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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Médicos reconstroem rosto usando implantes feitos em impressora 3D

13/03/2014 05h55 - Atualizado em 13/03/2014 10h00

Médicos reconstroem rosto usando implantes feitos em impressora 3D


Técnica pioneira permite criar partes na sala de operação e com a precisão necessária.

Da BBC

Stephen Power, 29 anos, ficou com rosto desfigurado após acidente com motocicleta. A cirurgia de reconstrução da face contou com implantes feitos em impressoras 3D (Foto: Reprodução/BBC)Stephen Power, 29 anos, ficou com rosto desfigurado após acidente com motocicleta. A cirurgia de reconstrução da face contou com implantes feitos em impressoras 3D (Foto: Reprodução/BBC)
O galês Stephen Power, de 29 anos, acaba de ter seu rosto reconstruído através do uso de uma técnica pioneira. Os implantes e placas usados foram feitos com impressoras 3D.
O procedimento gera resultados melhores porque o uso de peças com essa tecnologia instantânea permite fazer uma reconstrução facial mais precisa.
Agora, os médicos esperam que a técnica seja usada mais amplamente para que seus custos possam cair.
Modelo de implante feito em impressora 3D. Técnica pode revolucionar a medicina (Foto: Reprodução/BBC)Modelo de implante feito em impressora 3D. Técnica pode revolucionar a medicina (Foto: Reprodução/BBC)






















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Médicos trocam crânio de mulher por prótese de plástico impressa em 3D

28/03/2014 08h40 - Atualizado em 28/03/2014 08h43

Médicos trocam crânio de mulher por prótese de plástico impressa em 3D

Paciente tinha doença rara que fazia crânio ficar com 5 cm de espessura.
Cirurgia foi feita no Centro Médico Universitário de Utrecht, na Holanda.

Do G1, em São Paulo












Hospital desenvolveu prótese em impressora em três dimensões para substituir a parte superior do crânio de uma mulher de 22 anos (Foto: Reprodução/YouTube/UMC Utrecht)Hospital desenvolveu prótese em impressora em três dimensões para substituir a parte superior do crânio de uma mulher de 22 anos (Foto: Reprodução/YouTube/UMC Utrecht)

A cirurgia foi realizada no Centro Médico Universitário de Utrecht, na Holanda, e durou 23 horas. Próteses criadas em impressoras 3D já haviam sido usadas para substituir pares do crânio, mas esta é a primeira vez que quase toda a caixa craniana é substituída em um paciente.
Um hospital holandês obteve com sucesso a primeira cirurgia de troca da parte superior do crânio de uma paciente por uma prótese plástica criada em impressão 3D. A mulher de 22 anos sofria de uma doença rara que engrossava o crânio de forma anormal. No caso dela, o crânio tinha 5 centímetros de espessura, quando o normal seria 1,5 centímetro.
Prótese foi implantada na cabeça de mulher de 22 anos (Foto: Reprodução/YouTube/UMC Utrecht)
Prótese foi implantada na cabeça de mulher de
22 anos (Foto: Reprodução/YouTube/UMC Utrecht)
O procedimento gera resultados melhores porque o uso de peças com essa tecnologia instantânea permite fazer uma reconstrução mais precisa.
"Usando a impressão 3D, podemos fazer um para o tamanho exato”, explico o médico Bon Verweij, que comandou a cirurgia, em entrevista ao jornal Dutch News. “Isto não só tem grandes vantagens estéticas, mas a função do cérebro dos pacientes muitas vezes se recupera melhor do que usar."
A cirurgia foi realizada há três meses, mas o hospital anunciou o procedimento nesta sexta-feira (26) depois de se certificar que a mulher se recuperou completamente. "Ela já voltou ao trabalho e é impossível perceber que ela foi operada", afirmou.
Mulher tinha doença rara que deixava o crânio com 5 cm de espessura (o normal é 1,5 cm) (Foto: Reprodução/YouTube/UMC Utrecht)Mulher tinha doença rara que deixava o crânio com 5 cm de espessura (o normal é 1,5 cm) (Foto: Reprodução/YouTube/UMC Utrecht)

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Comissão de biossegurança aprova mosquito da dengue transgênico

11/04/2014 08h07 - Atualizado em 11/04/2014 12h31

Comissão de biossegurança aprova mosquito da dengue transgênico

Mosquito modificado geneticamente impede desenvolvimento de larva.
Para que possa ser usado, ainda falta autorização da Anvisa.

Do G1, em São Paulo
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira (10) a liberação comercial de um mosquito transgênico criado para controlar a população do Aedes aegypti selvagem, que transmite a dengue.
O mosquito ainda não estará no mercado imediatamente. Segundo nota do da CTNBio, um parecer será publicado no Diário Oficial da União e, a partir daí, órgãos de registro e fiscalização terão 30 dias para se manifestar.
Após esse período, caberá à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitir autorizações e registros para o uso em campanhas de saúde pública. Segundo o órgão, ligado ao Ministério da Ciência, é o primeiro inseto geneticamente modificado a obter licença no Brasil.

Os integrantes do órgão aprovaram por 16 votos a 1 a produção da linhagem OX513A, desenvolvida pela empresa britânica Oxitec, que já realiza ensaios no país desde 2011, na cidade de Jacobina (BA). Os testes são aplicados pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a organização social Moscamed.

A tecnologia consiste em produzir em laboratório mosquitos machos com dois genes diferentes doAedes aegypti original. Fêmeas que vivem na natureza e cruzam com esses espécimes modificados geram filhotes que não conseguem chegar à fase adulta.

Além disso, as crias do OX513A herdam ainda um marcador que os torna visíveis sob uma luz específica, o que, segundo a Oxitec, facilita o monitoramento e assegura o controle dos insetos.
 

Testes feitos na Bahia
Os experimentos consistiram em liberar os insetos transgênicos em comunidades de Jacobina (BA). De acordo com a Moscamed, em ao menos dois bairros houve redução de 81% e 100% no registro de casos de dengue. Após os testes, a Oxitec protocolou a solicitação de liberação comercial na CTNBio.

A empresa abriu uma biofábrica com capacidade de produzir 500 mil mosquitos transgênicos por semana.
Além da liberação comercial, a comissão definiu também a necessidade de monitorar a população do mosquito Aedes albopictus, outro vetor do vírus da dengue, devido ao risco de a espécie ocupar o nicho ecológico deixado pela supressão do Aedes aegypti original.
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Infográfico Dengue (Foto: Arte/G1)




























































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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Cientistas querem criar 'fábrica de órgãos' para facilitar transplantes

08/04/2014 08h39 - Atualizado em 08/04/2014 08h41

Cientistas querem criar 'fábrica de órgãos' para facilitar transplantes

Pesquisadores ingleses desenvolvem narizes e orelhas em laboratório.
Objetivo é ajudar pessoas que perderam órgãos após doenças.

Do G1, em São Paulo

O pesquisador Alexander Seifalian posa para fotografia com um nariz sintético, que poderá ser utilizado em breve em humanos (Foto: Matt Dunham/AP)O pesquisador Alexander Seifalian posa para fotografia com um nariz sintético, que poderá ser utilizado em breve em humanos (Foto: Matt Dunham/AP)
Pesquisadores da University College of London, no Reino Unido, querem montar uma “fábrica de órgãos” com o objetivo de auxiliar pessoas que necessitam substituir quaisquer partes do corpo afetadas por alguma doença.
Uma das iniciativas é conduzida por Alexander Seifalian. Em 2013, ele e sua equipe produziram um nariz para um britânico, após o órgão ter sido afetado por um câncer.
O molde foi feito com a ajuda de uma solução de sal e açúcar, para imitar a textura esponjosa de um nariz real. As células-tronco utilizadas foram retiradas da gordura do paciente e cultivadas duas semanas antes de ser aplicada no órgão, implantado no antebraço do paciente até que autoridades reguladoras do Reino Unido permitam o transplante.

"É como fazer um bolo, só que usando um tipo de forno diferente", explica Alexander.

Michelle Griffin, que integra a equipe de pesquisa, segura orelha sintética que poderá ser implantada em pessoas, após autorização concedida pelo governo britânico (Foto: Matt Dunham/AP)
Michelle Griffin, que integra a equipe de pesquisa,
segura orelha sintética que poderá ser implantada em
pessoas, após autorização concedida pelo governo
britânico (Foto: Matt Dunham/AP)
Engenharia de tecidos e órgãos
O trabalho é promissor, tanto que nesta terça-feira (8) o pesquisador se encontra com o prefeito de Londres, Boris Johnson, que vai anunciar uma iniciativa para atrair investimentos aos setores de saúde e ciência da Grã-Bretanha.

O objetivo é estimular o desenvolvimento comercial da pesquisa pioneira.

Outros cientistas, também envolvidos nesse trabalho, afirmam que a produção de determinados órgãos vai, em breve, abandonar o status de experimental.

“Estou convencida de que a engenharia de órgãos vai estar logo no mercado”, afirma Suchitra Sumitran-Holgersson, professora da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e responsável por transplantes de vasos sanguíneos laboratoriais.

Engenharia de tecidos e órgãos é setor que tem crescido no mundo e está em desenvolvimento em diversas universidades (Foto: Matt Dunham/AP)Engenharia de tecidos e órgãos é setor que tem crescido no mundo e está em desenvolvimento em diversas universidades (Foto: Matt Dunham/AP)


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Socialmente ativo, britânico tem síndrome 'oposta ao autismo'

BBC
08/04/2014 07h25 - Atualizado em 08/04/2014 08h44

Socialmente ativo, britânico tem síndrome 'oposta ao autismo'

Com rara condição genética, pessoa se empenha em ser amigável, mas tem dificuldade de compreender quando está em perigo.

BBC
Chris Steel, de 40 anos, é simpático e solidário, traços da Síndrome de Williams que já o puseram em apuros (Foto: BBC/Reprodução)Chris Steel, de 40 anos, é simpático e solidário,
traços da Síndrome de Williams que já o puseram
em apuros (Foto: Tim Smith/BBC/Reprodução)
O britânico Chris Steel tem 40 anos, é extremamente simpático e fica mais feliz quando está em cima de um palco atuando em peças como a Revolução dos Bichos, de George Orwell.
Quando criança, sua natureza solidária o levou ao leito de uma vítima da tragédia de Hillsborough - nome do estádio em que 96 torcedores do Liverpool morreram pisoteados em abril de 1989. Por tanta compaixão e zelo, Steel recebeu um prêmio da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher.
Mas ele não é capaz de sair de casa sozinho por causa de sua facilidade em confiar em estranhos e da sua dificuldade em compreender quando está em perigo. Uma vez, quando o fez, emprestou seu celular a uma pessoa, que o roubou.
Ele sofre de ansiedade aguda e precisa de constante reafirmação das pessoas ao seu redor.
"Moro com minha mãe porque não quero viver sozinho", afirma Steel. "Fico muito ansioso quando quero sair para fazer coisas. Também não posso lidar com dinheiro. Gostaria que isso fosse possível."

Pessoas com WS são empáticas, sociais, amigáveis e cativantes, mas tendem a ter um baixo QI e encontram dificuldades em tarefas como contar dinheiro.

Necessidade por atenção
Steel tem Síndrome de Williams (WS, na sigla em inglês), uma doença genética rara que afeta cerca de uma em 18 mil pessoas na Grã-Bretanha e que tem sido frequentemente apelidada de o "oposto do autismo".

Elas podem se sentir ansiosas com estímulos como o zumbido de uma abelha ou a textura dos alimentos.
Sua necessidade por atenção é tão grande que, em alguns casos, são capazes de ligar para a polícia fingindo haver uma emergência para ter a atenção de alguém.
A Síndrome de Williams, identificada pela primeira vez em 1961, pode causar problemas cardíacos, atrasos de desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem.
A doença acaba reforçando a arte de atuar de pessoas com WS. "Sou bom em enrolar as pessoas e em ser um personagem em situações diferentes", diz Steel.
Ele é ator em uma instituição de caridade chamada Mind the Gap, com sede em Bradford, no norte da Inglaterra, e lembra que uma de suas atuações favoritas foi quando fez um pirata em uma peça chamada Treasure Island.
Sutilezas comportamentais
Quando era criança e visitava seu pai no hospital, Chris conheceu Tony Bland, que teve graves danos cerebrais depois de ser esmagado no desastre no estádio de Hillsborough, em 1989.

Steel fez amizade com Bland, e ficou, fielmente, ao lado da cama do novo amigo por semanas. 'Chris pode falar com qualquer um e não precisa de uma resposta', diz sua mãe Judy.
Ela diz que Steel é 'ótimo para levar a festas', pois ele se apresenta alegremente a novas pessoas.
Mas há um outro lado para essa sociabilidade. Sua mãe diz que Steel "confia muito nos outros" - e algumas pessoas tiram proveito dele.
Ela diz que ele também precisa de pessoas ao seu redor para ser feliz e orientá-lo nas opiniões que deveriam ser próprias.
Pessoas com WS podem fazer um contato visual prolongado e ser mais envolventes, o que pode colocá-los em perigo.
A linguagem à frente da mente
Há também outros aspectos da doença que podem colocá-los em uma situação difícil.

"Eles não têm uma capacidade cognitiva equivalente a sua idade linguística", diz Lizzie Hurst, diretora executiva da Fundação Síndrome de Williams. "Também não conseguem avaliar o estado de espírito de uma multidão e agir de acordo com isso."
Hurst diz ser questionável se pessoas com WS são legalmente responsáveis por si mesmas. "Diria que não podem", acrescenta ela.
Ela está trabalhando para tornar a doença mais conhecida entre médicos britânicos, pois apenas um em cada 40 se deparará com a doença na sua carreira e é difícil detectá-la em bebês.
As características faciais da síndrome em crianças pequenas incluem um pequeno nariz arrebitado, um longo lábio superior, boca grande, lábios carnudos, queixo pequeno e um contorno branco na íris do olho.
'Onda' autismo
Hurst afirma que a ansiedade pode ser agravada se a doença não for diagnosticada, pois as pessoas se sentem ainda mais isoladas.

A instituição de caridade de Hurst, que não recebe qualquer financiamento do governo, conta com a captação de recursos e doações. Ela organiza churrascos e festas para pessoas com WS e suas famílias.
"Acho que o governo deveria fazer mais", diz ela. "Pode ser difícil quando você vê o aumento do financiamento para o autismo."
"As pessoas com WS precisam de ajuda tanto quanto outras pessoas com outros transtornos mentais e, de muitas maneiras, eles precisam ainda mais de apoio e atenção, e isso tem um preço."
Pessoas com WS não têm uma expectativa de vida menor do que as outras pessoas, e alguns podem conseguir empregos, na maioria das vezes como voluntários, onde sua natureza solidária pode ser útil.
Base genética
Debbie Riby, professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Durham, na Inglaterra, pesquisa o transtorno há 12 anos.

Ela diz que a Síndrome de Williams ocorre quando parte do cromossomo sete é apagado, o que acontece esporadicamente.
"Qualquer um pode ter um filho com Síndrome de Williams", diz ela.
Riby diz que não há triagem pré-natal, mas muitas vezes os médicos podem ter pistas, caso uma criança tenha sopros no coração e problemas em ganhar peso.
Ela vem realizando pesquisas com pais para entender a ansiedade no WS para, então, elaborar um passo a passo que famílias possam seguir para manter as crianças calmas e felizes.
"O trabalho em torno da WS costumava se concentrar na parte teórica", diz Riby. "Queria concentrar-me no lado prático. Ainda há muito o que podemos fazer. O mais importante é que nós pensemos em como usar nossas pesquisas para dar apoio às famílias."
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Índia torna legal a existência de um terceiro gênero


Índia torna legal a existência de um terceiro gênero

Governo terá de alterar as leis para conceder os mesmos direitos às pessoas transgénero, o que o Supremo Tribunal considera ser "uma questão de direitos humanos".
Estima-se que na Índia vivam cerca de dois milhões de transexuais AFP

O Supremo Tribunal da Índia reconheceu legalmente a existência de um terceiro género, numa decisão histórica que abre caminho à aprovação de leis de protecção social à comunidade transgénero do país.
Os cidadãos têm agora a opção de inscrever a sua orientação de género – masculino, feminino ou terceiro género – em todos os documentos oficiais, numa tentativa de travar a marginalização e os actos de violência contra as pessoas que não se identificam com uma divisão em apenas duas categorias.
"O reconhecimento das pessoas transgénero como um terceiro género não é uma questão médica ou legal, mas sim uma questão de direitos humanos. Os transgénero são também cidadãos da Índia. O espírito da Constituição vai no sentido de proporcionar oportunidades iguais a todos os cidadãos para realizarem o seu potencial, independentemente da sua casta, religião ou género", declarou o juiz KS Radhakrishnan.
A decisão do Supremo indiano aplica-se a uma parte da comunidade conhecida como hijra – um termo usado para definir uma variedade de situações, mas que neste caso em particular abrange eunucos, pessoas que se submeteram a uma cirurgia para mudança de sexo e "todos os que se apresentem de uma forma diferente da do sexo com que nasceram".
De fora ficam gays, lésbicas e bissexuais – em Dezembro de 2013, o Supremo Tribunal anulou mesmo uma decisão de primeira instância, de 2009, que defendia a descriminalização da homossexualidade. O Supremo argumentouque a lei que classifica as relações entre pessoas do mesmo sexo como um "delito não natural" (aprovada há 153 anos, durante a era colonial britânica) só pode ser alterada pelo Parlamento.
A advogada Anita Shenoy, representante da Autoridade Nacional de Serviços Legais indiana, mostrou-se "entusiasmada com a decisão" anuciada nesta terça-feira. "O acórdão do tribunal reconhece legalmente a existência do terceiro género. Os juízes disseram que o Governo deve garantir que eles tenham acesso a tratamento médico e a instalações como áreas separadas em hospitais e casas de banho próprias", explicou a advogada à BBC.
Abhina Aher, que se identifica como transgénero e trabalha na organização sem fins lucrativos HIV/AIDS Alliance, contou ao The New York Times a conversa que teve com a mãe assim que a decisão do Supremo foi conhecida: "Mãe, a minha situação já foi legalizada. Já não precisas de ter vergonha de mim."
Geeta Pandey, directora-adjunta da BBC Online na Índia, explica a importância dos hijra na história do país. "Os membros do terceiro género desempenharam um papel proeminente na cultura indiana e foram em tempos tratados com muito respeito", escreve a jornalista no site da BBC.
O período de marginalização e perseguição começou durante a era colonial britânica, no século XVIII, com a aprovação de leis que criminalizaram a homossexualidade, mas também os comportamentos das pessoas transgénero.
"Depois da independência, a lei foi abolida em 1949, mas a desconfiança em relação à comunidade transgénero continuou. Ainda hoje continuam a ser socialmente excluídos, a viver nas margens da sociedade, em guetos, assediados pela polícia e agredidos pela maioria da população. Muitos ganham a vida a cantar e a dançar em casamentos, e muitos tiveram de recorrer à esmola e à prostituição", explica Geeta Pandey.


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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Grávida renuncia a tratamento contra câncer para realizar sonho de ser mãe e morre dias depois de dar à luz


Grávida renuncia a tratamento contra câncer para realizar sonho de ser mãe e morre dias depois de dar à luz



Mulher não pôde passar por ressonância para analisar crescimento do tumor.

Uma mulher de Nova Iorque, que optou por continuar sua gravidez depois de descobrir um tumor, morreu poucos dias depois de dar à luz uma menina saudável. Elizabeth Joice, de 36 anos, teve sua história compartilhada pelo marido que contou que ela abandonou tudo para realizar o desejo de se tornar mãe, mesmo que fosse por pouco tempo.

Nascida em Montclair, Nova Jersey, Liz - como era conhecida – descobriu o tumor em setembro de 2010. Ela passou por sessões de quimioterapia, e foi declarada livre do câncer. Mesmo sendo aconselhada a não ter filhos, ela tinha um grande desejo, e foi atrás do sonho.

A mulher acabou engravidando, apesar de ser algo que contrariava os médicos. Mas um mês depois descobriu que o tumor tinha voltado. Os médicos removeram o tumor com uma nova cirurgia, mas pelo fato de estar grávida, Liz não poderia passar por exames de ressonância magnética do corpo inteiro, e assim seu oncologista não conseguiria verificar se o câncer estava crescendo.

Grávida renuncia a tratamento contra câncer para realizar sonho de ser mãe e morre dias depois de dar à luz

Liz acabou sofrendo com o crescimento do tumor, que passou do pulmão para o coração e o abdômen. Ela conseguiu dar à luz seu bebê, chamada Lily, e 5 dias depois foi para casa. Mas por estar doente, teve que voltar para o hospital para se tratar. Apesar da luta, já era tarde. Liz morreu no dia 9 de março, deixando uma filha saudável no mundo.

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domingo, 6 de abril de 2014

Convite para o lançamento do livro Aconselhamento Genético e Responsabilidade Civil: As Ações por Concepção Indevida (Wrongful Conception), Nascimento Indevido (Wrongful Birth) e Vida Indevida (Wrongful Life), da autora Iara Antunes de Souza.



Convite para o lançamento do livro Aconselhamento Genético e Responsabilidade Civil: As Ações por Concepção Indevida (Wrongful Conception), Nascimento Indevido (Wrongful Birth) e Vida Indevida (Wrongful Life), da autora Iara Antunes de Souza.




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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Justiça australiana reconhece existência do gênero sexual neutro

Justiça australiana reconhece existência do gênero sexual neutro


A principal corte de Austrália decidiu nesta quarta-feira que uma pessoa pode ser reconhecida pelo Estado como pertencente a um "gênero neutro", nem masculino nem feminino, o que torna o país um dos poucos que reconhecem um terceiro sexo.
"A Suprema Corte reconhece que uma pessoa pode não ser nem do sexo masculino, nem do sexo feminino, e permite, assim, o registro do sexo de uma pessoa como 'não especificado'", afirma, em decisão unânime, que rejeitou a apelação feita pelo estado de New South Wales para que fossem reconhecidos apenas os sexos masculino e feminino.
O caso foi centrado numa pessoa chamada Norrie - que não se identifica nem como sendo do sexo masculino nem do sexo feminino. Ela entrou com um processo na justiça australiana para que um gênero neutro fosse introduzido no país.
Norrie, que se apresenta apenas pelo primeiro nome, nasceu como homem e passou por uma cirurgia de mudança de sexo em 1989 para se tornar uma mulher.
A cirurgia, contudo, não conseguiu solucionar a identidade sexual ambígua de Norrie, impulsionando sua luta pelo reconhecimento de um novo gênero, não tradicional.
A militante pela igualdade sexual virou manchete em todo o mundo em fevereiro de 2010, quando um registro no Departamento de Nascimentos, Mortes e Casamentos do estado de New South Wales aceitou que "sexo não especificado" poderia ser usado para Norrie.
Mas logo após a decisão foi revogada pelo departamento, alegando que o certificado era inválido e tinha sido emitido por um erro. À época, Norrie disse que a decisão foi como ter sido "socialmente assassinada".
O caso gerou uma série de processos que resultaram na decisão da Corte de Apelação de New South Wales em reconhecer Norrie como tendo um gênero neutro em 2013. A decisão foi apoiada pela Suprema Corte australiana nesta terça-feira.
"Estou eufórico", declarou o interessado.
"As pessoas compreenderão que não existem apenas duas opções. Você pode ser uma mulher ou um homem, mas alguns de seus parentes não o serão obrigatoriamente", completou.
De acordo com a associação Centro de Leis sobre os Direitos Humanos, a corte "rejeitou as noções nostálgicas sobre gênero".
"Agradecemos a decisão. Esperamos que a imprensa respeite a diferença entre transgêneros e transsexuais e identifiquem o gênero de Norrie como 'não específico'", afirmou a organização internacional Intersex International Austrália.
Uma pessoa só poderá ser reconhecida pela lei e o Estado Civil como de gênero neutro ao apresentar um dossiê médico.
Ainda são ignoradas as consequências da decisão. A Austrália reconhece apenas o casamento entre um homem e uma mulher.
Em junho do ano passado, o país já havia adotado uma nova nomenclatura para o reconhecimento do sexo nos documentos oficiais, com a possibilidade de escolha entre homem, mulher ou transgênero.
Alemanha e Nepal autorizam seus cidadãos a colocar um X no espaço "sexo" de seu passaporte, ao invés de M de masculino ou F de feminino.
Em novembro a Alemanha deu um passo adicional ao autorizar que os bebês nascidos sem uma identificação clara sejam registrados sem a informação sobre o sexo.
A medida tinha como objetivo reduzir a pressão sobre os pais, que precisavam decidir de maneira urgente sobre intervenções cirúrgicas polêmicas para atribuir um sexo a um recém-nascido.
Agora, os pais são autorizados a deixar em branco o espaço respectivo nas certidões de nascimento, criando assim uma categoria indeterminada nos registros civis.




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