diz já ter pensado cuidadosamente sobre o momento em que sua vida chegará ao fim.

“No momento em que puserem o soro em minhas veias, para mim será apenas um tipo de anestesia”, afirmou o belga, de 39 anos, ao programa Victoria Derbyshire, da BBC.
A eutanásia é legal na Bélgica desde 2002. No ano mais recente em termos estatísticos, 2013, houve 1.807 casos no país, a maioria deles de pessoas idosas sofrendo de doenças terminais - apenas 4% tinham distúrbios psiquiátricos.
Sébastien diz ter feito terapia durante 17 anos, além de tomar remédios, e acreditar não ter outra opção. Ele afirma sentir atração por homens jovens e adolescentes e ter traumas de infância.
“Minha mãe tinha demência, então eu também não estava bem mentalmente. Sentia-me absurdamente solitário, introvertido e inibido. Tinha medo o tempo todo” , contou.
“Tinha 15 anos quando me apaixonei por um rapaz. Mas era insuportável para mim, porque eu não queria ser gay.”
A lei belga estabelece que, para ter direito à eutanásia, os pacientes precisam demonstrar constante e insuportável sofrimento psicológico ou físico.
Nos casos de transtornos psicológicos, três médicos precisam concordar que pôr fim à vida do paciente, caso essa seja sua vontade, é a melhor opção. Mas Sébastien está determinado a buscar a autorização.
“Sempre pensei na morte. O que sinto é um sofrimento permanente, é como estar aprisionado em meu próprio corpo”, explicou.
“É uma constante sensação de vergonha, uma sensação de cansaço de estar atraído por quem você não deveria. É como se tudo fosse ao contrário do eu que gostaria.”
 Belga disse a repórter da BBC passar por "sofrimento permanente"  (Foto: BBC)Belga disse a repórter da BBC passar por "sofrimento permanente" (Foto: BBC)O pedido de Sébastien foi aceito inicialmente - ele precisa passar por mais exames para que seja determinado se a lei se aplica ao seu caso.
Há imenso apoio público à eutanásia na Bélgica. O número total de casos aprovados tem crescido anualmente desde 2002 - dois anos atrás, a lei foi alterada para permitir a prática inclusive para crianças em estado terminal.
Mas especialistas debatem se isso deveria se aplicar a pessoas que são mentalmente frágeis.
Caroline Depuydt, psicóloga que trabalha no hospital psiquiátrico Clinique Fond’Roy, em Bruxelas, diz que prefere encorajar pacientes a buscar tratamento.
“Sempre temos algo que pode funcionar. Tempo, remédios, psicoterapia - algo que precisamos tentar e perseverar. O psiquiatra sempre precisa dar esperanças ao paciente de que as coisas não terminaram”, afirmou ela.
“É uma lei difícil, que envolve questões filosóficas e éticas. Não há uma única resposta.”
Todas as mortes na Bélgica são revistas por um comitê de médicos e advogados. Para Gilles Genicot, professor de legislação médica da Universidade de Liége e membro do comitê que revê os casos de eutanásia, o caso de Sébastian não preenche o critério legal para a prática.
“É bem mais provável que ele tenha problemas psicológicos relacionados à sua sexualidade. Não consegui encontrar um traço de alguma doença mental nele. Mas o que você não pode fazer é simplesmente desconsiderar a opção de eutanásia para pacientes”, afirmou.
“Esses pacientes podem entrar no espectro da lei se todos os tratamentos prescritos pelos médicos falharem e três médicos concluírem que não há mais opções.”
À espera de análise
O homem mostra ceticismo ao ser questionado sobre a possibilidade de desistir da eutanásia.
“Se alguém me desse uma cura milagrosa, por que não? No momento, porém, eu não acredito mais. Estou cansado.”
Apesar de estar calmo à respeito da decisão de morrer, ele admite que isso afetará as pessoas à sua volta.
“O maior problema será contar para minha família. Se eu receber um sim (a autorização para morrer), essa será o maior problema.”






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O bebê que surpreendeu os médicos ao sobreviver com o cérebro fora do crânio

BBC
22/06/2016 20h39 - Atualizado em 22/06/2016 20h39

O bebê que surpreendeu os médicos ao sobreviver com o cérebro fora do crânio

Com prognósticos de que filho não sobreviveria, pais quase fizeram aborto, mas desistiram; Bentley nasceu com saúde e, aos sete meses, foi submetido a cirurgia para corrigir o problema.

Lucía BlascoDa BBC Mundo

Previsão inicial dos médicos era de Bentley não sobreviveria  (Foto: C. Cohen/Hospital Infantil de Boston)Previsão inicial dos médicos era de Bentley não sobreviveria (Foto: C. Cohen/Hospital Infantil de Boston)
Quando Sierra Yoder estava grávida de cinco meses, os médicos da pequena cidade onde ela vivia no Estado de Ohio, nos Estados Unidos, disseram que seu filho tinha uma doença muito rara, conhecida como encefalocele.
Isso significa que o cérebro do bebê estava crescendo fora do crânio.
"Eles nos disseram que nosso filho não sobreviveria. Não nos deram nenhuma esperança", explicou Yoder.
Diante dos prognósticos ruins dados pelos médicos, ela e seu marido, Dustin Yoder, decidiram que interromperiam a gravidez.
Eles já estavam dispostos a iniciar o procedimento do aborto, mas, de última hora, mudaram de ideia e seguiram em frente.
E, apesar de todas as previsões negativas, Bentley nasceu com saúde e sobreviveu.
Pais Sierra e Dustin não conseguiam entender como o bebê usa o cérebro (Foto: C. Cohen/Hospital Infantil de Boston)Pais Sierra e Dustin não conseguiam entender como o bebê usa o cérebro (Foto: C. Cohen/Hospital Infantil de Boston)
Preparados para o pior
Sierra teve uma gestação normal, e o bebê veio ao mundo em 31 de outubro de 2015, um dia depois do previsto.
"Quando Bentley nasceu, esperávamos que ele não fosse chorar, que não fosse se mexer, pensávamos que não saberíamos nem identificar quando ele estivesse com fome", disse Dustin.
No entanto, o bebê chegou como todos os outros: chorando. "Nós nos olhamos e pensamos: eles nos disseram que ele nem sequer iria respirar", contou Sierra.
Apesar da surpresa, o processo não foi fácil. Apesar da alegria pelo nascimento do filho, a mãe tinha se preparado para perdê-lo - diante das previsões negativas, ela procurou saber, por exemplo, informações sobre os procedimentos para funerais.
Mas o bebê se desenvolveu bem e recebeu alta.
"Nós não conseguíamos entender como Bentley estava usando seu cérebro. Pensamos que ele talvez ele estivesse usando uma parte que ficava dentro do crânio", disse Sierra.
Esperançosos, eles decidiram pedir uma segunda opinião em uma clínica em Cleveland e contataram especialistas do Hospital Infantil de Boston. Foram os médicos de lá que disseram ao casal que era possível fazer uma cirurgia em Bentley.
Os neurocirurgiões John Meara e Mark Proctor operaram o bebê em 24 de maio passado. E o procedimento foi um sucesso.
Futuro de menino ainda é uma incógnita, dizem médicos (Foto: C. Cohen/Hospital Infantil de Boston)Futuro de menino ainda é uma incógnita, dizem médicos (Foto: C. Cohen/Hospital Infantil de Boston)
Um caso raro
Quando a equipe do hospital conheceu os pais do bebê, dois meses antes da operação, ficou surpresa com o fato de que Bentley tinha sobrevivido e felizes diante da possibilidade de dar a ele melhores condições de vida, contou Proctor à BBC.
"Fizemos várias operações desse tipo durante o ano e por isso os pais vieram até nós. Não é algo que nunca havíamos visto", explicou.
"A encefalocele é uma doença rara que afeta um bebê em milhões. Mas o caso de Bentley era ainda mais particular porque ele tinha uma grande parte de seu cérebro ativa."
Por causa disso, havia razões para acreditar que o cérebro poderia funcionar normalmente, segundo o médico.
De acordo com os especialistas, não há como saber exatamente a porcentagem que estava ativa - eles estimam, porém, que provavelmente chegava perto dos 90%.
"Cada caso é um caso, mas o de Bentley era um dos mais complexos", disse o neurocirurgião.
Mas e agora, o que esperar do desenvolvimento do bebê?
"É uma pergunta difícil de responder. Ele provavelmente vai demorar um pouco mais para desenvolver a fala, mas esperamos que possa ter uma vida normal. Ainda é complicado saber como ele vai evoluir", afirmou o médico.
Operação foi um sucesso, dizem neurocirurgiões (Foto: C. Cohen/Hospital Infantil de Boston)Operação foi um sucesso, dizem neurocirurgiões (Foto: BBC)























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Alerta pelo zika vírus dispara os pedidos de aborto na América do Sul


Alerta pelo zika vírus dispara os pedidos de aborto na América do Sul

Dobra o número de mulheres que querem interromper a gravidez no Brasil, Equador e Venezuela

Estudo que expõe o quadro trabalha com dados não oficiais


Uma mulher grávida no Recife.

Uma mulher grávida no Recife. 
Os países afetados pelo zika vírus na América do Sul estão registrando uma escalada inusitada nos pedidos de aborto, de acordo com um estudo divulgado hoje. O zika vírus provoca apenas sintomas suaves, na maioria dos casos, mas também está associado a malformações cerebrais no feto. Em muitos dos países afetados, o aborto é muito restrito, por isso as mulheres grávidas podem ser forçadas a ter filhos que, na realidade, não desejam. Com essa situação, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS)pediu que os países atacados pelo vírus facilitem o acesso à interrupção da gravidez a todas as mulheres que desejarem.
Um estudo relaciona os alertas oficiais lançados sobre o zika vírus e um aumento dos pedidos de aborto. O estudo analisou o número de pedidos de aborto registrados pela ONG holandesa Women on The Web, que ajuda mulheres sem acesso a uma intervenção médica a abortar com fármacos. O estudo analisou o número de pedidos registrados entre janeiro de 2010 e março deste ano em 19 países latino-americanos afetados pelo zika.
Os resultados, publicados na prestigiosa revista médica New England Journal of Medicine, mostram que em todos os países que emitiram alertas por causa do zika (por exemplo, recomendando que as mulheres não engravidassem) com restrições sobre o aborto os pedidos online para a ONGs aumentaram significativamente. No Brasil, o país mais afetado pelo vírus, dobrou o número de pedidos, assim como no Equador e na Venezuela. As taxas aumentaram pelo menos um terço na maioria dos outros países analisados. Nos países que não emitiram nenhum alerta, não houve aumento, segundo o estudo.
“É difícil obter dados confiáveis sobre as decisões reprodutivas das mulheres na América Latina”, lamenta Abigail Aiken, pesquisadora da Universidade do Texas em Austin (EUA) e coautora do estudo. “É de esperar que nosso método esteja subestimando o impacto que as advertências de saúde tiveram nos pedidos de aborto, uma vez que muitas mulheres usaram métodos inseguros para abortar ou recorreram a métodos clandestinos”, afirma.
Não é suficiente que os governos alertem as mulheres sobre os riscos do zika, também devem se esforçar para garantir que elas tenham opções reprodutivas seguras, legais e acessíveis
No Brasil a chegada do zika reabriu o debate sobre leis atuais e aborto, que mudaram pouco desde os anos quarenta. Os meios de comunicação noticiaram que algumas mulheres recorrem a métodos clandestinos, mesmo antes de serem diagnosticadas.

“Não é suficiente que os governos alertem as mulheres sobre os riscos do zika, também devem se esforçar para garantir que elas tenham opções reprodutivas seguras, legais e acessíveis”, afirmou Catherine Aiken, pesquisadora da Universidade de Cambridge e coautora do trabalho. Também participaram especialistas da Universidade de Princeton (EUA) e Edimburgo (Reino Unido).



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